A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (29) uma nova descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas da costa do Amapá. É a terceira identificação de um intervalo portador de petróleo no mesmo poço, resultado que reforça as expectativas da estatal sobre o potencial da Margem Equatorial, considerada uma das principais apostas para a expansão da exploração petrolífera brasileira. A descoberta ocorreu no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, onde a companhia iniciou a perfuração em 20 de outubro de 2025. Desde então, foram identificados três intervalos com presença de petróleo: o primeiro em agosto, o segundo no início de outubro e o terceiro anunciado agora. O resultado representa um avanço na campanha exploratória da Petrobras, embora ainda não seja possível afirmar que a área possui reservas comercialmente viáveis. Essa confirmação dependerá de novas perfurações e de estudos técnicos para avaliar o volume de petróleo existente e as condições de produção. “Nossa persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço, o que nos deixa ainda mais otimistas em relação ao potencial exploratório da Margem Equatorial”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em comunicado divulgado pela companhia. Três descobertas, uma nova fronteira A sequência de resultados positivos aumenta o interesse sobre a Foz do Amazonas, região que integra a Margem Equatorial brasileira e concentra expectativas de novas descobertas de petróleo. O avanço tem importância estratégica para a Petrobras. A identificação de novas áreas produtoras é considerada fundamental para ampliar as possibilidades de reposição de reservas e sustentar a produção brasileira no longo prazo. Segundo uma fonte da estatal citada na reportagem, a terceira descoberta confirma os resultados positivos da campanha exploratória e não altera, por enquanto, o planejamento estabelecido para a região. “Acho que não altera o que já havíamos previsto para campanha na Foz do Amazonas, o óleo de lá é muito bom, e o trabalho está dando resultado”, afirmou. A Petrobras informou que a perfuração do poço Morpho e a aquisição de dados geológicos foram concluídas. Próxima etapa começa em 2027 Com o encerramento dos trabalhos no poço Morpho, a companhia prepara uma nova fase de investigação na Foz do Amazonas. O planejamento prevê a perfuração de outros três poços, com início estimado para o primeiro trimestre de 2027. O objetivo será delimitar a descoberta e reunir informações que permitam avaliar a viabilidade comercial de uma eventual produção. Essa etapa será decisiva para transformar o potencial geológico identificado até agora em uma perspectiva concreta de exploração econômica. A presença de petróleo em diferentes intervalos de um mesmo poço é um sinal positivo para a avaliação exploratória. Entretanto, a confirmação de um campo comercial exige informações adicionais sobre volumes recuperáveis, características dos reservatórios, custos de desenvolvimento e condições operacionais. Enquanto prepara a próxima campanha na Foz do Amazonas, a Petrobras deslocará a sonda utilizada na perfuração para a Bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte. O equipamento será empregado na perfuração da locação Mãe de Ouro. A nova descoberta reforça a importância da Margem Equatorial nos planos de exploração da estatal. A região, que também está no centro de debates ambientais e regulatórios, poderá ganhar peso crescente nas decisões sobre o futuro da produção de petróleo no Brasil. Por enquanto, a principal novidade é o resultado técnico: em uma única perfuração, a Petrobras identificou três intervalos portadores de petróleo, ampliando os indícios de potencial exploratório na Foz do Amazonas.
Fantasma de Dilma ameaça novo governo Lula, alerta ex-BC
O fantasma da crise econômica que marcou o segundo governo de Dilma Rousseff volta a rondar o Palácio do Planalto. Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil corre o risco de repetir um período de recessão, endividamento crescente e perda de confiança na economia. O alerta é do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, que vê na expansão dos gastos públicos e na resistência a reformas fiscais uma combinação perigosa para os próximos anos. Em entrevista ao programa Stock Pickers, repercutida nesta quinta-feira (29) pelo InfoMoney, Loyola traçou um cenário preocupante para o novo mandato de Lula. Segundo ele, a política econômica adotada até agora, agravada pelas despesas e promessas do período eleitoral, deixou o país em uma situação de elevada vulnerabilidade. “Vejo um risco de a gente repetir o segundo governo da Dilma, em que a economia acabou se afundando. Nós tivemos um dos maiores períodos recessivos da história contemporânea do Brasil”, afirmou. A comparação remete à recessão de 2015 e 2016, quando o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumulou dois anos consecutivos de retração, acompanhados por forte deterioração do mercado de trabalho e das contas públicas. O alerta não significa que o Brasil esteja condenado a repetir aquele cenário. Mas aponta para a possibilidade de que decisões econômicas semelhantes, em um ambiente de maior endividamento e restrições fiscais, produzam consequências igualmente graves. O risco de repetir os erros Na avaliação de Loyola, o governo Lula ampliou significativamente os gastos públicos e o endividamento durante o mandato. A campanha