A eleição para a presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) entrou em uma escalada de disputas administrativas e judiciais antes mesmo da abertura das urnas. Marcado para o dia 3 de julho, o processo eleitoral de 2026 passou a ser marcado por acusações de perseguição política, questionamentos sobre transparência administrativa, ações judiciais, investigações e denúncias envolvendo as duas chapas que disputam o comando da autarquia. O cenário já faz os profissionais do sistema Confea/Crea imaginarem a possibilidade de judicialização do pleito antes da conclusão oficial da eleição. O episódio mais recente ocorreu no dia 15 de junho após a Comissão Eleitoral Regional (CER-AM) indeferir a candidatura do engenheiro civil Afonso Lins à presidência do conselho, decisão que o candidato contesta sob o argumento de perseguição política. A chapa concorrente, da situação, também tem sua candidatura marcada por uma série de denúncias que inclui suspeita de nepotismo, diárias sob suspeição e o fechamento do balanço contábil do ano passado com déficit financeiro. O indeferimento da candidatura de Afonso Lins chama a atenção por impactar diretamente na disputa praticamente às vésperas do pleito. A decisão foi publicada em edital eleitoral por meio da Deliberação CER nº 16/2026l e deixou, até o momento, apenas a candidatura da atual presidente licenciada do Crea-AM, Alzira Miranda, apta à disputa. A decisão teria como base a decisão do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) de julgar como irregulares as contas do Crea-AM referentes ao exercício de 2021, período em que Afonso comandava a autarquia. Afonso Lins contesta a condução do processo e afirma que não teve direito à ampla defesa. Em entrevista ao portal, o candidato afirmou que a desaprovação das contas ocorreu em meio ao calendário eleitoral e classificou a medida como política. “Eu fui surpreendido com a desaprovação das minhas contas de 2021. O processo ficou parado durante esse tempo todo e agora a comissão se reúne e desaprova minhas contas mesmo com parecer favorável da auditoria”, afirmou. O relatório de auditoria do Confea apontou ausência de documentos e inconsistências contábeis relacionadas a estoques, receitas, despesas, créditos de longo prazo, fornecedores, bens patrimoniais e obrigações tributárias. Segundo o relatório, as falhas comprometeram a análise da legalidade e da regularidade administrativa da gestão daquele período. A decisão acabou se tornando um dos principais elementos do embate eleitoral. O engenheiro Afonso Lins também declarou que a auditoria ocorreu em 2024, já durante a atual gestão do Crea-AM, e que não teve acesso aos documentos cobrados pelo Confea. “Em momento nenhum eu fui chamado para me defender. Não tive direito à sustentação oral. Isso foi muito claro que é político”, disse. O regulamento eleitoral do Sistema Confea/Crea prevê prazo recursal para candidatos atingidos por decisões da Comissão Eleitoral Regional. O recurso de Afonso Lins segue em tramitação. Judicailização em curso Se há o peso do indeferimento na chapa de oposição, a presidente licenciada do Crea-AM, Alzira Miranda, também disputa a reeleição sob questionamentos administrativos e jurídicos que passaram a integrar o ambiente eleitoral. Entre os episódios está uma ação ajuizada pelo Ministério Público Federal envolvendo suposta improbidade administrativa relacionada à nomeação de um sobrinho para função dentro da estrutura do conselho. Outro ponto de desgaste envolve o pagamento de diárias e despesas administrativas aprovadas pela atual gestão para a própria presidente. A situação financeira do conselho também é ponto de atenção após o balanço contábil de 2025 apontar déficit financeiro superior a R$ 2 milhões. A Justiça Federal também suspendeu, no último dia 25, a nomeação do engenheiro Cláudio Guenka para a Diretoria-Geral da Mútua Amazonas e lançou novos questionamentos sobre atos praticados durante o processo eleitoral do Sistema Confea/Crea e Mútua. A reportagem encaminhou questionamentos à candidata Alzira Miranda sobre as denúncias, o cenário judicial da eleição, a situação financeira do conselho e as ações de sua gestão. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. Disputa entre ex-aliados O engenheiro Afonso Lins já presidiu o conselho regional em outras ocaisões e atualmente ocupa os cargos de diretor-geral licenciado da Mútua-AM (Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea-AM) e presidente licenciado da Associação Brasileira de Engenheiros Civis no Amazonas (Abenc-AM). Alzira Miranda, por seu lado, licenciou-se da presidência para disputar a reeleição. Além da disputa administrativa, a eleição também expôs divisões históricas dentro do Crea-AM. O grupo político de Afonso Lins teve protagonismo em gestões anteriores do conselho e participou da articulação que levou Alzira Miranda à presidência. O rompimento político entre os dois grupos ocorreu ao longo do atual mandato. Em 2023, os dois caminharam juntos na disputa