
BOM DIA, ECONOMIA | Terça-feira, 3 de novembro de 2026
Copom inicia reunião sob pressão fiscal. Projeções para 2027 pioram, enquanto a indústria brasileira enfrenta perspectivas de desaceleração.
Panorama da conjuntura
O Brasil inicia a semana de decisões econômicas com uma mudança importante nas expectativas do mercado financeiro. A possibilidade de o Banco Central interromper o ciclo de redução dos juros ganhou força após as eleições.
A preocupação está concentrada na política fiscal. As declarações do governo sobre a manutenção e a possível ampliação de benefícios sociais, sem a apresentação de um plano detalhado de financiamento, aumentaram as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas.
Ao mesmo tempo, instituições financeiras passaram a revisar suas projeções de crescimento e inflação para 2027.
Para o Amazonas, o cenário exige atenção. Juros elevados encarecem o financiamento das empresas, enquanto a valorização do dólar pode pressionar os custos de insumos importados pelo Polo Industrial de Manaus.
A questão central é saber se o próximo governo conseguirá recuperar a confiança dos investidores sem comprometer o crescimento econômico. UOL Economia
1. Copom pode interromper cortes dos juros
Brasil | Política monetária | 3 de novembro
O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira sua primeira reunião após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão será anunciada na quarta-feira (4).
Segundo reportagem publicada pelo UOL nesta terça-feira, os preços de opções negociadas na B3 indicavam probabilidade de 63,1% de manutenção da Selic em 13,75% ao ano. A possibilidade de redução de 0,25 ponto percentual havia recuado para 28%.
Esses percentuais representam expectativas implícitas nos preços de mercado, não uma pesquisa formal de opinião entre economistas.
Antes das eleições, havia maior expectativa de continuidade dos cortes.
O aumento da incerteza fiscal, a pressão sobre o câmbio e os riscos inflacionários levaram investidores a reavaliar o cenário.
Fique de olho: uma interrupção no ciclo de redução dos juros pode prolongar o custo elevado do crédito para consumidores e empresas. O impacto alcança financiamentos, capital de giro e decisões de investimento.
Fonte: UOL Economia, 3/11/2026.
Leia a reportagem sobre as expectativas para o Copom
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2. Itaú reduz previsão de crescimento para 2027
Brasil | Projeções econômicas | 31 de outubro
O Itaú Unibanco reduziu de 1,2% para 0,5% sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2027.
A instituição também elevou de 4,6% para 6,1% a estimativa de inflação para o próximo ano.
O novo cenário considera o enfraquecimento da atividade econômica, a desvalorização cambial e os efeitos esperados de mudanças tributárias e regulatórias.
O banco passou a projetar a manutenção da Selic em 13,75% durante todo o próximo ano. Anteriormente, previa juros de 12,5% ao final de 2027.
As estimativas foram divulgadas no sábado (31), depois da forte turbulência registrada nos mercados financeiros.
Fique de olho: a revisão mostra como as expectativas sobre as contas públicas podem afetar as decisões econômicas antes mesmo da adoção de novas medidas.
É importante distinguir as projeções dos resultados efetivos. O crescimento de 0,5% e a inflação de 6,1% são estimativas do banco, sujeitas a revisão.
Fonte: Folha de S.Paulo, 31/10/2026.
Leia a reportagem sobre a revisão das projeções
3. Bolsa amplia horário de negociação
Mercado financeiro | 3 de novembro
A B3 passa a operar com novos horários a partir desta terça-feira.
O pregão regular do mercado de ações continuará começando às 10h, mas terminará às 17h55, horário de Brasília. O leilão de fechamento ocorrerá até as 18h.
A alteração acompanha o encerramento do horário de verão nos Estados Unidos e busca preservar o alinhamento entre os mercados brasileiro e norte-americano.
A mudança também alcança opções, fundos negociados em Bolsa e outros instrumentos financeiros, com regras específicas para cada segmento.
Fique de olho: a ampliação do horário permite maior sobreposição das negociações brasileiras com as bolsas norte-americanas.
Isso pode influenciar a dinâmica das operações e a reação dos investidores a acontecimentos internacionais. Não significa, entretanto, garantia de maior liquidez ou valorização das ações.
Fonte: UOL Economia, 29/10/2026. Mudança em vigor em 3/11.
Confira os novos horários da B3
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4. Indústria brasileira enfrenta risco de retração
Indústria | Projeções para 2026 | 28 de outubro
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2026.
A revisão foi provocada principalmente pelas perspectivas menos favoráveis para a indústria de transformação e o setor de serviços.
No caso da indústria de transformação, a entidade passou a prever retração de 0,7%, ante estimativa anterior de crescimento de 0,6%.
Entre os fatores apontados estão os juros elevados, a desaceleração da demanda interna, os custos de produção e a concorrência dos importados.
A CNI também reduziu de 1,9% para 1,6% a projeção de expansão dos serviços.
Fique de olho: a desaceleração nacional merece acompanhamento no Amazonas, cuja indústria é fortemente dependente do mercado consumidor brasileiro.
A divulgação da produção industrial de setembro, prevista para quinta-feira (5), ajudará a avaliar a evolução recente da atividade.
Fonte: CNI, Informe Conjuntural do terceiro trimestre, divulgado em 28/10/2026.
Leia os dados da revisão econômica da CNI
5. Argentina enfrenta risco de recessão
América Latina | Atividade econômica | 2 de novembro
A economia argentina apresenta sinais de enfraquecimento, apesar dos avanços obtidos pelo governo de Javier Milei no combate à inflação.
