
BOM DIA, ECONOMIA | 2 DE NOVEMBRO DE 2026
Segunda-feira | Edição 6
Fred Novaes — Curadoria jornalística de economia
Lula admite ampliar programas sociais às vésperas da decisão do Copom. Combustível de aviação sobe 7,2%, enquanto a Argentina enfrenta risco de recessão.
PANORAMA DA CONJUNTURA
A primeira semana de novembro começa com a política fiscal no centro das atenções. Depois de uma semana de forte instabilidade nos mercados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, no domingo (1º), que pretende preservar os programas sociais e admitiu a possibilidade de criar novos benefícios.
A declaração ocorre às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para terça e quarta-feira, dias 3 e 4. A taxa Selic está em 13,75% ao ano. O Banco Central terá de avaliar os efeitos da inflação, da atividade econômica e das incertezas fiscais antes de decidir sobre os juros.
Outro fator de pressão vem dos combustíveis. A Petrobras anunciou aumento de 7,2% no querosene de aviação a partir de novembro, ampliando os desafios financeiros das companhias aéreas.
No Amazonas, o encarecimento do transporte aéreo merece atenção especial. O estado depende da aviação para transportar passageiros e determinadas cargas, enquanto a indústria de Manaus enfrenta os efeitos da valorização do dólar e do custo do crédito.
No cenário latino-americano, a Argentina apresenta sinais de enfraquecimento da atividade econômica, apesar dos avanços no controle da inflação. UOL Notícias
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AS CINCO NOTÍCIAS
1. Lula admite ampliar programas sociais
Brasil | Política fiscal | 1º de novembro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou no domingo (1º) que nenhum programa social será extinto durante seu próximo mandato, previsto para começar em janeiro de 2027.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Lula declarou que o governo poderá criar iniciativas ou aperfeiçoar os programas existentes. Também assegurou que pretende cumprir os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral.
O presidente não anunciou novas medidas, valores ou fontes de financiamento.
A manifestação ocorre em um momento de pressão sobre as contas públicas. Investidores aguardam definições sobre a futura equipe econômica e sobre as medidas que o governo adotará para estabilizar a dívida.
Por que importa: a manutenção de programas sociais pode sustentar o consumo das famílias, especialmente entre os grupos de menor renda. Entretanto, eventuais ampliações de despesas exigirão compatibilidade com o orçamento e as metas fiscais.
O desafio do governo será conciliar seus compromissos sociais com a necessidade de controlar o crescimento da dívida pública.
Fique de olho: a próxima decisão do Copom poderá indicar como o Banco Central avalia o ambiente fiscal e seus efeitos sobre a inflação.
Fonte: UOL, 1º/11/2026.
Leia a reportagem sobre a declaração de Lula
2. Querosene de aviação sobe 7,2%
Brasil | Combustíveis e transporte | 1º de novembro
A Petrobras anunciou aumento de 7,2% no preço médio do querosene de aviação vendido às distribuidoras. O reajuste entrou em vigor no domingo (1º).
A elevação corresponde a aproximadamente R$ 0,45 por litro em relação ao preço praticado em outubro.
Segundo a estatal, o aumento reflete a valorização internacional do combustível, associada às tensões no Oriente Médio e à redução da capacidade de refino em países afetados por conflitos.
O reajuste ocorre depois de outra alta, de 11,76%, aplicada em outubro.
A sequência de aumentos pressiona os custos das companhias aéreas, que já enfrentam despesas elevadas com combustível e manutenção das operações.
Por que importa: o encarecimento do querosene pode influenciar os preços das passagens e do transporte aéreo de cargas. O repasse, entretanto, depende das condições comerciais e operacionais de cada empresa.
Para o Amazonas, o impacto potencial é relevante. O transporte aéreo atende rotas de passageiros e operações logísticas que não encontram alternativas terrestres equivalentes.
Fique de olho: as tarifas aéreas e os custos do transporte de cargas com origem ou destino em Manaus poderão indicar quanto do reajuste chegará aos consumidores e às empresas.
Fonte: Reuters, 1º/11/2026.
Leia a reportagem sobre o reajuste do combustível
3. Argentina enfrenta risco de recessão
América Latina | Atividade econômica | 2 de novembro
A economia da Argentina apresenta sinais de retração que colocam à prova a política econômica do presidente Javier Milei.
Reportagem publicada pela Reuters nesta segunda-feira (2) mostra que economistas esperam uma segunda queda trimestral consecutiva do Produto Interno Bruto.
A economia argentina já havia recuado 0,6% no segundo trimestre. Para o terceiro, a consultoria Analytica projeta contração próxima de 1,5%.
Os resultados oficiais do terceiro trimestre ainda serão divulgados. Portanto, a entrada em recessão permanece uma avaliação dos economistas, não um resultado estatístico confirmado.
O enfraquecimento atinge principalmente atividades dependentes do mercado interno.
