A Associação Borboletas do Amazonas (ABAM) marca um capítulo decisivo na assistência a pacientes com doenças raras no Norte do país. No próximo dia 30 de março, às 17h, a entidade inaugura sua nova sala de referência no antigo PAC do Educandos, zona Sul de Manaus. O evento ganha um reforço de visibilidade com a presença confirmada de Guilherme Gandra, o “Menino Gui”, pequeno torcedor do Vasco que emocionou o Brasil em 2023 ao despertar de um coma de 16 dias, tornando-se o rosto mais conhecido da luta contra a Epidermólise Bolhosa (EB) no país. O torcedor vascaíno ganhou o prêmio FIFA The Best 2024 de Melhor Torcedor do Ano. A vinda de Guilherme e de sua mãe, a nutricionista Tayane Gandra, consolida uma relação de proximidade com a associação amazonense que teve início ainda no primeiro aniversário da instituição. Naquela ocasião, a participação da família em um jantar comemorativo gerou uma mobilização sem precedentes no estado, ajudando a tirar a condição de invisibilidade. Agora, a visita assume um caráter de suporte, unindo o carisma do influenciador carioca à necessidade urgente de suporte estruturado para os 53 diagnosticados cadastrados na ABAM. Mais do que um encontro social, a programação prevê um momento de acolhimento. Tayane Gandra compartilhará sua experiência com as mães e cuidadores locais, oferecendo palavras de incentivo baseadas na rotina de cuidados e resiliência. O intercâmbio de vivências entre as famílias é visto como uma ferramenta terapêutica, já que a EB é uma condição genética e hereditária que exige protocolos rigorosos de higiene e proteção, devido à extrema fragilidade da pele que se rompe ao menor atrito. Durante a cerimônia no Educandos, haverá o lançamento oficial do livro escrito por Tayane, que narra a trajetória de Guilherme, especialmente o período crítico enfrentado em unidade intensiva. A obra serve como guia empático para famílias que acabaram de receber o diagnóstico e se sentem desamparadas diante da complexidade do tratamento. A nova sede, viabilizada em parceria com a Prefeitura de Manaus, funciona como uma base estratégica enquanto a ABAM articula a construção de sua sede definitiva. O espaço é fundamental para combater o isolamento social, um dos principais efeitos colaterais da doença. Ao estabelecer um endereço fixo, a associação facilita o acesso a orientações sobre curativos especiais e suporte jurídico, centralizando o atendimento que, até então, era disperso e dificultava a adesão contínua ao tratamento especializado. Segundo a presidente da ABAM, Sandra Marvin, a presença da família Gandra reforça a mensagem de que a Epidermólise Bolhosa, embora rara e não transmissível, exige um olhar coletivo da sociedade. Ela ressalta que a rotina de dor física dos pacientes é frequentemente agravada pelo preconceito derivado da falta de informação. A inauguração busca, portanto, capacitar não apenas os familiares, mas sensibilizar profissionais de saúde e educação para um atendimento mais humanizado e técnico. Dos 53 pacientes identificados no Amazonas, cerca de 24 realizam acompanhamento ativo na Fundação Alfredo da Matta. No entanto, o custo elevado dos insumos e as barreiras logísticas para quem vive no interior ainda são obstáculos severos. A sala de referência atuará como um hub de integração, onde as necessidades desses pacientes serão mapeadas de forma mais precisa, garantindo que o suporte técnico saia da teoria e chegue às mãos de quem lida diariamente com a doença.
Shows e festivais impulsionam turismo bilionário e mudam forma de viajar no Brasil
Impulsionado por viajantes que priorizam experiências, o chamado turismo experiencial tem influenciado a escolha de destinos e movimentado setores como hotelaria, transporte, gastronomia e serviços. Em cidades que sediam grandes eventos, o efeito aparece no aumento de reservas, na circulação de visitantes e no impacto direto sobre a economia local. Um dos principais exemplos é o Rock in Rio. Segundo a organização, a edição de 2024 movimentou quase R$ 3 bilhões na economia do Rio de Janeiro, com ocupação média de 88% na rede hoteleira da cidade durante os dois fins de semana do festival. O Rio de Janeiro também passou a consolidar uma política contínua de atração de eventos. Em 2025, o calendário do Visit Rio registrou 712 eventos, o maior volume da série, com impacto econômico estimado em mais de US$ 1,6 bilhão em receitas para a cidade. Dentro dessa estratégia, iniciativas como o projeto Todo Mundo no Rio reforçam a aposta em grandes experiências como parte do calendário oficial da cidade. O show de Madonna, em Copacabana, em 2024, reuniu cerca de 1,6 milhão de pessoas. No ano seguinte, a apresentação de Lady Gaga superou 2 milhões de espectadores e teve impacto econômico estimado em R$ 600 milhões. A repercussão vai além do evento em si. Após o anúncio de atrações internacionais, o Rio registrou aumento na procura por viagens, com avanço nas buscas e nas reservas, inclusive no mercado externo. O movimento mostra que, para parte do público, o evento passou a ser o principal motivador da viagem. Mudança no perfil do turista O avanço do turismo experiencial também se apoia na força de festivais como Lollapalooza Brasil, Rock in Rio e The Town, que atraem público de várias regiões do país e do exterior. Na primeira edição, o The Town, em São Paulo, reuniu cerca de 500 mil pessoas e gerou aproximadamente R$ 1,9 bilhão em impacto