O mercado de imóveis comerciais de Manaus ganhará um novo empreendimento em uma das regiões mais valorizadas da capital amazonense. Com 24 salas comerciais e mais de 1.600 metros quadrados de área útil, o Centro Empresarial do Comércio ampliará a oferta de espaços para empresas, profissionais liberais e prestadores de serviços no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul da cidade. O edifício será construído na Rua São Luiz, ao lado da sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio AM), responsável pelo investimento. A localização, em uma área consolidada de atividades comerciais e de serviços, é um dos principais atrativos do projeto, que pretende atender à demanda por ambientes empresariais com infraestrutura moderna e facilidade de acesso. Além das 24 unidades comerciais, o empreendimento contará com dois pavimentos de garagem, com capacidade para mais de 40 veículos. A previsão é oferecer espaços funcionais para diferentes atividades profissionais, aproveitando a localização em uma região que concentra estabelecimentos comerciais, escritórios e serviços especializados. A implantação do centro empresarial representa uma nova opção para a instalação de negócios em uma área nobre da cidade. A expectativa é que a estrutura contribua para ampliar a disponibilidade de imóveis destinados a atividades empresariais e valorizar o entorno, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre os valores de locação ou comercialização das unidades. Investimento imobiliário A pedra fundamental do empreendimento foi lançada nesta sexta-feira (30), durante cerimônia realizada no terreno onde será construído o edifício. O projeto faz parte da estratégia de expansão patrimonial da Fecomércio Amazonas, que pretende aproveitar a área vizinha à sua sede para desenvolver uma nova estrutura comercial. O presidente da Fecomércio Amazonas e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, destacou que o investimento deverá contribuir para a valorização imobiliária da região e criar novas fontes de receita para a entidade. “Este empreendimento nasce com o propósito de gerar novas fontes e, ao mesmo tempo, contribuir para a valorização e o embelezamento desta região”, afirmou Tadros durante a solenidade. O dirigente também ressaltou que a proximidade com a atual sede da Federação permitirá integrar as estruturas e ampliar a presença da entidade naquela área da cidade. A cerimônia contou com a participação de representantes da CNC, dirigentes empresariais e convidados, entre eles os escritores Milton Hatoum e Gabriel Chalita. Durante o evento, foram apresentadas as características arquitetônicas do projeto e descerrada uma placa comemorativa que marcou o lançamento da pedra fundamental. O valor total do investimento, o cronograma de execução das obras e a previsão de entrega do edifício não foram informados. Esses dados serão determinantes para avaliar o impacto econômico do empreendimento e o prazo de entrada das novas salas no mercado imobiliário comercial de Manaus. Com informações da Fecomércio AM
Sebrae reconhece legado de Ubaldino Meirelles para o Amazonas
O reconhecimento de uma trajetória marcada pela atuação política, pela gestão pública e pela defesa do desenvolvimento do interior do Amazonas colocou Ubaldino Meirelles da Silva entre os homenageados com a Medalha do Mérito Empresarial Sebrae 2026. A premiação, realizada na noite de quinta-feira (29), no Sesi – Clube do Trabalhador, em Manaus, reuniu sete personalidades cujas contribuições ajudaram a transformar diferentes setores da economia e da sociedade amazonense. A homenagem a Ubaldino ganha significado especial por resgatar a memória de uma geração de lideranças que participou de importantes transformações econômicas e sociais do Estado. Ex-deputado federal pelo Amazonas e gestor público, ele construiu uma trajetória ligada à ampliação de serviços essenciais, à defesa de projetos de infraestrutura e à inclusão das populações do interior nas políticas públicas. Entre as causas defendidas ao longo de sua vida pública estão a rodovia Parintins-Itaituba, a criação do Tribunal Regional do Trabalho no Amazonas, a implantação de estruturas de armazenamento e frigoríficos em Parintins e a valorização do trabalhador rural. Sua atuação na Previdência Social também deixou contribuições relevantes. Uma delas foi a Previdência Itinerante, iniciativa que utilizava embarcações para levar serviços previdenciários às comunidades do interior, enfrentando as dificuldades de deslocamento impostas pela geografia amazônica. Ubaldino também esteve associado a iniciativas de assistência social e saúde, como a implantação da Central de Medicamentos no Amazonas, programas de atendimento à infância e ações voltadas ao funcionamento do Hospital Padre Colombo, em Parintins. Uma história ligada ao Jornal do