Segundo dados oficiais de agosto citados pela Reuters, a indústria de transformação registrou queda anual de 3,2%, enquanto o comércio atacadista e varejista recuou 3,5%.
O quadro contrasta com os resultados de setores exportadores, como energia, mineração e agricultura, que apresentam desempenho mais favorável.
Por que importa: a experiência argentina mostra os desafios de uma política de ajuste econômico em um ambiente de consumo enfraquecido.
O controle da inflação e a reorganização das contas públicas são objetivos relevantes, mas seus efeitos sobre a atividade produtiva, o emprego e a renda também precisam ser acompanhados.
Fique de olho: os dados oficiais do PIB argentino permitirão verificar se o país entrou tecnicamente em recessão.
Fonte: Reuters, 2/11/2026.
Leia a análise sobre a economia argentina
4. Distância pode elevar custos de obras em 50%
Amazonas | Infraestrutura e logística | 30 de outubro
As particularidades geográficas do Amazonas precisam ser consideradas na elaboração dos orçamentos de obras públicas. O alerta foi apresentado durante o seminário sobre o Custo Amazônico, realizado em Manaus no dia 29 de outubro.
O encontro reuniu representantes do Tribunal de Contas da União (TCU), do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) e de instituições ligadas à infraestrutura.
Durante a programação, o auditor técnico do TCE-AM Vinicius Medeiros Vieira Dantas apresentou exemplos dos efeitos da logística sobre os custos das obras no interior.
Em uma simulação, um saco de cimento adquirido por R$ 40 poderia chegar a uma comunidade distante custando R$ 60, após a inclusão das despesas de transporte.
A diferença de 50% é ilustrativa. Não representa um índice médio de encarecimento das obras amazonenses.
O auditor defendeu que as despesas adicionais sejam demonstradas individualmente nos orçamentos, com justificativas técnicas, em vez da aplicação automática de percentuais sobre os contratos.
Por que importa: as tabelas nacionais de referência nem sempre refletem integralmente as condições de transporte, abastecimento e execução de obras em municípios amazônicos.
Orçamentos inadequados podem contribuir para atrasos, paralisações e necessidade de aditivos contratuais.
Fique de olho: o debate poderá estimular o aperfeiçoamento dos critérios utilizados para estimar e fiscalizar os custos de obras públicas no Amazonas. Não houve anúncio de mudança imediata nas tabelas nacionais.
Fontes: TCE-AM, TCU e Portal da Floresta, 30/10/2026.
Leia a reportagem sobre os custos das obras no Amazonas
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5. Argentina disputa exportações brasileiras à Europa
América Latina | Comércio exterior | 28 de outubro
A indústria exportadora da Argentina identifica uma oportunidade de ampliar suas vendas de farelo de soja à União Europeia diante das novas exigências ambientais previstas para entrar em vigor em 30 de dezembro.
A regulamentação europeia contra o desmatamento exigirá comprovação de que determinados produtos comercializados no bloco não estão associados a áreas desmatadas.
Segundo reportagem da Reuters, representantes do setor brasileiro temem dificuldades para atender às exigências de rastreabilidade.
Uma avaliação da Federação Europeia dos Fabricantes de Rações aponta que até 4 milhões de toneladas de farelo de soja brasileiro podem enfrentar dificuldades de acesso ao mercado europeu. Trata-se de uma estimativa de risco, não de exportações já perdidas.
A Argentina considera que sua estrutura de produção e logística oferece vantagens para cumprir as novas regras. O país dispõe de um sistema de rastreabilidade e concentra grande parte da produção próxima aos principais terminais exportadores.
Por que importa: a competitividade no comércio internacional passa a depender também da capacidade de comprovar a origem das mercadorias.
Além de preço e qualidade, documentação ambiental, rastreabilidade e organização das cadeias logísticas podem determinar o acesso a mercados.
Fique de olho: a mudança interessa ao debate sobre exportações amazônicas. Empresas da região precisarão identificar quais produtos estão abrangidos pela regulamentação e quais exigências deverão cumprir.
Fonte: Reuters, reportagem publicada em 28/10 e atualizada em 29/10/2026.
Leia a reportagem sobre a disputa comercial entre Brasil e Argentina
INDICADOR DO DIA
Selic chega ao Copom em 13,75%
A taxa básica de juros brasileira está em 13,75% ao ano, conforme decisão do Banco Central em 16 de setembro de 2026.
Na reunião anterior, realizada em agosto, a taxa estava em 14% ao ano.
| Referência | Taxa Selic |
|---|---|
| Agosto de 2026 | 14,00% ao ano |
| Setembro de 2026 | 13,75% ao ano |
| Variação | -0,25 ponto percentual |
| Próxima decisão | 4 de novembro |
O Copom se reunirá nos dias 3 e 4 de novembro. A decisão será anunciada na quarta-feira.
