O conflito entre Estados Unidos e Irã entra em uma fase marcada menos por confrontos diretos e mais por um jogo de pressão prolongada — com alto custo econômico e risco constante de escalada. As informações mais recentes indicam um cenário ambíguo: negociações em curso, ações militares pontuais e um equilíbrio instável que interessa, por ora, a ambos os lados. A informação foi publicada pelo jornalista Joshua Keating, profissional especializado em geopolítica e política internacional, com atuação em veículos como Foreign Policy e Slate. Atualmente, é correspondente sênior da Vox. De um lado, o presidente Donald Trump afirma que há avanços significativos nas tratativas e que o Irã estaria, na prática, cedendo aos termos impostos por Washington. De outro, ações no Estreito de Ormuz — incluindo disparos contra embarcações e restrições à navegação — mostram que Teerã mantém sua principal carta geopolítica ativa. Ao mesmo tempo, os EUA seguem com bloqueios parciais e apreensões de navios iranianos, segundo apuração do The Wall Street Journal. Na prática, o cenário atual aponta para um “meio-termo tenso”: nem paz consolidada, nem guerra aberta. A extensão indefinida do cessar-fogo anunciada por Trump reforça essa leitura. Trata-se de uma disputa de resistência — quem suporta mais pressão por mais tempo — com impactos diretos no comércio global e no mercado de energia. O eixo central das negociações mudou. Antes focado na eliminação do programa nuclear iraniano e em temas como mísseis balísticos e apoio a grupos armados, o debate agora gira em torno de dois pontos: o próprio programa nuclear e o controle do Estreito de Ormuz. Segundo o Axios, uma proposta em discussão envolveria a liberação de até US$ 20 bilhões em ativos iranianos congelados em troca da redução ou entrega do estoque de urânio enriquecido. Especialistas apontam que o controle do estreito deu ao Irã uma vantagem inédita nas negociações. “Eles ganharam mais margem para concessões no nuclear”, afirmou Alex Vatanka, do Middle East Institute. Mas o ponto mais sensível segue sendo o estreito. A tentativa iraniana de impor pedágios à navegação internacional é vista como inaceitável por EUA e parceiros comerciais, por ferir princípios básicos do comércio global. Ainda assim, dificilmente Teerã abrirá mão desse instrumento sem contrapartidas relevantes. Internamente, o regime iraniano enfrenta pressão dupla: precisa mostrar força diante de alas mais radicais e, ao mesmo tempo, reconstruir sua capacidade econômica e militar. Declarações de lideranças como Mohammad-Bagher Ghalibaf indicam cautela estratégica, reconhecendo o peso militar americano, segundo informações da TV estatal iraniana. Nos bastidores, Trump demonstra preocupação com uma escalada militar direta. De acordo com o Wall Street Journal, o presidente teme repetir erros históricos ao ampliar a presença militar na região, especialmente em pontos estratégicos vulneráveis. Enquanto isso, o impacto econômico global cresce. A crise atual já afeta mais de 90% do tráfego no Estreito de Ormuz, número muito superior ao registrado durante a chamada “Guerra dos Petroleiros” nos anos 1980. Analistas alertam que, embora os EUA estejam menos expostos no curto prazo, uma crise prolongada pode atingir duramente mercados europeus e asiáticos — e, por consequência, a própria economia americana, segundo o The Wall Street Journal. O quadro geral é de convergência tática e divergência estratégica. Ambos os lados têm incentivos para evitar uma guerra total, mas também resistem a concessões que possam ser interpretadas como fraqueza. No fim das contas, o conflito caminha em uma linha perigosa: controlado, mas longe de estável. E, como a história recente da região já mostrou, basta um erro de cálculo para transformar tensão contida em crise aberta.
Vereador Coronel Rosses enfrenta gestão David Almeida no TCE após denúncia no Sou Manaus
O vereador Coronel Rosses (PL) estará na sessão desta quarta-feira (22) no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), onde fará sustentação oral em processo que apura a aplicação de mais de R$ 34 milhões no evento “Sou Manaus Passo a Paço 2025”. A representação foi apresentada pelo parlamentar e já conta com parecer do Ministério Público de Contas (MPC-AM) pela continuidade da apuração e adoção de medidas mais rigorosas. A iniciativa de levar o caso ao TCE partiu do vereador, que aponta possíveis inconsistências na execução dos recursos públicos, especialmente quanto à transparência e à justificativa para o aumento expressivo dos custos do evento nos últimos anos. O parecer do MPC, assinado pelo procurador de Contas Ruy Marcelo Alencar de Mendonça, identifica elementos que indicam crescimento relevante das despesas – de cerca de R$ 2 milhões para mais de R$ 34 milhões – sem que tenham sido apresentados, de forma clara, estudos técnicos ou demonstrativos de retorno social que sustentem esse aumento. O órgão também registra dificuldades no acesso a informações essenciais, como contratos, valores de cachês, notas de empenho e ordens de pagamento, apontando possível fragilidade nos mecanismos de transparência ativa. Diante desse conjunto de elementos, o MPC recomendou a conversão do processo em Tomada de Contas Especial – procedimento administrativo específico utilizado para apurar eventual dano ao erário, identificar responsáveis e possibilitar o ressarcimento de recursos públicos, caso sejam constatadas irregularidades. Leia Mais Coronel Rosses protocola pedido de impeachment contra David Almeida Na sessão desta quarta-feira (22), Rosses deve sustentar os pontos já apresentados na representação, reforçando os questionamentos sobre a gestão dos recursos e defendendo a necessidade de responsabilização, caso as irregularidades sejam confirmadas ao longo da análise do Tribunal. O avanço do processo ocorre em um contexto que pode gerar desdobramentos além da esfera administrativa. Caso o Tribunal de Contas, ao final do julgamento, conclua pela existência de irregularidades insanáveis associadas a ato doloso, ou seja, quando há comprovação de conduta intencional ou consciente, a decisão pode produzir efeitos no campo eleitoral. Nessa hipótese específica, a legislação prevê que gestores com contas julgadas irregulares por esse tipo de falha podem ser enquadrados nas regras da Lei Complementar nº 64/90, conhecida como Lei da Ficha Limpa, o que pode resultar em inelegibilidade. Esse enquadramento, no entanto, depende de decisão definitiva do Tribunal de Contas e do atendimento simultâneo dos requisitos legais previstos. O parecer do MPC, ao apontar a existência de “erro grosseiro” e “culpa grave”, integra o conjunto de elementos que será analisado pelo Pleno, mas não representa, por si só, decisão final sobre o caso. O processo tem relatoria do conselheiro Érico Desterro e retorna à pauta após adiamento por pedido de vista. A análise havia sido suspensa anteriormente, em sessão do dia 31 de março, quando foi solicitando vistas, interrompendo temporariamente o julgamento. Para Rosses, a análise do Tribunal representa uma etapa relevante no acompanhamento da aplicação de recursos públicos no município. “Estamos tratando de valores elevados e de uma situação que precisa ser devidamente esclarecida, com transparência e responsabilidade”, afirmou. O julgamento deverá definir não apenas a regularidade das despesas, mas também a eventual existência de responsabilidades individuais e possíveis medidas a serem adotadas pelo Tribunal, conforme o entendimento dos conselheiros.