Commercio Para o Jornal do Commercio, o reconhecimento tem um significado particular. Ubaldino Meirelles manteve uma amizade de infância com Guilherme Aluízio, saudoso presidente do jornal, que registrou sua admiração pelo amigo no prefácio do livro de memórias publicado em 2013. Na apresentação da obra, Guilherme destacou a atuação política e administrativa de Ubaldino, mas reservou especial atenção à sua conduta pessoal, ao compromisso com a família e às amizades preservadas ao longo de décadas. Uma das passagens recordadas no prefácio reproduz um bilhete escrito por Tomás, filho de Ubaldino: “Pai, o seu passado é minha maior herança”. A frase sintetiza uma dimensão do reconhecimento que ultrapassa os cargos ocupados e as realizações administrativas. Ao homenagear personalidades com longas trajetórias, o Sebrae também contribui para preservar referências da história amazonense e valorizar exemplos de dedicação à vida pública. Sete trajetórias homenageadas Além de Ubaldino Meirelles, a edição de 2026 da Medalha do Mérito Empresarial reconheceu representantes de diferentes atividades econômicas. Entre eles está o empresário e chef André Parente, conhecido como Dedé Parente, cujo grupo empresarial completa 35 anos de atuação na gastronomia amazonense. Sua trajetória começou com uma barraca de pastel e se expandiu para marcas como Skina do Pastel, Cachaçaria do Dedé & Empório, Dedé Pura Brasa e Restaurante das Águas. Também foram homenageados Arleane Costa Figueiredo, responsável pela Queijaria Tradição D’Lourdes, em Autazes; José Raimundo Vale, ligado à Casa do Eletricista; Raul Carlos Araújo de Andrade, empresário com atuação histórica na gastronomia de Manaus; Luiz Carlos de Araújo Cordeiro, produtor rural e dirigente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (FAEA); e Frank do Carmo Souza, empresário da construção civil e presidente do Sinduscon-AM. Coragem para empreender Instituída em 1998, durante a gestão de José Roberto Tadros à frente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae Amazonas, a medalha reconhece contribuições ao empreendedorismo, ao fortalecimento das empresas e ao desenvolvimento regional. Durante a cerimônia, a diretora-superintendente do Sebrae-AM, Ananda Carvalho Normando Pessôa, destacou os desafios enfrentados por quem desenvolve atividades econômicas na região. “Empreender no Amazonas exige coragem. Temos um estado de muitas riquezas e potencialidades, mas também de desafios tão grandiosos quanto essas oportunidades. É preciso inovação, planejamento e resiliência para transformar esse potencial em negócios viáveis e competitivos”, afirmou. A edição contou com indicações da Fecomércio-AM, Faea, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e diretoria executiva do Sebrae. Ao reunir empresários, produtores rurais e lideranças com atuação histórica na administração pública, a premiação amplia o significado do mérito empresarial. No caso de Ubaldino Meirelles, o reconhecimento também representa uma oportunidade de recuperar parte da memória política e social do Amazonas, preservando realizações que ajudaram a construir o Estado e que merecem permanecer conhecidas pelas novas gerações. Com informações do Jornal do Commercio
Governo define calendário para controle de emissões de carbono a partir de 2027
O governo federal estabeleceu o cronograma de entrada de setores da economia brasileira no mercado regulado de carbono. A partir de 2027, empresas de atividades industriais selecionadas terão de iniciar procedimentos de monitoramento e registro das emissões de gases de efeito estufa. A medida faz parte da implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Segundo o Money Times, o calendário foi definido pela Portaria nº 3.199, publicada pelo Ministério da Fazenda na quinta-feira (29). A primeira etapa alcançará setores como alumínio, siderurgia, cimento, petróleo e gás, mineração, papel e celulose e segmentos da indústria química. A implementação será gradual. Até 2029, deverão ingressar atividades como alimentos e bebidas, refino de petróleo e geração de energia elétrica. Os transportes rodoviário, ferroviário e aquaviário estão previstos para a terceira etapa, até 2031. As exigências de monitoramento alcançarão operadores com emissões anuais a partir de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente, universo que representa menos de 1% dos CNPJs brasileiros. Empresas que ultrapassarem 25 mil toneladas anuais estarão sujeitas a obrigações adicionais previstas no Plano Nacional de Alocação, após 2030. Nesta fase inicial, não haverá cobrança nem imposição imediata de limites de emissão. O objetivo é preparar as empresas para medir e informar suas emissões. O sistema, instituído pela Lei nº 15.042/2024, integra a estratégia brasileira de precificação de carbono e de neutralidade climática até 2050.
