
O empresário Tallis Gomes, CEO da G4 Educação e fundador da Easy Taxi, fez duras críticas ao excesso de impostos e à relação do Estado brasileiro com quem empreende. Durante a abertura do G4 Valley 2026, nesta quinta-feira (29), em São Paulo, ele afirmou que o empresário brasileiro aprendeu a construir negócios e gerar riqueza apesar dos obstáculos impostos pelo poder público.
A crítica ganha um tom ainda mais contundente diante do incerto cenário político brasileiro, poucos dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Gomes, o país mantém um modelo em que cobra impostos elevados de quem trabalha e produz, mas oferece, em contrapartida, serviços públicos de baixa qualidade.
O empresário chegou a comparar a qualidade dos serviços oferecidos pelo Estado brasileiro à de países da África Subsaariana. A declaração reforçou seu argumento de que existe um desequilíbrio entre aquilo que o contribuinte paga e o retorno que recebe do governo.
“A gente nunca contou com eles e eles nunca nos ajudaram, só nos atrapalharam. Pode acreditar no que eu estou falando: a gente vai vencer apesar deles”, afirmou, diante de uma plateia formada por empresários e empreendedores. A declaração sintetizou o discurso de abertura do evento, que reúne mais de 25 mil participantes no São Paulo Expo, até sábado (31).
O peso do Estado sobre quem produz
O ponto central da crítica de Tallis Gomes é uma contradição recorrente na economia brasileira: o Estado depende da atividade produtiva para financiar suas despesas, mas a tributação e a burocracia são apontadas por empresários como entraves ao crescimento dos negócios.
Na avaliação apresentada pelo executivo, empreender no Brasil exige enfrentar dificuldades que vão além dos riscos naturais de qualquer atividade econômica. A carga tributária, a complexidade das obrigações e a deficiência dos serviços públicos acabam ampliando o custo de manter uma empresa funcionando.
O discurso também carrega uma crítica política. Embora tenha elogiado o ex-presidente Jair Bolsonaro, Gomes reconheceu que os obstáculos enfrentados pelo setor produtivo atravessam diferentes governos. Citou a pandemia como exemplo de uma crise que exigiu capacidade de adaptação das empresas brasileiras.
Para demonstrar que os negócios podem prosperar mesmo em cenários adversos, lembrou a trajetória da Localiza, fundada durante a crise do petróleo de 1973, e da Ambev, criada em 1999, em um período de turbulência cambial. Também mencionou o BTG Pactual como exemplo de instituição que superou crises financeiras.
O próprio G4 Educação foi apresentado como exemplo dessa capacidade de transformação. Segundo Gomes, a empresa aproveitou as mudanças provocadas pela pandemia para ampliar sua atuação no setor tecnológico.
“Se fôssemos apenas uma empresa de educação, faríamos R$ 250 milhões em 2026. Como nos tornamos uma empresa de tecnologia, este ano faremos R$ 750 milhões”, afirmou.
Uma crítica que vai além dos governos
A mensagem de Gomes encontra inspiração na obra A Revolta de Atlas, da escritora Ayn Rand, conhecida por sua defesa do individualismo econômico e da liberdade de iniciativa.
Durante a apresentação, o empresário leu o artigo “Os John Galts do Brasil”, publicado pelo Brazil Journal. O texto faz referência ao personagem John Galt, que questiona uma sociedade dependente daqueles que produzem riqueza, mas que, ao mesmo tempo, impõe restrições à sua liberdade econômica.
A referência reforça a ideia de que a prosperidade depende da capacidade de produzir, investir e inovar, enquanto o excesso de intervenção estatal pode comprometer esses processos.
Apesar do tom crítico, o artigo também contém um alerta contra a polarização política. “O adversário é o poder, não o vizinho”, afirma o texto, ao defender que o debate sobre liberdade econômica não deve se transformar em hostilidade contra quem pensa diferente.
A manifestação de Tallis Gomes ocorre em um momento no qual o governo federal terá de enfrentar pressões por equilíbrio fiscal, controle das despesas públicas e melhoria do ambiente de negócios.
Seu discurso coloca uma questão no centro desse debate: até que ponto o Estado brasileiro pode continuar exigindo mais de quem produz sem oferecer serviços públicos compatíveis com o volume de recursos arrecadados?
Para Gomes, a resposta está na capacidade de resistência dos próprios empreendedores. “O empresário aprendeu a construir apesar deles”, declarou.
Com informações do Money Times, reportagem de Pasquale Augusto, publicada em 29 de outubro de 2026.





