A resposta do Ministério da Justiça e Segurança Pública ao Requerimento de Informação nº 7818/2025, apresentado pelo deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM), evidenciou a falta de controle e de diagnóstico do governo federal sobre o avanço do crime organizado na Amazônia Legal. Em novembro de 2025, o parlamentar cobrou do Ministério explicações sobre a alarmante expansão das facções criminosas na região e alertou para os riscos do avanço descontrolado sobre um território estratégico, com impactos diretos na segurança pública, na soberania nacional e na capacidade do Estado de exercer controle efetivo. Na resposta oficial, o próprio Ministério reconhece a ausência de diagnóstico preciso sobre o problema: _“…embora o tema seja de elevada relevância estratégica, não há, até o presente momento, um diagnóstico detalhado e consolidado que identifique, de forma exaustiva, todas as causas responsáveis pela expansão da presença de facções criminosas na Amazônia Legal.” Para Capitão Alberto Neto, a declaração escancara a fragilidade da atuação do governo. “O governo reconhece que não sabe por que o crime avançou tanto. Isso é inadmissível. Estamos falando de uma região estratégica sendo dominada por facções, enquanto falta comando, planejamento e ação efetiva”, afirmou. Crescimento alarmante O parlamentar destacou que a situação revela falha estrutural na política de segurança pública. Em apenas dois anos, a atuação das facções saltou de 178 para 344 municípios, um aumento de quase 50%, sem que o governo apresente explicação objetiva para esse avanço. Embora o Ministério cite investimentos e operações, a resposta não aponta resultados concretos na contenção do crime. Para o deputado, o cenário é de expansão territorial das organizações criminosas diante da ausência do Estado. “Não adianta anunciar milhões em investimentos se o crime continua crescendo. Segurança pública não se mede por discurso, mas por resultado. E o resultado hoje é o avanço do crime”, criticou. Soberania nacional em risco Capitão Alberto Neto alertou ainda para os impactos diretos sobre a soberania nacional, especialmente em regiões de fronteira, e para o aumento da insegurança da população do Norte. “Quando o Estado recua, o crime ocupa. E hoje vemos facções controlando territórios, rotas e impondo medo à população. Isso é abandono institucional”, destacou. O deputado afirmou que seguirá pressionando o governo federal por respostas concretas e medidas efetivas. “A Amazônia não pode ser território sem comando. O brasileiro não pode aceitar um governo que admite não ter resposta para o crime organizado”, concluiu.
Raiff Matos propõe debate sobre impacto do trauma infantil no futuro dos jovens
Estimular debates e o envolvimento da comunidade escolar, das famílias e de toda a sociedade sobre os impactos dos traumas infantis no futuro de adolescentes e jovens é o objetivo do Projeto de Lei nº 126/2026 do vereador Raiff Matos (PL) que cria o Dia Municipal de Conscientização sobre as Experiências Adversas na Infância (ACEs). A proposta foi deliberada pelo plenário da Câmara Municipal de Manaus para tramitação nas comissões técnicas da Casa até a aprovação final. A ideia do vereador é instituir o dia 20 de maio como data para incentivar debates, diálogos e a busca de meios para reduzir o impacto desses traumas na vida dos jovens manauaras. Esse é um movimento mundial que vem ganhando força diante da constatação dos impactos negativos no futuro dos jovens que sofreram essas experiências adversas. As chamadas Experiências Adversas na Infância — conhecidas internacionalmente como ACEs — incluem situações como abusos físicos, emocionais ou sexuais, negligência, violência doméstica e convivência com ambientes familiares marcados por instabilidade severa. Estudos científicos apontam que esses traumas podem gerar impactos duradouros no desenvolvimento cerebral, na saúde mental e no comportamento social ao longo da vida. Segundo o parlamentar, o projeto surge diante do aumento de casos de violência e negligência envolvendo menores, muitos deles registrados dentro do próprio ambiente familiar. A proposta prevê campanhas educativas, palestras, seminários e distribuição de materiais informativos em parceria com instituições públicas, privadas e organizações da sociedade civil. “Existe uma ferida invisível que está destruindo o futuro de muitas crianças em Manaus e quase ninguém está falando sobre isso. Esse projeto nasce para dar visibilidade ao problema e levar informação para quem pode identificar os sinais e proteger nossas crianças”, afirmou Raiff Matos. Entre 2019 e 2023, o Amazonas registrou mais de 9 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Em Manaus, somente em 2023, foram contabilizados 451 casos de estupro de vulneráveis, sendo que mais de 80% ocorreram dentro da residência das vítimas. Para o vereador, a criação da data busca fortalecer políticas preventivas e ampliar o conhecimento sobre o tema. “Esses traumas não ficam no passado. Eles afetam a saúde, o aprendizado e o futuro dessas crianças. Cuidar da infância hoje é interromper o ciclo da violência e proteger o futuro da nossa cidade”, declarou. O texto estabelece que a data passe a integrar o calendário oficial do município e autoriza o Poder Executivo a firmar parcerias para realização das ações de conscientização. A proposta também prevê que as atividades sejam desenvolvidas com a estrutura já existente nas áreas de saúde, educação e assistência social, sem criação automática de novas despesas. O projeto agora segue tramitação nas comissões da Câmara Municipal de Manaus antes de ser levado à votação em plenário.