eleitoral acrescentou novas promessas de despesas, tornando ainda mais difícil a tarefa de equilibrar as contas a partir de 2027. “Eu acho que a situação macroeconômica é das mais delicadas. Porque o governo Lula até agora expandiu muito o gasto público e a dívida pública”, declarou. O ex-presidente do BC considera inevitável que o próximo governo enfrente uma situação fiscal particularmente difícil. A expansão da dívida em relação ao PIB aumenta a percepção de risco entre investidores, pressiona as condições de financiamento do país e limita a capacidade de crescimento sustentado. “Não há como fugir de uma situação fiscal bastante difícil no próximo ano e nos próximos”, advertiu. O problema é que o governo terá de administrar essa situação enquanto busca cumprir compromissos eleitorais e preservar programas sociais, sem demonstrar, até aqui, disposição suficiente para enfrentar mudanças estruturais nas despesas públicas, segundo a avaliação do economista. A combinação pode produzir um impasse semelhante ao observado no período que antecedeu a crise do governo Dilma: dificuldade de recuperar a confiança, aumento das pressões fiscais e perda de dinamismo econômico. Mais impostos, menos crescimento? Um dos pontos centrais da crítica de Loyola é a preferência do governo por medidas destinadas a elevar a arrecadação, em vez de promover uma revisão mais profunda das despesas. O economista cita iniciativas tributárias, como mudanças no IOF e propostas de revisão de isenções de investimentos, como exemplos de uma estratégia que pode comprometer a atividade econômica. A lógica é que o aumento da carga tributária reduz recursos disponíveis para consumo e investimento. Dependendo da intensidade dessas medidas e das condições da economia, a desaceleração resultante pode comprometer parte da arrecadação adicional pretendida. “Está muito estabelecido na teoria econômica e na prática de vários países que ajuste fiscal via receita não é eficiente e traz impacto negativo sobre a atividade econômica e, portanto, sobre a própria arrecadação em algum momento, enquanto o corte de gastos tende a ser muito mais eficaz”, afirmou. A discussão ganha relevância porque o governo também enfrenta limitações políticas para promover reformas estruturais. Mudanças nas despesas obrigatórias, nas regras previdenciárias e nos mecanismos de indexação do orçamento dependem de negociações complexas com o Congresso Nacional. Sem essas alterações, o risco é que o ajuste continue concentrado na arrecadação, preservando as pressões sobre o endividamento e limitando o espaço para investimentos. Um cenário externo mais difícil Há outro elemento que amplia a preocupação do ex-presidente do Banco Central: o ambiente internacional. Juros elevados nas principais economias e tensões geopolíticas tornam mais difícil a atração de investimentos e reduzem a margem de manobra de países que enfrentam problemas fiscais. Internamente, o governo também convive com uma contradição. Enquanto amplia gastos para estimular a atividade econômica, o Banco Central mantém uma política monetária restritiva para controlar a inflação. Segundo Loyola, o Executivo praticamente esgotou seu arsenal de estímulos, enquanto os juros elevados funcionam como um freio ao crescimento. “Eu vejo uma perspectiva de baixo crescimento para a economia brasileira nos próximos anos, com juros ainda elevados”, afirmou. Esse cenário pode dificultar a expansão do crédito, reduzir o ritmo dos investimentos privados e comprometer a geração de empregos. O custo político de adiar o ajuste A advertência de Loyola coloca o novo mandato de Lula diante de uma escolha que envolve economia e política. O presidente chega fortalecido pela vitória eleitoral, mas terá de decidir se utiliza esse capital político para negociar medidas de contenção de despesas ou se mantém a estratégia de financiar compromissos por meio de maior arrecadação e endividamento. A experiência do segundo governo Dilma demonstra que a deterioração das expectativas econômicas pode cobrar um preço elevado. A crise daquele período teve causas múltiplas, incluindo desequilíbrios internos, perda de confiança e choques econômicos. Por isso, não é possível atribuí-la exclusivamente à expansão dos gastos públicos. Ainda assim, a comparação feita por Loyola funciona como advertência sobre os riscos de ignorar restrições fiscais. O Brasil de 2027 não é o mesmo de 2015. As condições institucionais, monetárias e internacionais são diferentes. Mas a trajetória da dívida pública e a dificuldade política de conter despesas tornam legítima a preocupação com uma nova fase de crescimento fraco e juros elevados. O risco de um resultado ainda pior que o observado no governo Dilma não foi apresentado por Loyola como previsão. Trata-se de uma possibilidade que dependeria de um agravamento substancial das condições econômicas e da ausência de respostas eficazes do governo. Para Lula, a questão central será evitar que a história se
Brasil cobra muito e entrega pouco, critica Tallis Gomes no G4 Valley 2026
