O vereador de primeiro mandato pelo PL, Coronel Rosses, tornou-se alvo de uma ação indenizatória movida pela cantora Ludmilla, que exige R$ 70 mil por danos morais. O parlamentar, um bolsonarista raiz e ferrenho defensor dos valores da pátria, da família e da liberdade, é acusado de utilizar a tribuna da Câmara Municipal de Manaus para afirmar que ela foi à capital amazonense para “aliciar crianças” durante sua apresentação no evento milionário, realizado anualmente pelo município, Sou Manaus Passo a Paço 2025. Rosses sustenta que shows desse teor, financiados com dinheiro do contribuinte, não apenas violam os valores da família, como são responsáveis por uma degradação da infância e da juventude, rotulando a performance como um tipo de “entretenimento mórbido”. Para embasar sua crítica, o vereador ajuizou uma ação popular onde transcreve trechos da apresentação da cantora, alegando o uso de linguagem inadequada para um evento público aberto a menores. Um dos trechos destacados na inicial descreve o momento em que Ludmilla recita o que ela denomina de “poema”: “(0:17) E eu vou recitar esse poema agora. (0:22) Chupa (0:25) Xoxota (0:27) Chupa, é uma coisa linda, né? (0:32) Né só? (0:34) Só não gosta quem não fez (0:38) Chupa, e aí? (0:43) Chupa, é uma coisa linda, né? (0:53) Já foi piranha, sapatão, veado”. A defesa política do Coronel Rosses fundamenta-se na Lei Municipal nº 593, de 11 de junho de 2025. O Artigo 1º desta legislação é taxativo ao vedar a utilização de recursos públicos para a contratação de artistas que, em suas músicas, incentivem a sexualidade ou causem situação de constrangimento. Rosses denuncia que, embora a lei esteja em pleno vigor, o prefeito de Manaus, David Almeida, ainda não a regulamentou, permitindo que a gestão continue gastando fortunas. O orçamento do evento saltou de R$ 2 milhões para mais de R$ 25 milhões, um aumento de 1.156% em quatro anos em espetáculos que o parlamentar considera um atentado à dignidade humana. “Sou a favor de que o cidadão tenha eventos culturais para se divertir, mas não nesse tom chulo e degradante. Além disso, Manaus até hoje não sabe quanto foi pago aos artistas. A lei da transparência não existe no município. O portal que deveria concentrar essas informações, não disponibiliza nada. Na ação popular, a prefeitura, em sua defesa, disse que o cachê dos artistas foi pago com dinheiro de patrocínios que nem entraram no caixa da prefeitura. Isso é um escândalo”, disse o parlamentar. O vereador, que é policial militar de carreira, afirma que sua postura é estritamente fiscalizatória e que não se curvará ao processo. “Apresentarei minha defesa técnica assim que for oficialmente notificado, mas o que realmente importa aqui é o direito do cidadão de saber como o seu dinheiro é gasto. O que desejo saber mesmo é quanto a cantora ganhou de dinheiro público para proferir esse tipo de conteúdo, uma vez que a transparência da gestão David Almeida é inexistente e os cachês dos artistas permanecem ocultos no Portal da Transparência”, afirmou o Coronel Rosses. A ação popular movida pelo parlamentar exige que a prefeitura e a Manauscult suspendam pagamentos remanescentes e tragam a público todos os contratos e notas de empenho das edições do evento desde 2022, alegando que o “apagão de transparência” impede o controle social sobre os gastos milionários do festival. O Sou Manaus Passo a Paço 2025, realizado entre 5 e 7 de setembro no Centro Histórico, teve Ludmilla como uma de suas atrações centrais, em um evento que a prefeitura estima ter recebido cerca de 450 mil pessoas. No entanto, a lista completa de cachês permanece sob sigilo, o que tem gerado críticas sobre a priorização de gastos em entretenimento em detrimento de áreas como saúde e educação.