BOM DIA, ECONOMIA | 4 DE NOVEMBRO DE 2026Quarta-feira | Economia, negócios e mercado Moeda americana alcança R$ 5,48, enquanto o Copom decide o futuro da Selic. No Amazonas, nova concessão à Petrobras e investimentos em terminais fluviais movimentam a agenda econômica. Panorama da conjuntura A economia brasileira chega à decisão de juros desta quarta-feira (4) sob forte pressão dos mercados financeiros. O dólar encerrou a terça-feira em R$ 5,4863, enquanto a Bolsa brasileira acumulou a sexta sessão consecutiva de queda. O movimento reflete a preocupação dos investidores com os rumos da política fiscal após as eleições. As dúvidas sobre a capacidade do governo de controlar o crescimento das despesas e estabilizar a dívida pública elevaram os prêmios de risco. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, procurou reduzir a tensão. Ele descartou a possibilidade de o governo adotar uma proposta de redução acelerada dos juros apresentada pelo economista André Lara Resende. No Amazonas, duas iniciativas chamam a atenção: a concessão de uma área em Tefé para atividades da Petrobras e o anúncio de investimentos em terminais flutuantes destinados às comunidades do interior. São movimentos distintos, mas relacionados a um mesmo desafio: ampliar a infraestrutura e criar condições para o crescimento econômico regional. UOL Economia 1. Dólar chega a R$ 5,48 e amplia pressão sobre a economia Brasil | Mercado financeiro | 3 de novembro O dólar comercial encerrou a terça-feira (3) cotado a R$ 5,4863, com valorização de 0,74% em relação ao fechamento anterior. A moeda americana atingiu seu maior patamar desde dezembro de 2025. O Ibovespa também recuou. O principal índice da Bolsa brasileira caiu 1,42%, encerrando o pregão aos 165.528 pontos. Foi a sexta queda consecutiva. A reação dos investidores está associada às incertezas sobre a política econômica do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mercado acompanha especialmente as perspectivas de gastos públicos, a trajetória da dívida e as condições para a continuidade da redução dos juros. A desvalorização do real também aumenta as preocupações com a inflação, especialmente nos produtos e insumos negociados internacionalmente. UOL Economia Fique de olho: a alta do dólar tem consequências diretas para a indústria brasileira. Empresas que dependem de matérias-primas e componentes importados podem enfrentar aumento dos custos de produção. No Polo Industrial de Manaus, esse movimento merece acompanhamento especial devido à participação dos insumos estrangeiros nas cadeias produtivas. Fonte: Reuters/UOL Economia, 3/11/2026. Leia a reportagem sobre a alta do dólar 2. Fazenda descarta proposta de redução acelerada dos juros Brasil | Política econômica | 3 de novembro O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na terça-feira (3) que o governo não está considerando uma proposta de redução acelerada da taxa Selic apresentada pelo economista André Lara Resende. A manifestação ocorreu depois que informações sobre um possível encontro entre o economista e o presidente Lula provocaram novas discussões no mercado financeiro. Em artigo publicado em setembro, Lara Resende defendeu uma mudança na condução da política monetária, com redução gradual dos juros para aproximadamente 7,5% ao ano. O economista argumenta que o elevado custo dos juros contribui para o crescimento da dívida pública. A proposta enfrenta resistência de economistas que consideram arriscada uma redução acelerada da Selic sem melhora consistente das condições fiscais. Durigan afirmou que a iniciativa apresenta problemas e não integra as medidas em discussão no governo. O ministro também reconheceu que ainda não foram concluídas as propostas de ajuste fiscal para o próximo mandato. A manifestação ocorre às vésperas da decisão do Copom, prevista para esta quarta-feira. Reuters Fique de olho: a discussão evidencia a dificuldade de conciliar juros menores, estabilidade da moeda e controle das contas públicas. Uma redução sustentável dos juros depende das perspectivas de inflação e da confiança na capacidade do governo de administrar suas finanças. Fonte: Reuters, 3/11/2026. Leia a reportagem da Reuters sobre a posição da Fazenda 3. Petrobras obtém concessão para atividades em Tefé Amazonas | Petróleo e gás | 3 de novembro