O empresário Tallis Gomes, CEO da G4 Educação e fundador da Easy Taxi, fez duras críticas ao excesso de impostos e à relação do Estado brasileiro com quem empreende. Durante a abertura do G4 Valley 2026, nesta quinta-feira (29), em São Paulo, ele afirmou que o empresário brasileiro aprendeu a construir negócios e gerar riqueza apesar dos obstáculos impostos pelo poder público. A crítica ganha um tom ainda mais contundente diante do incerto cenário político brasileiro, poucos dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Gomes, o país mantém um modelo em que cobra impostos elevados de quem trabalha e produz, mas oferece, em contrapartida, serviços públicos de baixa qualidade. O empresário chegou a comparar a qualidade dos serviços oferecidos pelo Estado brasileiro à de países da África Subsaariana. A declaração reforçou seu argumento de que existe um desequilíbrio entre aquilo que o contribuinte paga e o retorno que recebe do governo. “A gente nunca contou com eles e eles nunca nos ajudaram, só nos atrapalharam. Pode acreditar no que eu estou falando: a gente vai vencer apesar deles”, afirmou, diante de uma plateia formada por empresários e empreendedores. A declaração sintetizou o discurso de abertura do evento, que reúne mais de 25 mil participantes no São Paulo Expo, até sábado (31). O peso do Estado sobre quem produz O ponto central da crítica de Tallis Gomes é uma contradição recorrente na economia brasileira: o Estado depende da atividade produtiva para financiar suas despesas, mas a tributação e a burocracia são apontadas por empresários como entraves ao crescimento dos negócios. Na avaliação apresentada pelo executivo, empreender no Brasil exige enfrentar dificuldades que vão além dos riscos naturais de qualquer atividade econômica. A carga tributária, a complexidade das obrigações e a deficiência dos serviços públicos acabam ampliando o custo de manter uma empresa funcionando. O discurso também carrega uma crítica política. Embora tenha elogiado o ex-presidente Jair Bolsonaro, Gomes reconheceu que os obstáculos enfrentados pelo setor produtivo atravessam diferentes governos. Citou a pandemia como exemplo de uma crise que exigiu capacidade de adaptação das empresas brasileiras. Para demonstrar que os negócios podem prosperar mesmo em cenários adversos, lembrou a trajetória da Localiza, fundada durante a crise do petróleo de 1973, e da Ambev, criada em 1999, em um período de turbulência cambial. Também mencionou o BTG Pactual como exemplo de instituição que superou crises financeiras. O próprio G4 Educação foi apresentado como exemplo dessa capacidade de transformação. Segundo Gomes, a empresa aproveitou as mudanças provocadas pela pandemia para ampliar sua atuação no setor tecnológico. “Se fôssemos apenas uma empresa de educação, faríamos R$ 250 milhões em 2026. Como nos tornamos uma empresa de tecnologia, este ano faremos R$ 750 milhões”, afirmou. Uma crítica que vai além dos governos A mensagem de Gomes encontra inspiração na obra A Revolta de Atlas, da escritora Ayn Rand, conhecida por sua defesa do individualismo econômico e da liberdade de iniciativa. Durante a apresentação, o empresário leu o artigo “Os John Galts do Brasil”, publicado pelo Brazil Journal. O texto faz referência ao personagem John Galt, que questiona uma sociedade dependente daqueles que produzem riqueza, mas que, ao mesmo tempo, impõe restrições à sua liberdade econômica. A referência reforça a ideia de que a prosperidade depende da capacidade de produzir, investir e inovar, enquanto o excesso de intervenção estatal pode comprometer esses processos. Apesar do tom crítico, o artigo também contém um alerta contra a polarização política. “O adversário é o poder, não o vizinho”, afirma o texto, ao defender que o debate sobre liberdade econômica não deve se transformar em hostilidade contra quem pensa diferente. A manifestação de Tallis Gomes ocorre em um momento no qual o governo federal terá de enfrentar pressões por equilíbrio fiscal, controle das despesas públicas e melhoria do ambiente de negócios. Seu discurso coloca uma questão no centro desse debate: até que ponto o Estado brasileiro pode continuar exigindo mais de quem produz sem oferecer serviços públicos compatíveis com o volume de recursos arrecadados? Para Gomes, a resposta está na capacidade de resistência dos próprios empreendedores. “O empresário aprendeu a construir apesar deles”, declarou. Com informações do Money Times, reportagem de Pasquale Augusto, publicada em 29 de outubro de 2026.
Omar assume transição e adia escolha de secretários: vai avaliar estado da máquina
A transição de governo no Amazonas começou nesta quinta-feira (29) com uma sinalização do governador eleito Omar Aziz: antes de distribuir cargos e definir os nomes do futuro secretariado, ele quer saber exatamente qual é a situação da máquina pública que receberá. A prioridade será conhecer as condições financeiras e administrativas do Estado, especialmente nas áreas de saúde, segurança pública e educação. O primeiro ato do processo de transição reuniu Omar e o atual governador, Roberto Cidade, que reafirmou o compromisso de fornecer as informações necessárias para a formação do novo governo. Omar confirmou que participará pessoalmente das discussões e que já trabalha na definição dos integrantes da equipe responsável pelo levantamento das informações. A decisão de acompanhar diretamente a transição revela uma preocupação que vai além da montagem política do governo. Omar quer identificar os principais problemas da administração estadual, avaliar as condições de funcionamento das secretarias e conhecer as dificuldades que serão enfrentadas pelos futuros gestores. Durante a coletiva, o governador eleito deixou claro que ainda não fez convites para o secretariado e que a participação na equipe de