Em um movimento que pode redefinir o mapa político venezuelano, a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou na sexta-feira uma proposta de lei de anistia geral que abrange detidos por crimes políticos desde 1999 até os dias atuais, abrangendo a longa era chavista e as gestões de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. A iniciativa, apresentada durante a cerimônia de abertura do ano judicial no Supremo Tribunal de Justiça, será enviada nas próximas horas à Assembleia Nacional para votação com urgência. A proposta exclui explicitamente pessoas condenadas por homicídio, tráfico de drogas, corrupção e graves violações de direitos humanos — um recorte que busca atender às exigências constitucionais mas que também levanta debates sobre critérios e alcance da lei. Rodríguez pediu que a anistia sirva para “sarar as feridas” deixadas pela confrontação política no país e que não prevaleçam “vingança, revanche ou ódio” entre os beneficiados, em uma tentativa explícita de moldar o discurso para a reconciliação nacional. Libertações já em curso e números em disputa O anúncio ocorre em meio a uma série de excarcelamentos que vêm se intensificando desde o início de janeiro. Segundo a ONG venezuelana Foro Penal, especializada no acompanhamento de presos políticos, existem 711 detidos por motivos políticos no país, apesar de centenas terem sido liberados nas últimas semanas. Dados oficiais do governo são mais altos: ministros citam cifras superiores a 800 excarcerados desde dezembro, enquanto o Procurador-Geral menciona centenas de medidas cautelares que incluem restrições de liberdade sem soltura plena. Reações internas e externas divididas Organizações de direitos humanos receberam o anúncio com otimismo cauteloso, destacando que a amnistia pode contribuir para a reconciliação, mas exigindo clareza legal e participação da sociedade civil em sua formulação e aplicação. Já vozes da oposição e críticos políticos veem a medida como resultado de pressões internacionais, principalmente dos Estados Unidos, em meio a recentes desenvolvimentos diplomáticos e à detenção de Nicolás Maduro no exterior. Líderes oposicionistas argumentam que a iniciativa não é um gesto voluntário do governo e ressaltam a necessidade de uma transição política mais profunda. Símbolos e políticas: El Helicoide e narrativa de mudança No mesmo comunicado, Rodríguez anunciou o fechamento do Helicoide, a infame sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) em Caracas, utilizada historicamente como centro de detenção e denunciada por abusos de direitos humanos. O local deverá ser convertido em centro social e de esportes — uma promessa de transformação simbólica que acompanha a proposta legislativa. Contexto histórico e precedentes A Venezuela não decretava uma amnistia de alcance tão amplo desde 2007, quando Hugo Chávez perdoou participantes do golpe de 2002. Tentativas posteriores, como a de 2016, foram barradas por questões de constitucionalidade. Com esses elementos, a proposta de amnistia generalizada emerge como um ponto de inflexão potencial — entre o encerramento de décadas de repressão e a abertura de um novo ciclo de disputa política e judicial no país.
Corrida Nacional do SESI 2026 acontece em 26 estados no Dia do Trabalhador
No dia 1º de maio, data em que se celebra o Dia do Trabalhador, o Serviço Social da Indústria (SESI) realiza, de forma simultânea em 26 estados brasileiros, a 2ª Corrida Nacional do SESI. Com o slogan “Correr é para todos”, o evento vai além da prática esportiva e se propõe a estimular hábitos saudáveis, promover qualidade de vida e mobilizar a sociedade por meio da arrecadação de alimentos não perecíveis, que serão destinados a entidades sociais em todo o país. A corrida é uma correalização do Conselho Nacional do SESI com os Departamentos Regionais da instituição e, nesta edição, a expectativa é reunir mais de 65 mil participantes em todo o Brasil. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas exclusivamente pelo site oficial do evento: https://corridanacionaldosesi.com.br/, onde também estão disponíveis informações detalhadas sobre locais das provas em cada estado, regulamento e programação. Pensada para públicos de diferentes idades e níveis de preparo físico, a Corrida Nacional do SESI oferece modalidades de corrida e caminhada. A prova de 5 quilômetros é destinada a participantes a partir de 14 anos, enquanto a corrida de 10 quilômetros exige idade mínima de 16 anos. Já a caminhada de 3 quilômetros é livre para todas as idades. As disputas são organizadas nas categorias masculina e feminina, com divisões por faixa etária conforme a modalidade escolhida. Os valores de inscrição variam conforme a categoria. A inscrição inteira custa R$ 130. A chamada meia social sai por R$ 65, mediante a doação de dois quilos de alimentos não perecíveis, que reforçam o caráter solidário do evento. Também há a meia legal, no valor de R$ 65. Pessoas com deficiência (PCD) têm inscrição gratuita, com reserva de 10% das vagas totais, desde que apresentem a documentação exigida no regulamento. A isenção vale para pessoas com deficiência física, auditiva, visual ou intelectual. Todos os inscritos recebem um kit atleta, que inclui camiseta oficial da 2ª Corrida Nacional do SESI, número de peito, boné ou viseira, sacochila esportiva e medalha de participação, entregue após a conclusão da prova. A proposta, segundo a organização, é reforçar que o esporte é uma ferramenta acessível de inclusão, saúde e transformação social — e que correr, definitivamente, é para todos.