econômico. Além da movimentação financeira, eventos desse porte aumentam o tempo de permanência do visitante e estimulam o consumo em diferentes frentes da economia urbana. Mais do que assistir a uma apresentação, esse turista busca uma vivência mais ampla, que inclui circular pela cidade, frequentar bares e restaurantes, conhecer pontos turísticos e compartilhar a experiência nas redes sociais. Segundo a especialista em turismo Santuza Macedo, a lógica de escolha do viajante mudou. “O turista experiencial não escolhe o destino primeiro. Ele escolhe o que quer viver. O destino passa a ser consequência dessa decisão. Isso muda completamente a forma de planejar o turismo.” De forma geral, esse público é formado por jovens e adultos jovens, conectados digitalmente, com interesse por música, cultura e entretenimento ao vivo. Também é um perfil que valoriza conveniência, mobilidade e experiências consideradas únicas ou memoráveis. Efeito econômico nas cidades Além da movimentação imediata, grandes eventos têm sido usados por cidades como instrumento de reposicionamento de imagem e atração de investimentos. No conjunto mais amplo da atividade turística, o Rio também registrou forte movimentação ao longo de 2025. Levantamento da Prefeitura, em parceria com órgãos municipais e a Riotur, apontou que o turismo gerou R$ 24,5 bilhões na economia carioca até novembro, somando despesas de visitantes brasileiros e estrangeiros com hospedagem, alimentação, transporte, compras e lazer. Os efeitos desse modelo também aparecem em outras frentes: Para Santuza Macedo, o resultado depende não apenas da realização do evento, mas da estrutura oferecida ao visitante ao longo de toda a viagem. “Não basta ter o evento. É preciso pensar em toda a jornada do turista. Como ele chega, onde ele fica, o que ele faz antes e depois. O sucesso está na integração entre experiência, destino e serviço.” Segundo a especialista, destinos que conseguem organizar essa entrega ampliam o impacto econômico e fortalecem sua imagem no mercado. “Eventos atraem. Mas é a experiência completa que nos fideliza. Quando a cidade entende isso, ela deixa de depender de datas isoladas e passa a construir um fluxo contínuo de visitantes.” O avanço do turismo experiencial indica uma mudança mais estrutural no setor. As viagens deixam de ser motivadas apenas pelo destino e passam a ser orientadas por propósito, emoção e vivência. Nesse cenário, cidades que investem em eventos, cultura e experiências integradas tendem a ganhar protagonismo. Mais do que receber turistas, passam a construir uma agenda capaz de manter fluxo, visibilidade e consumo ao longo do ano.
Ações de prevenção ajudam a reduzir acidentes em obras, afirma especialista
Pesquisa realizada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que, nos últimos anos, os acidentes em obras tiveram uma redução de 30%. A queda acentuada, na avaliação de especialistas no tema, deve-se à adoção, cada vez maior, de medidas preventivas. A técnica em Segurança do Trabalho da Tec Obras, Daniela Barros, afirma que as medidas preventivas são fundamentais para garantir um canteiro produtivo e sem intercorrências. Na Tec Obras, ela ressalta que há uma rotina de protocolos, para garantir um ambiente seguro aos trabalhadores. “Realizamos os ‘diálogos de segurança’ duas vezes por semana, sempre às segundas-feiras e quintas-feiras, reforçando orientações e alertando as equipes sobre riscos e medidas de proteção. Além disso, diariamente, são entregues os equipamentos de proteção individual aos trabalhadores e emitida a Permissão de Trabalho, que define as condições seguras para a execução das atividades”, explica. Outra prática adotada, segundo a especialista, é a inspeção constante das frentes de trabalho. As equipes de segurança acompanham as atividades em campo para verificar se os protocolos estão sendo cumpridos e se os equipamentos estão sendo utilizados corretamente. De acordo com a especialista da Tec Obras, entre os principais riscos presentes nos canteiros estão as quedas durante trabalhos em altura. Para reduzir esse tipo de ocorrência, Daniela Barros destaca procedimentos específicos que são executados, antes de liberar o trabalhador para a realização das atividades. “O colaborador precisa estar apto no Atestado de Saúde Ocupacional, possuir capacitação para trabalho em altura e utilizar equipamentos como o cinto de segurança com duplo talabarte. Também fazemos a aferição da pressão arterial, antes da liberação para execução das atividades”, detalha. Além das medidas operacionais, a Tec Obras também investe na conscientização das equipes por meio de reuniões e acompanhamento interno. “As orientações são reforçadas nos ‘diálogos de segurança’ e também nas reuniões da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA). A partir dessas discussões, avaliamos possíveis melhorias e repassamos as orientações para as lideranças e equipes no canteiro de obras”, destaca. Segundo a especialista, a adoção dessas práticas tem se refletido diretamente nos resultados. “Com a aplicação desses protocolos e o acompanhamento constante das atividades, não registramos acidentes por queda nas operações e a produtividade segue sem intercorrências. Quando a segurança é tratada como prioridade, e não apenas como obrigação legal, cria-se um ambiente de trabalho mais seguro, com mais confiança entre as equipes e melhores resultados para todos”, comenta.