transição não significa indicação automática para cargos no futuro governo. “Não quer dizer que essas pessoas que vão participar da transição serão secretários”, afirmou. Segundo Omar, qualquer definição dependerá primeiro de um diagnóstico sobre a situação administrativa e financeira do Estado. “Eu preciso primeiro saber a real situação das secretarias”, declarou, ao destacar segurança, saúde e educação como áreas prioritárias. Omar também disse que aguardará a proclamação oficial do resultado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) para formalizar os procedimentos. A proposta inicial prevê três representantes indicados pelo governo atual e três pela equipe eleita, com possibilidade de participação de outros profissionais. O governador eleito afirmou que coordenará pessoalmente os trabalhos para acompanhar o diagnóstico da administração estadual e definir as prioridades do início do mandato. O levantamento sobre as condições de funcionamento das secretarias será fundamental para o planejamento das primeiras ações do novo governo. O desafio começa antes da posse A preocupação de Omar tem uma dimensão política e outra administrativa. O governador eleito já comandou o Amazonas e conhece o funcionamento da estrutura estadual. Mas encontrará uma realidade diferente daquela de suas gestões anteriores, com novas pressões sobre os gastos públicos e demandas crescentes por serviços essenciais. Saúde, segurança e educação concentram parte expressiva das responsabilidades do governo e exigem recursos permanentes para manter estruturas, pessoal, contratos e atendimento à população. O levantamento dessas áreas deverá ajudar a identificar quais compromissos já estão assumidos, quais despesas pressionam o orçamento e qual será a margem de manobra da próxima administração. Há também uma questão política relevante. Ao deixar para depois a escolha dos secretários, Omar sinaliza que pretende definir primeiro os problemas que precisarão ser enfrentados. Isso não elimina as negociações partidárias que normalmente acompanham a formação de um governo, mas estabelece, ao menos neste início, uma ordem diferente para as decisões. O desafio será transformar esse discurso em critério efetivo para a escolha dos futuros auxiliares.Subsídio ao transporte entra na discussãoOutro tema abordado por Omar foi o peso do subsídio ao transporte coletivo nas contas públicas. O governador eleito demonstrou preocupação com o funcionamento do modelo de financiamento das passagens e com os efeitos da política de subsídios. Na avaliação apresentada durante a coletiva, o benefício precisa ser examinado considerando quem efetivamente depende dele e como os recursos públicos são utilizados. A discussão abre uma frente delicada para o próximo governo. O transporte coletivo tem impacto direto sobre o orçamento das famílias e sobre a mobilidade urbana, mas os mecanismos de compensação financeira também representam compromissos para o poder público. Omar evitou antecipar medidas e indicou que pretende conhecer melhor a situação antes de definir sua posição administrativa. Também manifestou a expectativa de que Roberto Cidade consiga encaminhar questões pendentes até o encerramento do atual mandato. O assunto poderá se tornar um dos primeiros testes da capacidade do novo governo de conciliar responsabilidade fiscal e manutenção de políticas públicas. Cidade promete transição sem obstáculos Do lado do governo atual, Roberto Cidade adotou um discurso de cooperação. Ele reafirmou que a intenção é realizar uma transição tranquila, com acesso às informações necessárias e diálogo entre as equipes. Cidade afirmou que a administração estadual trabalhará em conjunto com os representantes do governador eleito para organizar o repasse de informações e permitir que a nova gestão tenha condições de iniciar seus trabalhos. A postura sinaliza uma tentativa de evitar conflitos políticos durante a passagem de comando, especialmente em um momento no qual o futuro governo precisará avaliar contratos, despesas, compromissos administrativos e projetos em andamento. O governador também destacou a necessidade de respeitar a decisão das urnas e conduzir o processo pensando nos interesses da população amazonense.
Cidade admite Estado inchado, mas deixa ajuste para Omar
O governador do Amazonas, Roberto Cidade, reconheceu nesta quinta-feira (29) que a máquina administrativa do Estado está sobrecarregada e precisa passar por um processo de redução de despesas. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), em Manaus, quando o governador também defendeu uma transição responsável e transparente para o governo eleito de Omar Aziz. Cidade afirmou que o curto período de sua gestão, de aproximadamente nove meses, impediu a adoção de medidas mais profundas de reorganização administrativa. Segundo ele, o governo encontrou um orçamento praticamente todo comprometido, o que reduziu a margem para mudanças na estrutura de despesas do Estado. “A máquina do Estado está muito sobrecarregada. Tem que diminuir”, afirmou o governador, ao comentar as dificuldades enfrentadas pela administração estadual. Cidade explicou que a situação orçamentária já estava definida quando assumiu o comando do Executivo, em 4 de maio. Na avaliação do governador, o tempo disponível para administrar o Estado foi insuficiente para promover a redução necessária da estrutura administrativa. O reconhecimento por parte do governador