O que significa: a Selic é a principal referência para o custo do dinheiro na economia brasileira.
Quando permanece elevada, tende a encarecer o crédito, restringir o consumo financiado e dificultar investimentos empresariais.
A política monetária também influencia a inflação, o câmbio e as decisões dos investidores.
Fonte primária: Banco Central do Brasil — comunicado da 281ª reunião do Copom e calendário oficial de 2026. Banco Central do Brasil
Consulte a última decisão oficial sobre a Selic
DOIS ALERTAS PARA O AMAZONAS
1. Transporte aéreo pode enfrentar nova pressão de custos
O aumento do querosene de aviação exige atenção das empresas que dependem do transporte aéreo para movimentar passageiros e mercadorias.
No Amazonas, a questão ultrapassa o turismo. O modal atende operações comerciais, serviços e deslocamentos para municípios com acesso limitado por outros meios.
O impacto sobre os preços dependerá da capacidade das companhias de absorver o reajuste e das condições de concorrência nas rotas.
A evolução das tarifas e dos custos de frete deverá ser acompanhada nas próximas semanas.
2. Decisão do Copom influencia investimentos no PIM
O Polo Industrial de Manaus chega a novembro com uma carteira expressiva de projetos aprovados e perspectivas de expansão.
Entretanto, a aprovação de investimentos não elimina a necessidade de financiamento para implantação, modernização e aquisição de equipamentos.
A manutenção de juros elevados pode pressionar o capital de giro e os custos financeiros de empresas que dependem de crédito.
O efeito varia conforme o porte, a estrutura de capital e as condições de financiamento de cada fabricante.
A decisão do Copom será uma referência importante para avaliar as perspectivas do crédito empresarial em 2027.
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DUAS PAUTAS ORIGINAIS PARA O AMAZONAS
1. Quanto custa voar para Manaus?
O novo reajuste do querosene de aviação abre espaço para uma reportagem sobre os custos do transporte aéreo na região.
A apuração pode comparar a evolução das tarifas de passageiros e do frete aéreo em rotas que ligam Manaus aos principais centros econômicos brasileiros.
Também deve investigar a participação do combustível nos custos das companhias, a concorrência entre operadores e as limitações de alternativas logísticas.
Fontes sugeridas: Anac, empresas aéreas, operadores de carga, entidades do turismo e representantes do comércio.
A questão central é verificar se o encarecimento do combustível poderá ampliar os custos de circulação de pessoas e mercadorias no Amazonas.
2. Obras no interior custam quanto a mais?
O seminário sobre o Custo Amazônico oferece uma oportunidade para produzir uma reportagem baseada em contratos e dados públicos.
A proposta é comparar o custo de obras semelhantes em Manaus e em municípios do interior, identificando a participação do transporte, dos materiais, da mão de obra e das dificuldades de acesso.
A investigação pode utilizar contratos, planilhas orçamentárias, aditivos e informações dos portais de transparência.
Fontes sugeridas: TCE-AM, TCU, Dnit, Associação Amazonense de Municípios e profissionais de engenharia de custos.
O objetivo é verificar, com dados concretos, quanto as condições regionais acrescentam aos investimentos públicos e como essas despesas são justificadas.
FIQUE DE OLHO NA SEMANA
A primeira semana de novembro reúne decisões e indicadores que poderão influenciar as expectativas para o encerramento de 2026.
Segunda-feira, 2 de novembro: feriado nacional de Finados. Não haverá pregão regular de ações na B3. Os bancos também permanecerão fechados, com funcionamento normal do Pix.
Terça-feira, 3 de novembro: início da reunião do Copom. O mercado financeiro retoma as negociações depois do feriado.
Quarta-feira, 4 de novembro: decisão do Copom sobre a taxa Selic. O Ministério do Trabalho também divulgará o Novo Caged de setembro, às 14h30, horário de Brasília.
Quinta-feira, 5 de novembro: o IBGE apresentará os resultados da produção industrial brasileira referentes a setembro.
A produção industrial regional, incluindo o Amazonas, será divulgada em 11 de novembro. UOL Economia
PARA FECHAR
A economia brasileira começa novembro diante de uma questão que deverá acompanhar o próximo mandato presidencial: como conciliar os compromissos sociais do governo com a necessidade de estabilizar as contas públicas?
A decisão do Copom será uma das primeiras referências dessa nova etapa.
Enquanto isso, o aumento dos combustíveis e as dificuldades enfrentadas por outras economias latino-americanas mostram que o ambiente externo também exige atenção.
Para o Amazonas, a combinação de juros elevados, custos logísticos e dependência de insumos importados reforça a necessidade de acompanhar os investimentos industriais e as condições de competitividade.
O desafio permanece: transformar o potencial econômico da região em produção, empregos e renda, sem perder de vista os custos que limitam essa expansão.
Fred Novaes | Curadoria jornalística de economia
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