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Coronel Rosses aciona Justiça contra licitações da Prefeitura de Manaus suspeitas de superfaturamento

Vereador Coronel Rosses denuncia superfaturamento em licitacao da Prefeitura de Manaus Portal Fred Novaes

Uma ação popular movida pelo vereador Coronel Rosses colocou sob questionamento um contrato de R$ 8,7 milhões da Prefeitura de Manaus para aquisição de materiais esportivos originalmente destinados a atividades terapêuticas da rede municipal de saúde. A iniciativa judicial aponta indícios de distorção de finalidade, aumento injustificado de quantitativos e possível violação aos princípios da economicidade e da transparência administrativa.

De acordo com a ação, o processo teve origem em uma demanda técnica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), voltada à promoção da saúde mental e à realização de oficinas terapêuticas nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O planejamento inicial previa investimento de R$ 1.134.863,32, com aquisição moderada de itens esportivos como apoio às atividades clínicas.

No entanto, ao avançar para a fase licitatória — Pregão Eletrônico nº 055/2025 — os quantitativos sofreram expansão considerada desproporcional. Itens antes solicitados em pequena escala passaram a figurar em volumes massivos. A previsão de 20 bolas de futebol e 20 bolas de futsal, por exemplo, transformou-se em milhares de unidades, elevando o valor global do contrato para R$ 8.710.316,84.

Para Rosses, a mudança repentina de escala é o ponto central da controvérsia.

“Como um pedido de material esportivo para ser usado nas terapias de saúde passou de pouco mais de R$ 1 milhão para quase R$ 9 milhões? É isso que precisa ser explicado à sociedade”, afirmou o parlamentar.

A ação popular sustenta que empresas com menores preços foram desclassificadas por critérios considerados excessivamente formais ou por alegações de inexequibilidade sem comprovação robusta. O documento aponta que falhas sanáveis teriam sido utilizadas como justificativa para eliminar concorrentes e manter propostas mais onerosas.

Um dos exemplos citados envolve cordas de pular de seis metros. Propostas de R$ 8,00 por unidade foram descartadas, enquanto a contratação ocorreu por cerca de R$ 60,49 cada. Caso os menores lances válidos fossem aceitos, a economia estimada aos cofres públicos poderia ultrapassar R$ 3,5 milhões apenas nesse certame.

Segundo Rosses, o procedimento contraria o dever da administração pública de buscar a proposta mais vantajosa. “Houve uma inversão de lógica. O que deveria priorizar economia acabou resultando em despesas muito maiores, sem justificativa clara”, declarou.

Concentração do contrato em um empresa

Os registros do processo indicam que a empresa Pétala Comércio de Produtos de Papelaria e Informática LTDA venceu 10 dos 16 itens licitados, concentrando mais de R$ 5,8 milhões do total contratado, após sucessivas desclassificações de concorrentes com valores inferiores.

A ação aponta possível favorecimento indireto decorrente do modelo de condução do certame, hipótese que agora passa a ser analisada judicialmente.

Justiça determina apresentação de documentos

Diante dos indícios apresentados, o juiz Leoney Figliuolo Harraquian, da 2ª Vara da Fazenda Pública, determinou que a Prefeitura de Manaus apresente, no prazo de 15 dias, a íntegra de cinco pregões considerados suspeitos, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

A Procuradoria-Geral do Município alegou dificuldades técnicas para envio digital da documentação, argumentando que o volume ultrapassa 2 GB e solicitando entrega por meio físico, como pendrive ou HD externo — justificativa que também foi questionada pelo vereador.

“O pedido de prazo maior demonstra que a transparência não está sendo tratada como prioridade. Essa documentação deveria estar acessível desde o início”, criticou Rosses.

Além do aspecto jurídico, o parlamentar levanta discussão sobre alocação de recursos municipais.
“O esporte é importante, salva vidas, eu sou defensor disso. Mas comprar quantidade suficiente para anos, enquanto faltam medicamentos em unidades básicas, é algo que precisa ser revisto”, disse.

Levantamentos anexados à ação indicam que outros processos licitatórios com características semelhantes podem representar perdas potenciais superiores a R$ 19 milhões, reforçando a tese de um padrão administrativo que merece investigação mais aprofundada.

O vereador Coronel Rosses afirma ter encaminhado representações também a órgãos de controle. O vereador sustenta que a iniciativa não tem caráter político, mas de defesa do interesse público.

“Nosso papel é garantir que cada real pago pelo contribuinte seja aplicado com responsabilidade. Quando há sinais de distorção, é obrigação do Legislativo agir”, afirmou.

O caso segue em análise na Justiça e pode resultar na revisão dos contratos, eventual responsabilização administrativa e reavaliação dos procedimentos licitatórios adotados pelo município.

Procurada pela reportagem, a assessoria da Prefeitura de Manaus não encaminhou posicionamento do Executivo Municipal até a postagem da primeira versão da matéria.

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