de que a máquina pública precisa ser reduzida sinaliza a necessidade de uma revisão das despesas e da capacidade financeira do Estado para sustentar investimentos e serviços públicos. Transição e apoio a Omar Aziz Apesar das dificuldades administrativas, Roberto Cidade adotou um discurso de conciliação política e defendeu a união de esforços em torno do governador eleito, Omar Aziz. Segundo ele, o resultado das urnas deve dar lugar a uma agenda de cooperação institucional, com prioridade para os interesses do Amazonas. “É momento de união. O governador Omar Aziz vai precisar muito do apoio de todos para que ele possa fazer um grande mandato”, declarou. Cidade também manifestou disposição para receber o governador eleito e sua vice-governadora e conduzir o processo de transição com transparência e responsabilidade. A intenção, segundo o posicionamento apresentado durante a reunião, é assegurar condições para que a futura administração tenha acesso às informações necessárias ao planejamento de suas primeiras medidas. Leia Mais Omar Aziz e Roberto Cidade dão início, hoje, à transição de governo no Amazonas O discurso reforça a preocupação com a continuidade administrativa em um cenário no qual o próximo governo deverá conciliar restrições orçamentárias, manutenção dos serviços públicos e demandas por novos investimentos. Indústria e continuidade dos investimentos Durante a reunião do Codam, Roberto Cidade também destacou a importância da continuidade dos projetos industriais aprovados pelo conselho e da preservação do modelo Zona Franca de Manaus. O governador afirmou que os investimentos anunciados representam perspectivas de geração de empregos, ampliação da atividade econômica e fortalecimento da arrecadação estadual. Ressaltou, porém, que parte desses resultados será percebida somente nos próximos anos, em razão do prazo necessário para a implantação dos empreendimentos. Cidade mencionou a expectativa de criação de mais de dois mil empregos vinculados aos projetos analisados e observou que algumas oportunidades deverão se concretizar em aproximadamente dois anos. Para o governador, a continuidade dos investimentos precisa estar acima das disputas eleitorais. Ele destacou que as eleições acontecem periodicamente, mas os projetos de desenvolvimento econômico exigem planejamento de longo prazo e compromisso entre diferentes administrações. O governador também defendeu a atuação conjunta dos governos federal, estadual e municipais como instrumento para ampliar os resultados das políticas públicas. Receba o Bom dia, Economia no WhatsApp Acompanhe nossa curadoria diária de notícias e análises sobre economia, negócios e mercado, com atenção especial ao Amazonas. É gratuito, e você recebe as atualizações diretamente no canal, sem mensagens no seu WhatsApp pessoal. Seguir canal no WhatsApp
Tarcísio se adianta no desafio de tirar a direita da bolha
A eleição de 2026 mal terminou, mas a oposição já começa a olhar para 2030. Depois de duas derrotas consecutivas para Luiz Inácio Lula da Silva, a direita brasileira terá pela frente um desafio que vai além da escolha de um candidato: encontrar uma liderança capaz de preservar sua base conservadora e, ao mesmo tempo, conquistar o eleitorado moderado que pode decidir uma eleição presidencial. É nesse cenário que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, volta a ganhar protagonismo. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio admitiu a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030. Sem antecipar uma candidatura, condicionou qualquer projeto nacional ao desempenho de seu segundo mandato à frente do maior estado brasileiro. “Terminando bem o segundo mandato, obviamente, abre uma possibilidade”, afirmou. A declaração, porém, está longe de ser o aspecto mais relevante da entrevista. O que chama a atenção é a postura política adotada pelo governador diante do resultado das urnas e do futuro da oposição. Enquanto parte dos apoiadores de Flávio Bolsonaro ainda insiste em questionar o resultado eleitoral, Tarcísio escolheu um discurso institucional. Reconheceu a legitimidade da vitória de Lula e defendeu uma oposição firme, mas responsável. “Agora, não cabe contestar o resultado das urnas. Nós somos democratas. O resultado das urnas é soberano”, declarou, na entrevista. A diferença de postura pode parecer apenas uma questão de estilo. Politicamente, representa algo maior. A direita precisa ampliar suas fronteiras A direita consolidou uma força eleitoral expressiva no Brasil. Mobilizou milhões de brasileiros, estabeleceu uma identidade política e transformou o conservadorismo em um movimento de massas. Entretanto, os resultados de 2022 e 2026 também expuseram os limites dessa estratégia quando se trata de conquistar a maioria necessária para chegar ao Palácio do Planalto. A questão que se apresenta à oposição é relativamente simples: como preservar a força desse eleitorado sem permanecer limitada a ele? Leia Mais Lula, Janones e a encruzilhada de Roboão Codam analisa R$ 1,65 bilhão; mercado cobra ajuste fiscal Tarcísio pode representar uma resposta. Com perfil mais técnico, experiência administrativa e discurso menos confrontacional, o governador reúne características que podem facilitar o diálogo com setores do centro político, empresários, investidores e eleitores conservadores que desejam estabilidade institucional. Isso não significa abandonar as pautas da direita. Significa