O governo do Amazonas assinou, na terça-feira (3), um Termo de Concessão de Direito Real de Uso com a Petrobras para a continuidade e ampliação das atividades de prospecção, pesquisa e exploração de petróleo e gás natural em Tefé. O acordo envolve a área denominada Arara Azul 1, com mais de 26 mil hectares, localizada à margem esquerda do rio Tefé. A área integra o complexo de Urucu, onde a Petrobras mantém operações de produção e processamento de petróleo e gás natural. O instrumento permite à companhia utilizar o imóvel estadual para as atividades previstas no termo, sem transferência da propriedade. A concessão representa uma etapa de regularização e continuidade operacional. A assinatura não significa, por si só, descoberta de novas reservas ou início imediato de produção adicional. Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, as atividades da Petrobras no Amazonas estão associadas a aproximadamente 14 mil empregos diretos e indiretos. O Estado também informou que a arrecadação de tributos e participações governamentais vinculadas à companhia alcançou R$ 1,5 bilhão em 2025. Portal do Eleitor Fique de olho: a exploração de petróleo e gás natural tem importância para a arrecadação estadual, a geração de empregos e o abastecimento energético. A nova concessão abre espaço para acompanhar os planos de investimento da Petrobras na região e seus possíveis efeitos sobre a produção. Fonte: Governo do Amazonas, com informações publicadas pelo Amazonas Atual em 3/11/2026. 4. Amazonas anuncia R$ 54,8 milhões para terminais flutuantes Amazonas | Logística e infraestrutura | 2 de novembro O governo do Amazonas anunciou a implantação de 50 terminais flutuantes em comunidades do interior até dezembro de 2026. O investimento previsto é de R$ 54,8 milhões. Segundo a administração estadual, 20 estruturas já foram construídas e estão prontas para entrega. Os terminais serão destinados a comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas que dependem do transporte fluvial para o deslocamento de passageiros e mercadorias. A execução está sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura. As estruturas foram projetadas para acompanhar as variações do nível dos rios, oferecendo melhores condições de embarque e desembarque. Entre os objetivos
Orçamento de 2027 prevê R$ 7,4 trilhões em despesas e salário mínimo de R$ 1.741
O governo federal prevê despesas de R$ 7,4 trilhões no Orçamento da União para 2027, incluindo os recursos destinados ao refinanciamento da dívida pública. A proposta, encaminhada ao Congresso Nacional em 31 de agosto, também estabelece salário mínimo de R$ 1.741 e projeta superávit primário de R$ 18,6 bilhões. O projeto (PLN 24/2026) está em análise na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e terá como relator-geral o senador Eduardo Braga (MDB-AM), responsável por consolidar as alterações propostas pelos parlamentares e apresentar o parecer final para votação. Do total previsto, R$ 2,576 trilhões correspondem às despesas primárias, que incluem o funcionamento da máquina pública, a prestação de serviços e os investimentos governamentais. O montante representa crescimento de 7,7% em relação ao valor aprovado para 2026. A proposta destina R$ 133,8 bilhões a investimentos do Estado e reserva R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares individuais e de bancada, recursos cuja aplicação é indicada por deputados e senadores. Na área fiscal, o governo trabalha com a expectativa de arrecadar R$ 18,6 bilhões a mais do que gastará em despesas primárias. O resultado, porém, não considera os juros da dívida pública. Outro ponto de destaque é a previsão de salário mínimo de R$ 1.741, valor que influencia diretamente as despesas federais com aposentadorias, pensões e benefícios sociais vinculados ao piso nacional. Tramitação no Congresso A expectativa é que o Congresso conclua, até 17 de dezembro, as votações da Lei Orçamentária Anual (LOA) e da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estabelece as metas e regras para a execução do orçamento. Como relator-geral, Eduardo Braga terá a tarefa de negociar ajustes e conciliar as prioridades do governo com as demandas dos parlamentares, em meio às discussões sobre o equilíbrio das contas públicas e a distribuição dos recursos federais.