
O que a felicidade tem a ver com a economia? Por que o trabalho doméstico realizado diariamente por milhões de mulheres permanece fora das estatísticas oficiais? E qual o impacto econômico de um rio poluído ou de uma floresta derrubada? Essas foram algumas das reflexões centrais do Encontro de Economia da Ufam, realizado na última semana em Manaus.
Promovido pela Universidade Federal do Amazonas, o Encontro de Economia da Ufam reuniu professores, pesquisadores e estudantes com a proposta de aproximar os conceitos econômicos da realidade vivida pela população. A programação discutiu temas como desenvolvimento humano, sustentabilidade, desigualdade de gênero, inovação tecnológica e os desafios econômicos da Amazônia.
A coordenação do evento esteve a cargo da professora doutora Rosana Zau Mafra e da acadêmica Alana Giovana Souza dos Santos, presidente da Empresa Júnior Maximus. Segundo as organizadoras, a proposta foi mostrar como diferentes correntes do pensamento econômico ajudam a compreender problemas concretos enfrentados pela sociedade.
Segundo a organização do evento, o objetivo também foi contextualizar a teoria econômica e torná-la mais acessível, demonstrando sua aplicação em questões presentes no cotidiano.
Felicidade além dos indicadores econômicos

Um dos destaques do Encontro de Economia da Ufam foi a palestra do economista Jefferson Praia sobre a Felicidade Interna Bruta (FIB), indicador criado no Butão para complementar os modelos tradicionais de avaliação do desenvolvimento.
A discussão partiu das limitações do Produto Interno Bruto (PIB), principal indicador utilizado para medir a atividade econômica. Embora seja eficiente para mensurar a produção de bens e serviços, o PIB não consegue captar aspectos relacionados à qualidade de vida, saúde mental, relações comunitárias, preservação ambiental e bem-estar social.
“Uma sociedade pode crescer economicamente e ainda apresentar problemas sociais graves”, afirmou Jefferson Praia.
O modelo da FIB considera dimensões como saúde, educação, cultura, governança, meio ambiente, uso do tempo e bem-estar psicológico. A proposta não é substituir o PIB, mas ampliar a compreensão sobre o desenvolvimento humano.
Economia do cuidado e protagonismo feminino
Outro eixo importante do Encontro de Economia da Ufam foi a discussão sobre a participação das mulheres na construção do pensamento econômico.
A acadêmica Walessa Rayze Almeida apresentou reflexões a participação de mulheres na construção do pensamento econômico na apresentação A HERstory of Economics. Durante mini-oficina, também foi constato que o PIB ignora as mulheres, revelando o impacto da chamada Economia do Cuidado, campo que analisa atividades fundamentais para a manutenção da vida social, como os cuidados com crianças, idosos e pessoas dependentes.
Embora essenciais para o funcionamento das famílias e da própria economia, essas atividades permanecem majoritariamente sem remuneração e fora dos indicadores tradicionais de riqueza. O debate destacou como essa invisibilidade afeta a formulação de políticas públicas e a compreensão sobre a dinâmica econômica contemporânea.
A programação também abordou a trajetória da economista Maria da Conceição Tavares. A economista Lenice Ypiranga Benevides destacou sua contribuição para o pensamento desenvolvimentista brasileiro e para a formulação de políticas voltadas ao crescimento econômico e social.
Inteligência artificial e os desafios da inovação
O avanço tecnológico também esteve presente na programação do Encontro de Economia da Ufam. Uma das oficinas discutiu as relações entre inteligência artificial e economia a partir das contribuições do economista austríaco Friedrich Hayek.
O debate procurou analisar até que ponto sistemas automatizados conseguem processar informações complexas geradas pela sociedade e quais são os limites dessa capacidade diante da dinâmica econômica real.
Amazônia e desenvolvimento sustentável
No encerramento, o foco voltou-se para a Amazônia e para os impactos econômicos das atividades ilegais de desmatamento.
Dados apresentados durante o evento indicaram que práticas associadas à destruição da floresta geram retornos financeiros inferiores aos benefícios econômicos proporcionados pela conservação dos recursos naturais. A discussão reforçou uma das principais mensagens do Encontro de Economia da Ufam: a necessidade de criar instrumentos capazes de medir aspectos do desenvolvimento que permanecem invisíveis nas estatísticas tradicionais.
Ao longo dos três dias de programação, o evento buscou demonstrar que a economia vai além dos números e influencia diretamente temas como qualidade de vida, sustentabilidade ambiental, igualdade de oportunidades e desenvolvimento regional.
Encontro de Economia da Ufam aproxima teoria econômica do cotidiano
O Encontro de Economia da Ufam apostou em uma abordagem pouco comum nos debates acadêmicos: mostrar que a economia está presente em decisões diárias que envolvem trabalho, consumo, educação, transporte, saúde e qualidade de vida.
A programação incluiu oficinas e palestras voltadas tanto para estudantes quanto para o público interessado em compreender melhor o funcionamento da economia. Entre os temas discutidos estiveram felicidade, meio ambiente, inteligência artificial, desigualdade de gênero e desenvolvimento sustentável.
Segundo a organização, a iniciativa procurou demonstrar que conceitos econômicos frequentemente restritos às universidades podem ajudar a interpretar desafios concretos da realidade amazônica. A proposta foi aproximar o conhecimento acadêmico da sociedade e estimular uma compreensão mais ampla sobre os fatores que influenciam o desenvolvimento da região.