Aceleradoras de impacto impulsionam a bioeconomia amazônica
Quando se fala em desenvolvimento sustentável na Amazônia, o debate costuma oscilar entre dois polos já conhecidos: conservar ou explorar. Entre eles, porém, cresce um terceiro caminho — menos retórico e mais operacional — que aposta na inovação como infraestrutura invisível para destravar negócios, renda e impacto social mantendo a floresta em pé. É nesse espaço que atuam as aceleradoras de negócios de impacto socioambiental, com destaque para iniciativas estruturadas no próprio território amazônico, como a AMAZ, coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (Idesam). Esse tipo de organização atua como ponte entre realidades que historicamente não dialogam: comunidades produtoras, tecnologia, mercado e capital. A Amazônia carrega gargalos estruturais conhecidos — logística precária, baixa bancarização, insegurança fundiária, dificuldade de acesso a crédito e ausência de instrumentos financeiros adequados ao ciclo das cadeias da sociobiodiversidade. Nesse contexto, modelos tradicionais de financiamento tendem a falhar não por falta de recursos, mas por inadequação ao território. Segundo a líder de operações de novos negócios do Idesam e gestora da AMAZ, Gabriela Souza, a composição do fundo disponibilizado pela AMAZ é estratégica para atingir negócios que atuam em setores e modelos que destoam do tradicional pela sua lógica financeira. Para isso, a empresa opera com um fundo híbrido de R$ 25 milhões, estruturado a partir da lógica de blended finance, que combina capital filantrópico e privado. Na prática, isso permite reduzir o risco em etapas críticas dos negócios de impacto, especialmente na fase chamada de “pré-competitiva”, geralmente ignorada pelo sistema financeiro convencional. “Negócios de impacto, em sua grande maioria, incorporam etapas pré-competitivas para garantir a oferta, como assistência técnica produtiva, transferência de tecnologias, antecipação de pagamentos e mecanismos de rastreabilidade, que encarecem o custo da matéria-prima”, explica Gabriela. O papel do recurso filantrópico, segundo ela, é viabilizar a competitividade desses modelos, permitindo que o capital privado entre em condições mais alinhadas à realidade local. “O capital privado, por si só, ainda não apresenta apetite suficiente para custear essa etapa. A estrutura híbrida reduz a pressão por retorno imediato e possibilita trabalhar diferentes instrumentos, de apoios não reembolsáveis a crédito e participação societária”, afirma. “O recurso filantrópico busca viabilizar a competitividade desses modelos. Fortalecer, através de suporte técnico contínuo, um modelo de negócio que seja sustentável financeiramente, acesse mercados adequados e gere retornos econômicos a empreendedores, parceiros, fornecedores e investidores”, completa. Essa engenharia financeira se traduz em algo central para o desenvolvimento regional: previsibilidade. Ao combinar suporte técnico contínuo, capital adequado ao estágio do negócio e acesso a mercados, as aceleradoras ajudam a transformar iniciativas locais — muitas vezes informais ou fragilizadas — em operações capazes de gerar renda, pagar melhor a base produtiva e permanecer no território. Cases de sucesso em 5 anos A Amaz completou cinco anos de atividade em 2025 com números superlativos: avaliou mais de 500 startups potenciais, acelerou 52 negócios, investiu em 29 empresas e mantém 16 ativas no portfólio. Somente em 2024, beneficiou 1.959 famílias e 45 organizações sociais e os negócios acelerados pela Amaz geraram R$ 4 milhões de pagamentos a parceiros na Amazônia brasileira. Safra de açaí em um ativo digital com tokenização O caso da tokenização do açaí, em