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Capitão Alberto Neto defende prosperidade para o interior do Amazonas

Capitao Alberto Neto defende propsperidade no interior do Amazonas Portal Fred Novaes

Na primeira entrevista como candidato ao Senado, o deputado federal Capitão Alberto Neto revelou uma dimensão de sua atuação política que costuma ficar em segundo plano diante da imagem construída em torno da segurança pública. Ao longo da conversa no Podcast do Jornal do Commercio, com os jornalistas Fred Novaes e Caubi Cerquinho falou de economia, Zona Franca de Manaus, regularização fundiária, infraestrutura, logística e desenvolvimento regional. E, quando teve de escolher uma única bandeira para explicar sua candidatura, escolheu o desenvolvimento do interior do Amazonas.

A escolha ajuda a compreender o momento político de Alberto Neto. Não se trata de abandonar a segurança, uma pauta que integra sua trajetória e continua presente em seu discurso. Trata-se de ampliar a agenda. Ao lado das questões ligadas ao combate ao crime e ao controle das fronteiras, o deputado apresentou uma visão de desenvolvimento baseada na capacidade de o Amazonas produzir mais, atrair investimentos e transformar seus recursos naturais em emprego e renda.

Foi nesse ponto que a entrevista ganhou um aspecto menos conhecido de sua atuação.

Ao falar sobre o interior, Alberto Neto não ficou apenas em conceitos genéricos sobre desenvolvimento regional. Recorreu a situações concretas. Citou Anamã, onde afirmou ter encontrado problemas até mesmo no abastecimento de água, para mostrar o contraste entre a riqueza natural do Estado e as condições enfrentadas por parte da população.

“Quando eu viajo para o interior. Por exemplo, no município de Anamã, se você abrir a torneira, cai uma água barrenta da torneira”, afirmou. Para o candidato, o desafio está em criar as condições para que o potencial econômico do Amazonas chegue aos municípios. Ele citou potássio, terras raras, gás, biodiversidade, agricultura e mineração como áreas que podem participar dessa transformação.

“Eu quero ver o povo do Amazonas rico, prosperando, e que ninguém vai ficar para trás”, declarou.

A regularização fundiária apareceu como uma das peças desse processo. Alberto Neto defendeu que o produtor tenha segurança jurídica sobre a terra para conseguir crédito e investir na atividade rural. Relacionou a regularização ao financiamento bancário, à mecanização e ao capital de giro.

O deputado também citou o café produzido no Amazonas como uma atividade com potencial de expansão. Para isso, segundo a abordagem apresentada na entrevista, seria necessário combinar segurança jurídica, crédito e infraestrutura para o escoamento da produção.

A logística, nesse raciocínio, não se resume à BR-319. A rodovia apareceu na conversa, mas o candidato chamou atenção para a necessidade de uma estrutura mais ampla de transporte e integração dos municípios. “Não é só a 319 que está faltando”, disse.

A mesma lógica foi aplicada à capital. Alberto Neto apontou a falta de atualização do Plano Diretor de Manaus como um obstáculo ao desenvolvimento urbano e econômico. Segundo ele, o documento tem mais de dez anos e sua atualização é necessária para enfrentar questões relacionadas à ocupação do território, regularização fundiária e disponibilidade de áreas para novos empreendimentos.

“Precisamos de um novo plano diretor para a cidade de Manaus”, afirmou.

A entrevista também mostrou que o discurso econômico de Alberto Neto está relacionado à sua própria atuação parlamentar. O deputado afirma ter oito leis de sua autoria aprovadas durante seus dois mandatos na Câmara dos Deputados. Três delas, segundo ele, têm relação direta com a Zona Franca de Manaus.

Ele citou a prorrogação dos incentivos da Lei de Informática, mudanças relacionadas ao Processo Produtivo Básico e o Programa Brasil Semicondutores.

Ao explicar essas iniciativas, Alberto Neto procurou demonstrar conhecimento sobre mecanismos que afetam diretamente a atividade industrial do Polo Industrial de Manaus. Na Lei de Informática, destacou a ampliação do prazo dos incentivos e a redução da insegurança para investimentos de longo prazo.

No caso do PPB, explicou a mudança relacionada ao prazo de 120 dias para análise dos processos. Já o Programa Brasil Semicondutores foi apresentado como uma oportunidade para ampliar a participação do Amazonas em uma cadeia industrial considerada estratégica.

A conexão feita pelo deputado é direta: política industrial significa emprego. “O melhor programa social é o emprego”, afirmou.

É nesse ponto que a entrevista ajuda a ampliar a leitura sobre a candidatura. Alberto Neto não se apresenta somente como alguém que pretende defender pautas políticas da direita no Senado. Procura também construir uma credencial de atuação na economia amazonense, apoiada em sua passagem pela Câmara e em projetos que, segundo ele, produziram efeitos sobre a Zona Franca.

A defesa da ZFM, aliás, ocupa espaço relevante nessa estratégia. Para um candidato que pretende disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Amazonas, demonstrar conhecimento sobre o principal modelo econômico do Estado é também uma forma de ampliar seu campo de atuação política.

A experiência na Câmara é usada por Alberto Neto como argumento para o próximo passo. Ele lembra que a bancada amazonense tem oito deputados federais e que disputa espaço em uma Casa formada por 513 parlamentares. No Senado, cada Estado possui três representantes.

Na avaliação do candidato, essa configuração pode ampliar a capacidade de articulação do Amazonas. A intenção seria usar o Senado para negociar projetos e construir alianças em torno de pautas regionais.

“Já mostrei toda a minha capacidade na Câmara dos Deputados, agora imagina o que nós podemos fazer no Senado”, afirmou.

Há ainda uma dimensão institucional nesse projeto. Alberto Neto defendeu maior atuação do Senado no sistema de freios e contrapesos entre os Poderes e criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal. A liberdade de imprensa e as garantias constitucionais também foram citadas entre as pautas que pretende defender.

Nesse ponto, o candidato retorna ao discurso político mais conhecido de sua trajetória. Critica ministros do STF e afirma que o Senado precisa exercer com maior firmeza seu papel constitucional.

A segurança pública também voltou à conversa. Alberto Neto defendeu o reforço do controle das fronteiras e afirmou que o Amazonas precisa impedir o avanço das organizações criminosas.

“O Amazonas não pode virar um narcoestado”, declarou.

A diferença está no lugar que o tema ocupou na entrevista. Segurança continua sendo uma das bandeiras do candidato, mas não foi escolhida por ele como a principal resposta quando teve de apontar uma única prioridade para o eventual mandato.

A primeira entrevista da campanha deixa, portanto, uma leitura interessante sobre a candidatura. Alberto Neto mantém as pautas que ajudaram a construir sua identidade política, mas acrescenta a elas uma agenda de desenvolvimento que passa pela indústria, pela Zona Franca, pela produção rural, pela regularização fundiária, pela infraestrutura e pela logística.

O resultado é uma apresentação mais ampla do deputado. O capitão continua presente. O político de direita também. Mas, nessa primeira conversa como candidato ao Senado, Alberto Neto procurou mostrar que sua atuação pode ir além da segurança e alcançar uma discussão que será decisiva para o Amazonas: como transformar potencial econômico em prosperidade efetiva para a população do Estado.

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