
O vereador Coronel Rosses (PL) apresentou ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) uma representação por suposta improbidade administrativa contra o governador interino Roberto Cidade e o ex-secretário de Segurança Pública, coronel Vinícius Almeida. No documento, o parlamentar afirma ter identificado um conjunto de contratos que somam R$ 159.676.642,12, distribuídos entre diferentes órgãos estaduais entre 2025 e 2026, e pede a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades na contratação de empresas ligadas à família do atual chefe do Executivo estadual.
Segundo o vereador, o dossiê reúne documentos extraídos de processos administrativos, atas de registro de preços, contratos e publicações no Diário Oficial do Estado. A principal linha da denúncia sustenta que duas empresas — Navegação Cidade Ltda. e R R Serviços — teriam concentrado contratos milionários em diversas secretarias, mesmo atuando em segmentos distintos daqueles que constituem seus objetos sociais. Para Rosses, a situação demonstra um suposto direcionamento de recursos públicos em favor de um mesmo grupo empresarial.
De acordo com os dados apresentados pelo parlamentar, a maior concentração de recursos estaria na Secretaria de Segurança Pública (SSP), responsável por aproximadamente R$ 94,8 milhões em contratos, o equivalente a cerca de 60% do valor total apontado na representação. A denúncia também cita contratos na Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), que somariam R$ 34,7 milhões, além de R$ 20,7 milhões na AADESAM, R$ 5,28 milhões na Polícia Militar e outros contratos de menor valor envolvendo órgãos como Defesa Civil, Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), Secretaria de Produção Rural (Sepror), Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) e Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
Um dos principais questionamentos apresentados por Rosses diz respeito à compatibilidade entre a atividade econômica das empresas e os serviços contratados pelo Estado. Conforme a representação, a Navegação Cidade Ltda., cuja atuação principal está relacionada ao transporte fluvial, teria vencido licitações para locação de viaturas policiais, fornecimento de minivans com sistemas de monitoramento, aluguel de imóvel para a Defesa Civil e transporte de areia destinada aos sistemas de abastecimento de água da Cosama. Já a R R Serviços aparece, segundo o documento, em contratos voltados ao aluguel de veículos, micro-ônibus e serviços logísticos para diferentes órgãos estaduais.
Outro ponto destacado pelo vereador é a concentração temporal de contratos homologados em junho de 2025. Conforme o levantamento apresentado ao Ministério Público, em um intervalo de apenas 12 dias úteis foram formalizados ou homologados contratos que, somados, ultrapassariam R$ 30 milhões. Para o parlamentar, a sequência de atos administrativos representa um dos indícios que justificam a apuração dos procedimentos adotados pela administração pública.
Durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Manaus, Coronel Rosses afirmou que a representação entregue ao MPAM constitui apenas a primeira etapa de sua fiscalização. “O Amazonas não tem um governo; o Amazonas tem uma capitania hereditária que sequestrou o dinheiro do povo”, declarou. O vereador também afirmou que pretende apresentar uma nova representação específica sobre contratos envolvendo a área da Educação, que, segundo ele, não integra o dossiê atual.
Na petição encaminhada ao Ministério Público, Rosses solicita a instauração de inquérito para investigar os contratos, além do rastreamento da movimentação financeira das empresas citadas e eventual quebra de sigilos fiscal, bancário e patrimonial, caso o órgão ministerial entenda haver elementos suficientes para aprofundar as investigações.
Até o momento da elaboração desta reportagem, não havia posicionamento público do governador interino Roberto Cidade nem do ex-secretário coronel Vinícius Almeida sobre as acusações apresentadas pelo vereador. O caso passa agora à análise do Ministério Público, que decidirá se instaura procedimento investigatório a partir da documentação protocolada.