compreender que uma eleição presidencial exige construir maiorias, e não simplesmente mobilizar os já convencidos. O próprio Tarcísio parece compreender essa diferença ao reconhecer a importância histórica de Jair Bolsonaro para a consolidação do movimento conservador, mas defender a autonomia das lideranças que surgiram a partir dele. “Obviamente, respeito não significa submissão”, afirmou. A frase talvez seja uma das mais significativas da entrevista. Uma oposição que precisa olhar adiante A postura de Tarcísio também estabelece um contraste com a reação do senador Flávio Bolsonaro à derrota presidencial. Enquanto Flávio mantém uma linha de contestação ao resultado, o governador paulista sinaliza que a oposição precisa virar a página eleitoral e concentrar suas energias na fiscalização do novo governo. Essa diferença poderá influenciar a reorganização da direita nos próximos anos. A oposição terá diante de si um governo Lula pressionado por desafios fiscais, demandas sociais crescentes e pela necessidade de recuperar a confiança dos agentes econômicos. São temas que oferecem amplo espaço para uma atuação crítica, consistente e propositiva. Mas a crítica, por si só, não constrói uma alternativa de poder. Será necessário apresentar respostas para problemas concretos, como o custo de vida, a carga tributária, a segurança pública, a geração de empregos e a capacidade de investimento do país. Nesse terreno, Tarcísio terá a oportunidade de transformar sua gestão em São Paulo numa vitrine nacional. Seu principal argumento para 2030 poderá ser menos aquilo que promete e mais aquilo que conseguir entregar. Naturalmente, há obstáculos. O governador ainda precisa demonstrar capacidade de articulação nacional, ampliar sua presença fora do Sudeste e administrar as tensões internas de uma direita que continua fortemente identificada com Jair Bolsonaro. Também não está garantido que seu perfil moderado seja suficiente para conquistar o centro sem provocar resistências entre os setores mais ideológicos de sua própria base. O desafio de vencer, não apenas resistir Duas derrotas presidenciais consecutivas deveriam estimular uma reflexão estratégica dentro da oposição. A direita brasileira já demonstrou que possui força para mobilizar multidões, eleger parlamentares e influenciar o debate nacional. O desafio agora é transformar essa presença política em uma maioria eleitoral capaz de governar o país. Tarcísio surge como uma alternativa justamente porque parece disposto a combinar convicções conservadoras, pragmatismo administrativo e respeito às instituições. Ainda é cedo para saber se será o candidato de 2030. Quatro anos representam uma eternidade na política brasileira. Mas sua entrevista indica uma possibilidade de mudança na maneira como a direita pretende disputar o poder. Depois de duas derrotas para Lula, talvez a oposição precise compreender que o próximo passo não é simplesmente falar mais alto para quem já concorda com ela. É conseguir ser ouvida por quem ainda não concorda. 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Lula, Janones e a encruzilhada de Roboão
A vitória nas urnas assegurou a Luiz Inácio Lula da Silva mais quatro anos no poder. Mas não lhe concedeu o privilégio de ignorar a realidade. O presidente reeleito chega ao novo mandato diante de uma escolha que poderá definir seu legado: corrigir a rota da política econômica ou manter as diretrizes adotadas nos últimos quatro anos, em meio às dificuldades para equilibrar receitas, despesas e compromissos sociais. A encruzilhada está posta. De um lado, os alertas sobre a situação das contas públicas, o crescimento da dívida, a necessidade de reformas administrativas e a recuperação da confiança dos investidores. Do outro, a pressão política pela manutenção e ampliação de programas sociais, investimentos e demais compromissos assumidos durante a campanha. Os números ajudam a dimensionar o desafio. O Prisma Fiscal de outubro projeta déficit primário de R$ 53 bilhões em 2026 e dívida bruta equivalente a 87% do PIB em 2027. São estimativas que colocam a sustentabilidade das contas públicas no centro do debate econômico. O dinheiro público, afinal, não se multiplica pela força dos discursos, tampouco as contas do governo obedecem à lógica das campanhas eleitorais. Lula conhece a política como poucos. Sua trajetória inclui negociações complexas, construção de alianças e enfrentamento de crises. Essa experiência será colocada à prova na definição das prioridades do próximo mandato. Empresários, investidores e consumidores estarão atentos às decisões sobre gastos, tributação, segurança jurídica e condições para o investimento privado. Há, entretanto, uma novidade na composição política que acompanhará o presidente. Na comemoração da vitória, Lula agradeceu publicamente ao deputado André Janones, chamado por ele de general da campanha. Anunciou também que pretende mudar sua maneira de governar, dando maior espaço à comunicação digital e ao contato direto com a população. A comunicação política terá, portanto, um papel destacado na nova administração. Mas existe uma diferença entre mobilizar seguidores e administrar as finanças de um país. Uma estratégia eleitoral bem-sucedida não oferece, por si só, respostas para problemas fiscais, econômicos e administrativos. É nesse ponto que uma passagem bíblica oferece uma reflexão pertinente. O primeiro livro dos Reis, no capítulo 12, relata