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Omar assume transição e adia escolha de secretários: vai avaliar estado da máquina

Omar Aziz e Roberto Cidade transicao de governo Portal Fred Novaes

A transição de governo no Amazonas começou nesta quinta-feira (29) com uma sinalização do governador eleito Omar Aziz: antes de distribuir cargos e definir os nomes do futuro secretariado, ele quer saber exatamente qual é a situação da máquina pública que receberá. A prioridade será conhecer as condições financeiras e administrativas do Estado, especialmente nas áreas de saúde, segurança pública e educação.

O primeiro ato do processo de transição reuniu Omar e o atual governador, Roberto Cidade, que reafirmou o compromisso de fornecer as informações necessárias para a formação do novo governo. Omar confirmou que participará pessoalmente das discussões e que já trabalha na definição dos integrantes da equipe responsável pelo levantamento das informações.

A decisão de acompanhar diretamente a transição revela uma preocupação que vai além da montagem política do governo. Omar quer identificar os principais problemas da administração estadual, avaliar as condições de funcionamento das secretarias e conhecer as dificuldades que serão enfrentadas pelos futuros gestores.

Durante a coletiva, o governador eleito deixou claro que ainda não fez convites para o secretariado e que a participação na equipe de transição não significa indicação automática para cargos no futuro governo.

“Não quer dizer que essas pessoas que vão participar da transição serão secretários”, afirmou. Segundo Omar, qualquer definição dependerá primeiro de um diagnóstico sobre a situação administrativa e financeira do Estado.

“Eu preciso primeiro saber a real situação das secretarias”, declarou, ao destacar segurança, saúde e educação como áreas prioritárias.

Omar também disse que aguardará a proclamação oficial do resultado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) para formalizar os procedimentos. A proposta inicial prevê três representantes indicados pelo governo atual e três pela equipe eleita, com possibilidade de participação de outros profissionais.

O governador eleito afirmou que coordenará pessoalmente os trabalhos para acompanhar o diagnóstico da administração estadual e definir as prioridades do início do mandato. O levantamento sobre as condições de funcionamento das secretarias será fundamental para o planejamento das primeiras ações do novo governo.

O desafio começa antes da posse

A preocupação de Omar tem uma dimensão política e outra administrativa. O governador eleito já comandou o Amazonas e conhece o funcionamento da estrutura estadual. Mas encontrará uma realidade diferente daquela de suas gestões anteriores, com novas pressões sobre os gastos públicos e demandas crescentes por serviços essenciais.

Saúde, segurança e educação concentram parte expressiva das responsabilidades do governo e exigem recursos permanentes para manter estruturas, pessoal, contratos e atendimento à população.

O levantamento dessas áreas deverá ajudar a identificar quais compromissos já estão assumidos, quais despesas pressionam o orçamento e qual será a margem de manobra da próxima administração.

Há também uma questão política relevante. Ao deixar para depois a escolha dos secretários, Omar sinaliza que pretende definir primeiro os problemas que precisarão ser enfrentados. Isso não elimina as negociações partidárias que normalmente acompanham a formação de um governo, mas estabelece, ao menos neste início, uma ordem diferente para as decisões.

O desafio será transformar esse discurso em critério efetivo para a escolha dos futuros auxiliares.
Subsídio ao transporte entra na discussão
Outro tema abordado por Omar foi o peso do subsídio ao transporte coletivo nas contas públicas. O governador eleito demonstrou preocupação com o funcionamento do modelo de financiamento das passagens e com os efeitos da política de subsídios.

Na avaliação apresentada durante a coletiva, o benefício precisa ser examinado considerando quem efetivamente depende dele e como os recursos públicos são utilizados.

A discussão abre uma frente delicada para o próximo governo. O transporte coletivo tem impacto direto sobre o orçamento das famílias e sobre a mobilidade urbana, mas os mecanismos de compensação financeira também representam compromissos para o poder público.

Omar evitou antecipar medidas e indicou que pretende conhecer melhor a situação antes de definir sua posição administrativa. Também manifestou a expectativa de que Roberto Cidade consiga encaminhar questões pendentes até o encerramento do atual mandato.

O assunto poderá se tornar um dos primeiros testes da capacidade do novo governo de conciliar responsabilidade fiscal e manutenção de políticas públicas.

Cidade promete transição sem obstáculos

Do lado do governo atual, Roberto Cidade adotou um discurso de cooperação. Ele reafirmou que a intenção é realizar uma transição tranquila, com acesso às informações necessárias e diálogo entre as equipes.

Cidade afirmou que a administração estadual trabalhará em conjunto com os representantes do governador eleito para organizar o repasse de informações e permitir que a nova gestão tenha condições de iniciar seus trabalhos.

A postura sinaliza uma tentativa de evitar conflitos políticos durante a passagem de comando, especialmente em um momento no qual o futuro governo precisará avaliar contratos, despesas, compromissos administrativos e projetos em andamento.

O governador também destacou a necessidade de respeitar a decisão das urnas e conduzir o processo pensando nos interesses da população amazonense.

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