Igarapé-Miri (PA), ilustra esse movimento. Desenvolvida por dois negócios do portfólio da AMAZ, Tribo Superfoods e ForestiFi, a iniciativa aplicou tecnologia blockchain para transformar uma safra de açaí em um ativo digital. “Essa operação materializa a tese de destravar gargalos estruturais da bioeconomia com inovação tecnológica e social, conectando a base produtiva ao capital, mercado e governança”, destaca Gabriela. A cadeia do açaí, uma das mais emblemáticas da Amazônia, movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano e envolve aproximadamente 150 mil famílias só no Pará. Ainda assim, convive com problemas recorrentes: perdas no transporte, baixa rastreabilidade, dificuldade de acesso a capital de giro e relações comerciais desfavoráveis para quem está na base. A tokenização, nesse cenário, permite que o recurso chegue antes da safra, com regras claras de uso e acompanhamento, reduzindo a dependência de atravessadores e fortalecendo a governança da cadeia. Outro elemento-chave desse ecossistema é a cooperação entre startups, em contraste com a lógica tradicional de competição. “Quando as startups passam a cooperar, a cadeia deixa de ser tratada como um problema que uma empresa tenta resolver sozinha e passa a ser trabalhada como um sistema”, afirma Gabriela. No caso do açaí, enquanto a Tribo organiza a base produtiva e o acesso ao mercado, a ForestiFi oferece a infraestrutura financeira e tecnológica que garante liquidez e previsibilidade. O resultado é redução de risco, ganho de escala e distribuição mais equilibrada de valor. Apoio às políticas públicas Após cinco anos de atuação, a experiência acumulada pela AMAZ também chega ao campo das políticas públicas. A participação da organização na construção do Plano Estadual de Bioeconomia do Amazonas levou à mesa um diagnóstico recorrente: o entrave não é falta de iniciativa, mas ausência de instrumentos adequados. “Defendemos políticas que combinem soluções de curto prazo, que não excluam quem já produz, com caminhos estruturais para enfrentar questões como regularização fundiária, garantias e acesso ao crédito”, pontua Gabriela. O desafio agora é alinhar o ritmo das políticas ao ritmo da inovação que já acontece na ponta. Isso passa por redesenhar critérios de rigor para a realidade amazônica, criar mecanismos de garantia mais compatíveis com o território e fomentar parcerias formais entre setor público, privado e organizações locais. Mais do que discursos, trata-se de construir evidências: operações que funcionam, geram resultados rastreáveis e mostram que a floresta em pé pode, sim, ser um ativo econômico competitivo. Líder de operações de novos negócios do Idesam e gestora da AMAZ, Gabriela Souza Cooperação, tecnologia e território: o novo desenho da inovação amazônica Um dos movimentos mais silenciosos — e estratégicos — do ecossistema de inovação na Amazônia é a mudança de lógica: da competição isolada para a cooperação estruturada. Em um território marcado por cadeias produtivas complexas e desafios pré-competitivos profundos, tentar “dominar” toda a cadeia tornou-se não apenas inviável, mas contraproducente. A experiência da AMAZ mostra que
Mulheres indígenas desenvolvem plataforma de IA para gerar renda às famílias