a história de Roboão, filho de Salomão e neto de Davi. Ao assumir o trono, o novo rei recebeu um pedido do povo: que aliviasse a pesada carga de tributos e trabalhos impostos durante o reinado de seu pai. Roboão procurou inicialmente os conselheiros mais experientes, homens que haviam servido a Salomão. Eles recomendaram moderação. Se o rei atendesse ao povo e aliviasse seus encargos, teria condições de conquistar sua lealdade. Mas Roboão resolveu ouvir também os jovens que haviam crescido ao seu lado. O conselho foi exatamente o contrário. Em vez de aliviar o peso sobre a população, deveria demonstrar autoridade e endurecer ainda mais as exigências. O novo rei escolheu a segunda orientação. Preferiu dobrar a aposta. O resultado foi uma revolta que dividiu o reino de Israel. A narrativa atravessou os séculos como uma reflexão sobre o exercício do poder, a capacidade de ouvir e os riscos de confundir lealdade pessoal com qualidade do aconselhamento. A comparação com o Brasil contemporâneo é uma metáfora, não uma equivalência histórica. Tampouco significa que os atuais assessores presidenciais tenham apresentado conselhos semelhantes aos de Roboão. O ponto está no dilema enfrentado por qualquer governante diante de recomendações divergentes, especialmente quando decisões impopulares precisam ser consideradas. O governo Lula terá de conciliar demandas sociais, restrições orçamentárias e expectativas do setor produtivo. Não se trata de transformar o mercado financeiro em árbitro da democracia. Seus agentes possuem interesses próprios e suas avaliações estão sujeitas a erros. Mas suas expectativas influenciam decisões de investimento, condições de financiamento e o custo do crédito. Também seria equivocado tratar responsabilidade fiscal e proteção social como objetivos necessariamente incompatíveis. O combate à pobreza exige políticas públicas consistentes. Sua continuidade, porém, depende de fontes de financiamento sustentáveis. Quando despesas permanentes crescem acima da capacidade de financiamento do Estado, surgem pressões sobre endividamento, tributação e outras prioridades orçamentárias. O debate sobre a austeridade passa, portanto, pela qualidade do gasto público, pela revisão de despesas, pela eficiência administrativa e pela definição de prioridades. Também envolve escolhas sobre arrecadação, incentivos econômicos e participação da iniciativa privada. O novo mandato começará sob essas tensões. A vitória eleitoral renovou a legitimidade política do presidente, mas as condições econômicas exigirão decisões que ultrapassam o calendário das campanhas e a dinâmica das redes sociais. Janones foi reconhecido por Lula pelo trabalho de mobilização eleitoral. A relevância que a comunicação digital terá no governo já foi anunciada. O que ainda dependerá de decisões concretas é a forma como a administração responderá aos desafios fiscais e econômicos. A história de Roboão permanece pertinente justamente porque apresenta um governante diante de alternativas. Ele ouviu conselhos diferentes, fez sua escolha e enfrentou as consequências. A lição não está em atribuir sabedoria automática aos mais velhos ou imprudência aos mais jovens. Está na necessidade de examinar argumentos, reconhecer limites e considerar as consequências das decisões. O Brasil entra em um novo ciclo político com expectativas elevadas e restrições econômicas conhecidas. O presidente terá de administrar ambas. Na narrativa bíblica, Roboão preferiu endurecer a posição quando o povo pedia alívio. O desfecho foi a divisão de seu reino. No Brasil, as escolhas ainda serão feitas dentro das instituições democráticas e dos limites impostos pela economia. A pergunta que permanece é qual peso terão a prudência, a negociação e a responsabilidade fiscal na condução do novo mandato. Porque a mobilização pode ajudar a vencer eleições. A matemática das contas públicas, entretanto, exige respostas de outra natureza. Receba o Bom dia, Economia no WhatsApp Acompanhe nossa curadoria diária de notícias e análises sobre economia, negócios e mercado, com atenção especial ao Amazonas. É gratuito, e você recebe as atualizações diretamente no canal, sem mensagens no seu WhatsApp pessoal. Seguir canal no WhatsApp
Omar Aziz e Roberto Cidade dão início, hoje, à transição de governo no Amazonas
O governador eleito do Amazonas, Omar Aziz, e o governador Roberto Cidade se reúnem nesta quinta-feira (29), às 11h, na sede do Governo do Estado, localizada no bairro da Compensa, em Manaus, para dar início às tratativas sobre a transição de governo. O encontro representa um primeiro passo para organizar a transferência da administração estadual e alinhar os procedimentos necessários para que a mudança de gestão ocorra de maneira transparente e republicana, com respeito às instituições e à continuidade dos serviços públicos. A expectativa é que a reunião estabeleça as bases para o diálogo entre as equipes, permitindo o compartilhamento de informações sobre a situação administrativa, financeira e operacional do Estado, além do planejamento das próximas etapas da transição. Após a reunião, eles atendem os jornalistas na Sala de Imprensa da Sede do Governo. SERVIÇO O quê: Reunião entre o governador eleito Omar Aziz e o governador Roberto Cidade para tratar do início da transição de governo. Quando: Quinta-feira, 29 de outubro, às 11h. Onde: Sala de Imprensa, na Sede do Governo do Amazonas, bairro da Compensa.
