
As recentes eleições presidenciais na Colômbia e no Peru reforçaram uma mudança no mapa político da América do Sul e consolidaram um avanço da direita no continente. Com a vitória de Abelardo de la Espriella sobre o candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro e a eleição de Keiko Fujimori, que retorna o fujimorismo ao comando do Peru, o bloco conservador amplia sua presença na região. Nesse cenário, a eleição presidencial brasileira, marcada para outubro, passa a ser observada como o próximo grande teste da correlação de forças políticas sul-americanas.
O movimento representa uma inversão em relação ao ciclo político registrado poucos anos atrás, quando a chamada “onda rosa” levou governos de esquerda e centro-esquerda ao poder em países estratégicos da região. A Colômbia, por exemplo, encerra a experiência do primeiro governo progressista de sua história, iniciado com Gustavo Petro. Já o Peru confirma uma mudança de direção após uma disputa eleitoral extremamente apertada, marcada por forte polarização política.

O novo desenho político coloca governos de direita ou centro-direita no comando de países como Argentina, Chile, Equador, Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia. Enquanto isso, a esquerda mantém o poder em um grupo menor de países, entre eles Brasil, Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela, mas hoje sem Maduro. Mais do que uma simples alternância de governos, o cenário evidencia um continente em permanente movimento, no qual o eleitorado tem respondido às crises econômicas, à insegurança pública e ao desgaste das administrações de diferentes matizes ideológicos.
A vitória de Abelardo de la Espriella possui peso simbólico adicional por ocorrer na Colômbia, tradicional aliado dos Estados Unidos e uma das maiores economias da América do Sul. Analistas internacionais avaliam que o resultado fortalece a tendência regional de avanço conservador, embora ressaltem que os novos governos enfrentarão parlamentos fragmentados e dificuldades para transformar promessas de campanha em políticas públicas.
Nesse contexto, o Brasil assume papel central na dinâmica política sul-americana. A eleição presidencial deste ano será acompanhada de perto pelos países vizinhos porque poderá confirmar a continuidade do atual governo ou alterar novamente o equilíbrio ideológico da região. Até o momento, porém, as pesquisas eleitorais não apontam um favorito consolidado, mas sim um ambiente de elevada indefinição, marcado pela persistência da polarização entre os principais campos políticos.
Outro aspecto que chama atenção é a ausência, até agora, de uma candidatura de centro com capital político suficiente para romper essa lógica. O quadro mantém a disputa concentrada entre os polos ideológicos que dominam o debate político brasileiro desde 2018. Sem uma terceira via competitiva, a tendência é que a campanha reproduza o ambiente de forte divisão observado em outras eleições sul-americanas recentes.
Mais do que indicar uma vitória definitiva de um campo político sobre outro, a sequência de eleições mostra que a América do Sul continua vivendo um ciclo de alternância de poder impulsionado pelo humor do eleitorado diante dos resultados econômicos, sociais e da segurança pública. A eleição brasileira poderá confirmar a atual guinada à direita ou inaugurar um novo rearranjo político no continente, tornando-se o principal termômetro da política regional em 2026.