pela direção do conselho, ela como presidente e ele para a Diretoria-Geral da Mútua. Segundo ele, a união foi dissipada e se transformou em uma disputa eleitoral recheada de litígios internos. “Nós ajudamos a eleger a atual presidente e ela virou as costas para os nossos ideais. Agora tenta de todas as formas me tirar da eleição”, afirmou. Orçamento de peso A próxima gestão que terá controle administrativo e financeiro do Crea-AM estará com a responsabilidade sobre uma entidade que obteve, no ano passado, uma receita de mais de R$ 24 milhões. Dados do balanço orçamentário de 2025 mostram que o conselho operou com previsão de receita de R$ 29,5 milhões, mas arrecadou efetivamente R$ 24,4 milhões no exercício. Somente o pagamento de salários líquidos consumiu R$ 9,7 milhões no período. As despesas ligadas à logística de fiscalização, incluindo diárias e passagens aéreas e terrestres, somaram R$ 2,7 milhões.
PCC e CV como terroristas: pressão de Trump expõe fragilidade brasileira
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas eleva a pressão internacional sobre o Brasil e reacende um debate que Brasília evita enfrentar de maneira direta: o avanço de facções criminosas que já operam com estrutura financeira, territorial e logística comparável à de grupos armados transnacionais. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado norte-americano e passa a valer oficialmente em 5 de junho. Segundo o governo do presidente Donald Trump, PCC e CV receberão as designações de “organizações terroristas estrangeiras” e “terroristas globais especialmente designados”. A medida ocorre dentro de uma estratégia mais ampla da Casa Branca de endurecimento contra cartéis e grupos ligados ao narcotráfico na América Latina. A movimentação dos EUA acontece em um momento de crescente internacionalização das facções brasileiras. O PCC já possui atuação reconhecida em rotas internacionais de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, enquanto o Comando Vermelho ampliou influência em áreas de fronteira e conexões com organizações criminosas estrangeiras. Relatórios de segurança pública e investigações federais apontam há anos a expansão operacional desses grupos para além do território nacional. No Brasil, entretanto, o governo federal resiste à classificação das facções como organizações terroristas. A principal justificativa está na legislação brasileira, que associa terrorismo a motivações ideológicas, políticas, religiosas ou discriminatórias. Segundo autoridades brasileiras, PCC e CV têm motivação financeira e não pretendem desestabilizar o Estado para assumir poder político. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo é “terminantemente contra” a equiparação entre facções criminosas e terrorismo. A preocupação central do Palácio do Planalto é que a medida abra precedentes para maior interferência internacional em assuntos internos brasileiros. Entre os efeitos possíveis estão congelamento de ativos, bloqueio de transações internacionais, ampliação de sanções financeiras e maior cooperação policial e judicial com autoridades americanas. Na prática, a decisão fortalece o monitoramento internacional sobre operações ligadas ao PCC e ao CV. Apesar do debate jurídico sobre o conceito de terrorismo, o avanço das facções já transformou o problema em uma questão de segurança nacional. Em diversas regiões do país, organizações criminosas exercem controle territorial, impõem regras próprias, desafiam o poder público e mantêm influência econômica em comunidades inteiras. O crescimento dessas estruturas alimenta a percepção internacional de que o Brasil convive com um poder paralelo consolidado. A discussão sobre nomenclatura, nesse contexto, revela um dilema político maior. Enquanto o governo brasileiro concentra esforços na defesa da soberania nacional diante de possíveis interferências externas, cresce a pressão para que o país apresente respostas mais duras e eficazes ao crime organizado. Nos bastidores diplomáticos, a decisão dos EUA também amplia a tensão na relação entre Brasília e Washington. O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que já havia sinalizado apoio à classificação das facções brasileiras como grupos terroristas. A medida reforça uma mudança de postura dos Estados Unidos em relação ao narcotráfico no continente. Desde 2025, o governo Trump passou a tratar organizações criminosas latino-americanas como ameaça direta à segurança nacional americana, ampliando operações de repressão financeira e cooperação militar em países da região. Para especialistas em segurança pública, o episódio também expõe uma fragilidade institucional brasileira. O país ainda enfrenta dificuldades históricas no combate integrado ao tráfico internacional, ao controle de fronteiras e à lavagem de dinheiro operada pelas facções. O avanço do PCC e do Comando Vermelho já deixou de ser apenas um problema policial. Tornou-se um desafio geopolítico, econômico e diplomático que agora ganha dimensão internacional mais agressiva.