A tradição que sustenta a preservação cultural dos povos indígenas agora também impulsiona a inovação tecnológica. Mulheres de diversas etnias se uniram para criar uma Inteligência Artificial (IA) pensada e administrada exclusivamente por elas: a Arandu. A ferramenta, cujo nome significa “sabedoria” em tupi-guarani, integra a plataforma Círculos Indígenas, que reúne múltiplas funcionalidades e atua como uma espécie de guardiã digital dos valores, saberes e tradições dos povos originários do Brasil. Na plataforma que abriga a IA Arandu, as participantes produzem, editam, distribuem conteúdos, registram saberes tradicionais em formato digital e comercializam produtos e criações desenvolvidas nas aldeias, fortalecendo a autonomia econômica das comunidades. A iniciativa, construída de forma coletiva ao longo de 2025, a partir de uma convocação da ONG Recode, nasce da necessidade de fortalecer redes de apoio de mulheres indígenas, preservar conhecimentos ancestrais e ampliar suas vozes, integrando a tecnologia de maneira respeitosa, sem romper com as tradições. Atualmente, o grupo está distribuído pelo Distrito Federal e por 12 estados brasileiros: Acre, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins. A meta é alcançar 240 participantes até 2026. As inscrições para a terceira turma, com 160 novas vagas, já estão abertas (clique aqui). “As mulheres indígenas enfrentam, historicamente, barreiras estruturais de acesso à tecnologia, às oportunidades econômicas e aos meios de comunicação. Esse movimento nasce para reverter esse cenário e garantir que essas vozes sejam protagonistas de suas próprias narrativas”, afirma Rodrigo Baggio, fundador e CEO da ONG Recode. Segundo ele, o grupo reúne representantes dos povos Pataxó, Pataxó Hãhãhãe, Guajajara, Terena, Apurinã, Juruna (Yudjá), Wapichana, Boe Bororo e Kaxinawá, entre outros, fortalecendo uma rede de comunicadoras que atua a partir de diferentes territórios, línguas e tradições. Uma voz da comunidade Uma dessas vozes é a de Júlia Tainá, de 38 anos, participante do projeto. Para ela, que é do Acre, a iniciativa representou um verdadeiro despertar — um caminho de reconexão com a própria história e de construção de um espaço seguro de expressão. “Dos meus quatro avós, três eram indígenas e um era espanhol, uma típica história brasileira. Meus avós indígenas eram das etnias Manchineri, Pataxó e Tupinambá. Nasci mais próxima da minha história Manchineri, aqui no Acre. Sou uma indígena em contexto urbano, não por opção, mas por conta da trajetória da minha família. Ao participar de projetos como este, ouvindo outras histórias e realidades, fui me sentindo pertencente e segura. Era como estar em um território, ainda que virtual, onde eu podia, de fato, me comunicar”, celebra Júlia. Essa vivência moldou sua visão sobre o papel da tecnologia como ferramenta de fortalecimento cultural. “A IA ajuda a organizar nossas ideias, na descrição das peças, na forma de contar a história, de compartilhar o que produzimos. Ela nos apoia a estruturar nossas falas e a aprender a nos comunicar do nosso jeito. Porque é dessa forma que conseguimos impactar o futuro, sem abrir mão de quem somos.” Autonomia e geração de renda Na plataforma digital, as participantes têm acesso a ferramentas intuitivas para criação, edição e distribuição de conteúdos em texto, vídeo, áudio e formatos visuais. O ambiente também funciona como um acervo digital voltado ao registro e à valorização de saberes tradicionais, sempre com respeito aos contextos culturais e aos direitos coletivos. Outro destaque é a possibilidade de geração de renda, por meio de espaços que ainda estão sendo aprimorados e que vão funcionar como um e-commerce para a comercialização de produtos e conteúdos criados nas aldeias. Já a Arandu oferece suporte à tradução entre línguas indígenas e o português, além de sugestões de formatos de conteúdo e análises de engajamento, sempre com uso ético e supervisionado. “A Arandu nasce do encontro entre tecnologia e conhecimento ancestral, mostrando que é possível desenvolver Inteligência Artificial de forma ética, diversa e alinhada às realidades dos povos indígenas”, conclui Rodrigo.