Reportagem publicada pela Reuters na segunda-feira (2) mostra que economistas esperam uma segunda contração trimestral consecutiva da atividade econômica.
O consumo acumulou queda de 2,7% nos primeiros nove meses de 2026, em comparação com igual período do ano anterior.
A indústria, o comércio e a construção estão entre os setores mais pressionados.
Em contrapartida, energia, mineração e agricultura apresentam resultados mais favoráveis, sustentados pelas exportações e pelos investimentos.
Os números oficiais do PIB do terceiro trimestre ainda são aguardados. Portanto, a recessão permanece uma possibilidade apontada por analistas.
Fique de olho: o caso argentino evidencia as dificuldades de conciliar estabilização macroeconômica com recuperação da demanda interna.
Para o Brasil, a evolução da economia do país vizinho interessa especialmente ao comércio regional e às cadeias industriais integradas pelo Mercosul.
Fonte: Reuters, 2/11/2026.
Leia a análise da Reuters sobre a economia argentina
Indicador do dia
Projeção de crescimento cai para 0,5%
A revisão do Itaú para o PIB brasileiro de 2027 é o indicador selecionado nesta edição.
| Referência | Projeção |
|---|---|
| Estimativa anterior para 2027 | 1,2% |
| Estimativa divulgada em 31/10 | 0,5% |
| Revisão | -0,7 ponto percentual |
A redução representa uma mudança expressiva nas expectativas da instituição para o desempenho econômico do próximo ano.
O banco também elevou sua previsão de inflação para 2027 de 4,6% para 6,1%.
O que significa: a combinação de crescimento fraco e inflação elevada limita as possibilidades de redução dos juros.
O cenário é particularmente desfavorável para atividades dependentes de crédito e consumo.
Fonte: projeções econômicas do Itaú Unibanco, divulgadas em reportagem da Folha de S.Paulo em 31/10/2026. Trata-se de projeção de instituição financeira, não de indicador estatístico oficial. Folha de S.Paulo
Dois alertas para o Amazonas
1. Crédito caro pode dificultar investimentos industriais
A possibilidade de manutenção da Selic em 13,75% amplia as preocupações com os custos de financiamento.
No Polo Industrial de Manaus, os efeitos podem alcançar empresas que dependem de capital de giro, aquisição de equipamentos e financiamento da produção.
O impacto não é uniforme. Fabricantes com maior disponibilidade de recursos próprios ou acesso a linhas especiais de crédito podem enfrentar condições diferentes.
A questão é saber se os juros elevados poderão retardar a execução de projetos industriais já aprovados.
2. Desaceleração nacional ameaça demanda pelo PIM
A revisão negativa das perspectivas para a indústria brasileira merece atenção regional.
Motocicletas, eletroeletrônicos e outros produtos fabricados em Manaus dependem, em grande medida, das condições do mercado consumidor nacional.
Se o crédito permanecer caro e o consumo perder força, as encomendas industriais poderão ser afetadas.
Os próximos indicadores de produção, faturamento e emprego permitirão avaliar se essa pressão já aparece nos resultados do Amazonas.
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Duas pautas originais para o Amazonas
1. Juros altos podem atrasar investimentos aprovados no Codam?
O Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas aprovou, em sua reunião de 29 de outubro, 63 projetos industriais, com previsão de R$ 1,65 bilhão em investimentos.
A pauta consiste em investigar quantos projetos dependem de financiamento, quais linhas de crédito estão disponíveis e como a manutenção da Selic em patamar elevado pode afetar os cronogramas de implantação.
A reportagem deve distinguir investimentos anunciados, contratados e efetivamente executados.
Fontes sugeridas: Sedecti, Fieam, Cieam, Banco da Amazônia, BNDES e empresas contempladas.
2. A indústria amazonense resiste à desaceleração nacional?
A projeção de retração da indústria brasileira de transformação abre espaço para uma comparação com o desempenho do Polo Industrial de Manaus.
A apuração pode reunir os dados mais recentes de faturamento, produção física, emprego e utilização da capacidade instalada.
O objetivo é identificar quais segmentos apresentam crescimento e quais já demonstram perda de dinamismo.
Fontes sugeridas: Suframa, IBGE, Cieam, Fieam e associações setoriais.
Fique de olho
Terça-feira, 3: início da reunião do Copom e entrada em vigor dos novos horários de negociação da B3.
Quarta-feira, 4: decisão do Copom sobre a Selic e divulgação do Novo Caged de setembro.
Quinta-feira, 5: divulgação da produção industrial brasileira de setembro pelo IBGE.
Quarta-feira, 11: divulgação da produção industrial regional, incluindo o Amazonas.
O calendário do Copom está confirmado pelo Banco Central. Banco Central do Brasil
Para fechar
A reunião do Copom desta semana ocorre em um momento de deterioração das expectativas econômicas.
O governo defende a manutenção dos programas sociais e critica a pressão por ajustes nas despesas. O mercado financeiro, por sua vez, cobra medidas capazes de conter o avanço da dívida e recuperar a previsibilidade fiscal.
O Banco Central terá de considerar esses fatores ao avaliar os riscos para a inflação.
No Amazonas, as consequências podem aparecer no custo do crédito, nas decisões de investimento e no ritmo de produção industrial.
A economia brasileira precisa recuperar a confiança sem perder capacidade de crescimento. O resultado dessa combinação será decisivo para as perspectivas de 2027.
Fred Novaes | Curadoria jornalística de economia
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