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Café em Apuí ganha impulso com toque verde e sustentabilidade

Cafe em Apui ganha impulso 1 Portal Fred Novaes

A cafeicultura amazonense começa a deixar o campo das promessas para ocupar, com mais consistência, espaço na pauta do agronegócio regional. Ainda incipiente quando comparada a grandes polos nacionais, a produção de café no Estado vive um momento de expansão acelerada, puxada pela valorização do grão no mercado internacional, pelo avanço de pesquisas adaptadas à Amazônia e por políticas públicas voltadas à agricultura familiar. O resultado é um café de perfil premium, produzido em sistemas cada vez mais alinhados às condições ambientais da região.

Dados do quarto levantamento da safra 2025 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados em dezembro do ano passado, mostram que a área de produção de café no Amazonas saltou de 528,6 hectares em 2024 para 985,5 hectares em 2025 — crescimento de 86,4%. No mesmo período, a produção praticamente dobrou, passando de 18,8 para 35,2 mil sacas, alta de 87,2%. A produtividade média permaneceu estável, em torno de 35,7 sacas por hectare, indicando que o avanço ocorreu sobretudo pela incorporação de novas áreas.

Segundo o relatório da Conab, o cenário externo também contribuiu para o bom momento. Problemas climáticos em países produtores de café reduziram a oferta global e pressionaram os preços, estimulando a ampliação das áreas no Amazonas. Somam-se a isso iniciativas locais, como a distribuição de mudas a pequenos produtores, que ajudaram a impulsionar a cultura no Estado.

E neste boom do café no Amazonas, o município de Apuí, no Sul do Estado, desponta como carro-chefe de todo esse processo. O ponto culminante foi tornar-se oficialmente a capital amazonense do café por meio da Lei nº 8.065, de 6 de janeiro de 2026. De autoria do deputado estadual Cabo Maciel (PL), a legislação busca consolidar a identidade produtiva do município e abrir novas oportunidades, com atração de investimentos, fortalecimento do turismo de negócios e aumento do valor agregado do café. 

“É uma sinalização institucional que ajuda a orientar políticas públicas para qualificação técnica, diversificação agrícola e incentivo à agricultura familiar sustentável, para transformar produção em desenvolvimento permanente”, acrescentou o deputado. 

Pesquisas

Essa evolução da cafeicultura no Estado está diretamente ligada ao avanço das pesquisas voltadas à adaptação da cultura ao bioma amazônico. Nesse processo, a Embrapa teve papel decisivo ao desenvolver variedades e técnicas de produção que aceleraram a inserção do café em sistemas produtivos em escala. O uso de variedades clonais, conhecidas como robustas amazônicos, aliado a tecnologias recomendadas pela instituição, tem garantido lavouras mais produtivas e grãos de qualidade, especialmente em propriedades da agricultura familiar na Amazônia.

O consultor e especialista na gestão do agronegócio Thomaz Meirelles destaca ainda o grande potencial econômico da atividade. “O café é uma das culturas que mais crescem no Amazonas, com boa remuneração. Ele também conta com a ciência da Embrapa aplicada no campo e tem compradores no próprio Estado”, disse. 

Thomaz acrescenta ainda a força que a marca do café local obtém pela especificidade de sua produção. “Temos que agregar ainda mais valor a esse nosso café mostrando que é produzido na Amazônia, totalmente verde e preservado em total harmonia com a sustentabilidade. Os números oficiais da Conab confirmam o crescimento. Além de tudo isso, é um produto amparado pela PGPM (Política de Garantia de Preços Mínimos)”, afirmou. 

Política pública e estruturação da cadeia

O fortalecimento da cafeicultura no Amazonas tem sido acompanhado por ações coordenadas do Governo do Estado. De acordo com o secretário de Produção Rural, Daniel Pinto Borges, o Sistema Sepror atua por meio do Idam, da ADS e da Adaf para estruturar e expandir a cultura. “Por meio do Projeto Prioritário do Café, a meta é promover e expandir a cafeicultura amazonense com foco na agricultura familiar e no fortalecimento da cadeia produtiva”, explicou.

Atualmente, o projeto abrange 12 municípios com potencial cafeeiro, entre eles Apuí, Humaitá, Silves, Itacoatiara, São Sebastião do Uatumã, Barreirinha, Itapiranga, Nova Olinda do Norte e Rio Preto da Eva. As ações incluem assistência técnica, extensão rural, ampliação da área plantada e distribuição de mudas com melhorias genéticas, além de kits de insumos para pequenos produtores.

Para Borges, o café ainda não ocupa posição de destaque econômico no Estado, mas ganha relevância estratégica. “Com a variedade Robusta Amazônico, desenvolvida pela Embrapa, o café mostrou grande adaptação e capacidade produtiva no Amazonas, tornando-se uma excelente opção econômica para as famílias rurais”, afirmou. Ele destaca ainda a integração de parceiros privados ao projeto, como a aquisição de 16,8 toneladas de café da agricultura familiar de Apuí pelo grupo 3 Corações, ajuda a agregar valor socioambiental ao produto.

Potencial econômico e visão do setor produtivo

Na avaliação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, a expansão do café acompanha um movimento mais amplo de fortalecimento da economia rural. “Há crescimento em segmentos importantes da atividade rural, o que contribui para gerar economia no interior e reduzir a dependência de importação de alimentos”, afirmou.

As maiores áreas de produção concentram-se no Sul do Estado e na Região Metropolitana de Manaus, com destaque para municípios como Humaitá, Apuí, Manicoré e Guajará. “A expansão está diretamente ligada às cultivares híbridas de robustas amazônicos, que se destacam pela produtividade, qualidade e adaptação à região”, disse. Além do impacto econômico, Lourenço ressalta o papel socioambiental da cultura. O café tem se mostrado alternativa viável para recuperação de áreas degradadas, com manejo sustentável e uso de tecnologia adaptada à Amazônia.

Segundo ele, a cultura do café tem atraído investimentos principalmente pela adaptação dos robustas amazônicos e pela valorização do produto nos mercados nacional e internacional. “A produção mundial e nacional de café vem sofrendo quedas, com isso os robustas amazônicos ganham destaque, porque além de adaptados ao clima amazônico, tem produtividade elevada (até 6x maior que métodos tradicionais), oferecendo um contraponto à escassez global”, finalizou.

Café no Amazonas

Área de produção

2024: 528,6 ha

2025: 985,5 ha

Variação: +86,4%

Produtividade média

2024: 35,6 sc/ha

2025: 35,7 sc/ha

Variação: +0,4%

Produção total

2024: 18,8 mil sacas

2025: 35,2 mil sacas

Variação: +87,2%

 *Conab – Safra 2025

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