Alberto Neto lidera disputa ao Senado, aponta Instituto Veritá
A nova pesquisa do Instituto Veritá para o Senado no Amazonas coloca o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) na liderança isolada da disputa eleitoral de 2026. Segundo o levantamento divulgado nesta quinta-feira, Alberto Neto aparece com 38,9% dos votos válidos na primeira opção de voto. O senador Eduardo Braga (MDB) surge na sequência com 27,5%, enquanto Marcelo Ramos (PT) registra 12,8%. A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 26 de maio, com 1.220 entrevistados em todo o Amazonas. A margem de erro é de três pontos percentuais. O desempenho do parlamentar do PL chama atenção principalmente entre os eleitores que afirmam já ter voto definido. Nesse grupo, Alberto Neto concentra 42,5% dos votos válidos, consolidando a base mais fiel da disputa até o momento. Eduardo Braga aparece com 28,3% nesse recorte. Os dados cruzados do Instituto Veritá mostram um perfil eleitoral bastante definido. O deputado tem desempenho mais forte entre homens, eleitores evangélicos e faixas de renda mais elevadas. Entre o público masculino, registra 34,8% das intenções de voto, enquanto entre mulheres cai para 20,3%. No segmento religioso, Alberto Neto alcança 42,6% entre evangélicos e 27,7% entre católicos. Já no recorte econômico, o apoio cresce conforme aumenta a renda do eleitor. Entre quem ganha acima de cinco salários mínimos, o parlamentar chega a 37,6%. Na faixa de até dois salários mínimos, o índice cai para 27,9%. Foram realizadas 1.220 entrevistas estruturadas no estado do Amazonas, contendo perguntas alinhadas aos objetivos do estudo. A margem de erro é de 3,0 pontos percentuais, para um intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TRE: AM-03387/2026/TSE: BR-00935/2026.
Capitão Alberto Neto é o melhor deputado federal do Amazonas, diz Ranking dos Políticos
O deputado federal Capitão Alberto Neto é o melhor deputado federal do Amazonas, em 2026. Quem afirma é o Ranking dos Políticos que realizou premiação nesta quarta-feira (27), em Brasília, durante a cerimônia do Prêmio Excelência Parlamentar. A plataforma monitora a atuação de deputados e senadores no Congresso Nacional. Além da liderança entre os representantes amazonenses, Alberto Neto também aparece entre os parlamentares mais bem avaliados do país. O levantamento considera critérios ligados à atuação legislativa, presença em votações, uso de verbas públicas, qualidade dos projetos apresentados, articulação política e posicionamento em pautas relacionadas ao combate à corrupção e aos privilégios. Segundo os organizadores, a proposta do Ranking dos Políticos é ampliar a transparência sobre o desempenho dos representantes eleitos e estimular boas práticas no ambiente político. A metodologia também inclui análise de processos judiciais e fiscalização dos gastos públicos realizados pelos parlamentares. No Congresso Nacional, Alberto Neto tem concentrado sua atuação em pautas voltadas à segurança pública, liberdade econômica, infraestrutura e fiscalização do governo federal. O parlamentar também mantém posicionamentos ligados ao apoio ao setor produtivo e ao combate à corrupção, temas frequentemente associados à sua atuação política em Brasília. Ao comentar o reconhecimento, o deputado afirmou que o resultado representa um compromisso renovado com os eleitores amazonenses e com as pautas defendidas ao longo do mandato. “Recebo esse reconhecimento com gratidão e senso de responsabilidade. Agradeço à população amazonense pela confiança e a todos que acompanham nosso trabalho em Brasília e no Estado. Seguiremos atuando com firmeza na defesa da segurança pública, no combate à corrupção, na liberdade e do desenvolvimento do Amazonas e do Brasil”, declarou. O ranking completo dos parlamentares avaliados está disponível no site oficial do Ranking dos Políticos, plataforma que acompanha o desempenho de deputados federais e senadores em exercício.