Saúde ocupacional deixa de ser custo e se consolida como estratégia de gestão nas empresas
A saúde ocupacional deixou de ocupar um papel meramente burocrático dentro das organizações e passou a ser um dos principais pilares estratégicos para a sustentabilidade das empresas. Dados de pesquisas e levantamentos técnicos sobre segurança e saúde no trabalho mostram que, com a atualização da NR-01, que trata das Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o cumprimento da norma deixou de ser apenas uma recomendação e passou a exigir uma postura ativa das empresas na gestão de riscos ocupacionais. A partir de maio, a NR-01 torna-se obrigatória, reforçando a exigência legal do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e da elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) em todas as organizações. Segundo a engenheira química e ambiental Priscilla Araújo, atualmente não é mais possível falar em competitividade sem considerar a saúde física e mental dos colaboradores. “Hoje, a saúde ocupacional é parte central da estratégia de gestão. Empresas saudáveis têm equipes mais produtivas, menos afastamentos, maior engajamento e melhor reputação. Cuidar da saúde do trabalhador é cuidar da continuidade e da competitividade da empresa”, afirma. Entre as ações práticas mais eficazes, a especialista destaca a ginástica laboral, que atua diretamente na prevenção de doenças musculoesqueléticas, como LER/DORT, além de reduzir fadiga, dores e tensões acumuladas pela rotina de trabalho. “Na prática, ela melhora a disposição, a concentração e o bem-estar físico e mental do colaborador. É uma pausa estratégica que impacta positivamente o desempenho ao longo do dia”, explica. Outro ponto que ainda gera resistência em muitas empresas é a ergonomia, frequentemente encarada como custo. Para Priscilla, essa visão precisa ser revista. “A ergonomia previne problemas que custam muito mais caro quando não tratados, como afastamentos, processos trabalhistas, perda de produtividade e rotatividade. Quando bem aplicada, ela melhora o conforto, reduz riscos e aumenta a eficiência operacional. Ergonomia é investimento em pessoas”, destaca. De acordo com Priscilla Araújo, a obrigatoriedade da NR-01 representa um avanço importante na cultura de prevenção dentro das organizações. “A norma trouxe um olhar mais estratégico para a gestão de riscos. Ela incentiva o envolvimento das lideranças e dos colaboradores, fortalece a cultura de segurança e tira a empresa de uma atuação reativa”, explica. Na avaliação da engenheira, um dos erros mais comuns cometidos pelas empresas ao implantar programas de saúde ocupacional é tratar o tema apenas como exigência legal. Também são frequentes a adoção de programas padronizados, sem considerar a realidade da empresa, e a falta de envolvimento da liderança. Além disso, muitas organizações ainda focam apenas na saúde física, deixando de lado a saúde mental e organizacional. “Quando bem estruturados, os resultados desses programas podem ser claramente mensurados. Indicadores como redução do absenteísmo, diminuição de afastamentos pelo INSS, queda no número de atestados médicos, aumento da produtividade e melhoria do clima organizacional demonstram o retorno financeiro e operacional das ações. Além da redução de custos indiretos, há um fortalecimento significativo da imagem da empresa”, pontua. Para Priscilla, a integração entre saúde física, mental e ambiente de trabalho é determinante para reduzir faltas e afastamentos. “Quando o colaborador se sente cuidado de forma integral, o impacto é direto no engajamento, na permanência e no desempenho dentro da empresa”, afirma. Setores como o industrial, o logístico e empresas que já possuem uma cultura consolidada de QSMS (Qualidade, Saúde, Meio Ambiente Segurança) têm avançado mais rapidamente nesse tema. “O diferencial está na integração da saúde ocupacional à estratégia da liderança, no uso de dados para tomada de decisão e na adoção de ações contínuas, como ergonomia, ginástica laboral, treinamentos e programas de bem-estar”, afirma. A especialista também já levou esse debate para eventos de alcance nacional, como uma palestra realizada em Fernando de Noronha, onde abordou a saúde ocupacional como estratégia de gestão e reforçou que prevenir é mais eficiente do que remediar. “A mensagem central é clara: empresas que cuidam das pessoas constroem resultados sustentáveis. Saúde ocupacional não é custo, é inteligência empresarial”, afirma. À frente da empresa Universo LP, Priscilla Araújo desenvolve projetos de bem-estar dentro das empresas, com foco na saúde mental de empresários e colaboradores. “Cuidar da saúde mental das lideranças e mostrar como elas podem cuidar de suas equipes é essencial para construir organizações mais humanas, produtivas e duradouras”, conclui.