Codam analisa R$ 1,65 bilhão; mercado cobra ajuste fiscal
BOM DIA, ECONOMIA | 29 DE OUTUBRO DE 2026 O Amazonas abre esta quinta-feira com uma pauta industrial bilionária em análise, enquanto o mercado financeiro continua atento aos sinais da política econômica após a reeleição do presidente Lula. O dia também traz um alerta sobre o futuro dos biocombustíveis e indicadores capazes de influenciar o dólar e a Bolsa. Confira cinco assuntos para entender o cenário econômico. 1. Codam avalia R$ 1,65 bilhão em investimentos industriais O Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) analisa nesta quinta-feira (29) uma pauta de 63 projetos industriais, com investimentos previstos de R$ 1,65 bilhão e expectativa de geração de mais de 2 mil empregos. A reunião está marcada para as 10h, no auditório do Senai, no Distrito Industrial de Manaus. Entre os projetos apresentados estão R$ 601,5 milhões da Multilaser, para fabricação de televisores e terminais de captura de dados, e R$ 162,4 milhões da Sunhope, voltados à diversificação da produção de equipamentos e sistemas inteligentes. Se todas as propostas forem aprovadas, o Codam chegará a 277 projetos no acumulado do ano. O recorde de 2025 foi de 320 aprovações, marca que ainda poderá ser superada na reunião de dezembro. Fique de olho: a pauta sinaliza interesse empresarial em ampliar a produção no Amazonas. Mas aprovação de projetos não significa investimento imediatamente executado. O indicador decisivo será a transformação dessas propostas em fábricas, produção e empregos. Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Amazonas (Sedecti). 2. Mercado cobra credibilidade fiscal de Lula A definição da equipe econômica e das primeiras medidas do próximo governo tornou-se uma das principais preocupações dos investidores após a reeleição de Lula. Em entrevista ao Brazil Journal, Rogério Xavier, cofundador da SPX Capital, defendeu a necessidade de um choque de credibilidade na condução da economia. Segundo sua avaliação, sem medidas fiscais consistentes, os preços atuais dos ativos financeiros poderão refletir um novo patamar de risco. Xavier destacou a importância de aguardar decisões concretas antes de avaliar os próximos movimentos do mercado. A discussão envolve o controle das despesas públicas, o comportamento dos juros e a capacidade brasileira de atrair investimentos em um ambiente internacional competitivo. Fique de olho: o debate fiscal vai além da Bolsa. A percepção de risco influencia o câmbio, o custo do crédito e as decisões de investimento das empresas. A entrevista representa a avaliação de um gestor relevante, mas não substitui uma análise dos resultados efetivos das medidas que vierem a ser anunciadas. Fonte: Brazil Journal. 3. CNI alerta para risco de falta de biocombustíveis O Brasil poderá enfrentar dificuldades de abastecimento e pressão sobre os preços dos biocombustíveis até 2035, caso os investimentos em produção não acompanhem o crescimento da demanda. O alerta consta de estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade projeta que o consumo de etanol poderá alcançar 46 bilhões de litros em 2035, enquanto a demanda por biodiesel poderá chegar a 18 bilhões de litros. O desafio está em conciliar as metas de descarbonização com a expansão da capacidade produtiva. Sem investimentos suficientes, o aumento da participação dos combustíveis renováveis poderá provocar desequilíbrios entre oferta e procura. Fique de olho: combustíveis mais caros afetam diretamente os custos do transporte, da logística e dos alimentos. No Amazonas, onde o deslocamento de mercadorias depende de cadeias logísticas complexas, o tema merece acompanhamento especial. Fonte: InfoMoney, com base em estudo da CNI. 4. Argentina combina crescimento e dificuldades sociais A economia argentina apresenta sinais contraditórios. O país voltou a registrar crescimento e conseguiu reduzir expressivamente a inflação em relação aos níveis observados no início do governo Javier Milei. Entretanto, indicadores de pobreza, desemprego e atividade industrial mostram que a recuperação permanece desigual. No segundo trimestre de 2026, o PIB argentino cresceu 2% na comparação anual, mas recuou 0,6% diante do trimestre anterior. A pobreza alcançou 32,3% no primeiro semestre, segundo dados oficiais citados em levantamento publicado pelo g1. Setores exportadores apresentam desempenho mais favorável, enquanto o consumo doméstico e segmentos industriais enfrentam dificuldades. Fique de olho: a experiência argentina mostra que estabilização monetária, crescimento econômico e recuperação do poder de compra não avançam necessariamente no mesmo ritmo. É um exemplo importante para o debate sobre os custos e os resultados dos ajustes econômicos na América Latina. Fonte: g1, com dados de órgãos oficiais argentinos. 5. Inflação, crédito e juros internacionais movimentam a agenda A quinta-feira reúne indicadores importantes para a economia brasileira e os mercados internacionais. No Brasil, estão previstas as divulgações do IGP-M, dos índices de confiança dos serviços e do comércio e das estatísticas monetárias e de crédito do Banco Central. Nos Estados Unidos, os investidores acompanham a primeira estimativa do PIB do terceiro trimestre, o índice de inflação PCE e os pedidos de seguro-desemprego. Na Europa, o Banco Central Europeu anuncia sua decisão sobre juros. Fique de olho: esses indicadores ajudam a calibrar as expectativas sobre inflação, atividade econômica e taxas de juros. Seus resultados podem alterar o comportamento do dólar, da Bolsa e dos investimentos ao longo do dia. Fonte: Money Times. Na agenda de hoje Leia Mais Mercados em ajuste após turbulência Duas pautas para acompanhar O recorde do Codam vai se transformar em investimentos? Acompanhar o volume de projetos efetivamente implantados, os empregos gerados e o desempenho da produção industrial. Quanto custará a transição energética? Investigar a capacidade de expansão dos biocombustíveis e os possíveis efeitos dos preços sobre o transporte e a logística no Amazonas. Bom dia, Economia é uma curadoria jornalística de Fred Novaes sobre os principais fatos e tendências da economia, com atenção especial ao Amazonas. Receba o Bom dia, Economia no WhatsApp Acompanhe nossa curadoria diária de notícias e análises sobre economia, negócios e mercado, com atenção especial ao Amazonas. É gratuito, e você recebe as atualizações diretamente no canal, sem mensagens no seu WhatsApp pessoal. Seguir canal no WhatsApp