Conta de luz seguirá sem cobrança extra em novembro
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, nesta sexta-feira (30), a manutenção da bandeira verde em novembro. Com isso, os consumidores continuarão sem pagar taxas adicionais na conta de luz pelo segundo mês consecutivo. A decisão foi motivada pelo aumento das chuvas nas regiões das principais hidrelétricas do país, que melhorou as condições dos reservatórios e reduziu a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, cuja geração é mais cara. Entre maio e setembro, os consumidores pagaram um adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, devido à vigência da bandeira amarela.
Especialistas alertam empresários a revisar situação fiscal para 2027
As empresas do Amazonas precisam acelerar os preparativos para as mudanças tributárias previstas a partir de janeiro de 2027. A revisão de contratos, a atualização dos sistemas fiscais, a capacitação das equipes de contabilidade e a regularização cadastral junto à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) estão entre as medidas consideradas prioritárias por especialistas. O alerta é para o risco de empresários enfrentarem dificuldades na aplicação das novas regras por falta de planejamento e conhecimento sobre os efeitos específicos da reforma em suas atividades. A principal preocupação está nas diferenças de tratamento tributário entre os setores da economia. Indústria, comércio, serviços e agronegócio serão afetados de maneiras distintas pela transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo. Isso exige uma avaliação individualizada das operações de cada empresa, especialmente no Amazonas, onde os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus acrescentam particularidades à aplicação das novas regras. Os alertas foram apresentados durante um encontro promovido pela Associação Comercial do Amazonas (ACA), na quarta-feira (28), em Manaus. O debate reuniu empresários, economistas, advogados tributaristas e representantes de entidades do setor produtivo para discutir as mudanças previstas para 2027 e seus reflexos sobre a competitividade regional. Preparação não pode ficar para depois O diretor jurídico da ACA, Pedro Câmara Júnior, defendeu que as empresas iniciem imediatamente os ajustes necessários para enfrentar a transição tributária. Segundo ele, esperar a entrada em vigor das novas etapas da reforma pode comprometer a capacidade de adaptação dos negócios. “A reforma já começou e em janeiro já tem o primeiro grande impacto”, advertiu. Entre as providências apontadas estão a revisão dos contratos comerciais, a adequação dos sistemas de emissão de documentos fiscais, o treinamento dos profissionais responsáveis pela contabilidade e o planejamento tributário. A orientação é que os empresários acompanhem a regulamentação e busquem identificar antecipadamente como as mudanças poderão atingir seus custos, preços e operações. O economista Marcelo Souza Pereira reforçou que não existe uma solução única para todas as atividades econômicas. Cada segmento precisará examinar as regras aplicáveis ao seu modelo de negócio, considerando as particularidades da cadeia produtiva e os mecanismos de compensação previstos na legislação. “Para cada segmento, a reforma atinge de forma distinta”, afirmou. A avaliação envolve especialmente a transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), além das regras relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e aos créditos presumidos destinados à preservação dos diferenciais competitivos da Zona Franca de Manaus. Cadastro na Suframa merece atenção especial Outro ponto destacado pelos especialistas foi a necessidade de verificar a situação cadastral das empresas junto à Suframa. A recomendação ganha relevância diante dos tratamentos tributários específicos previstos para determinadas operações realizadas na área incentivada. O alerta é particularmente importante para comerciantes e prestadores de serviços que precisam identificar se suas atividades e operações estão enquadradas nas condições exigidas para a aplicação dos benefícios previstos na legislação. A orientação é que os empresários procurem seus contadores e assessores tributários para conferir a regularidade cadastral, avaliar o enquadramento das operações e identificar eventuais adequações necessárias. A existência de regras diferenciadas para a Zona Franca não significa que todas as empresas ou transações terão automaticamente o mesmo tratamento fiscal. Os participantes também defenderam maior divulgação das mudanças, especialmente entre pequenos empresários, que podem enfrentar mais dificuldades para acompanhar a regulamentação e adaptar seus procedimentos administrativos. Competitividade e investimentos em discussão Além das providências imediatas, os especialistas discutiram os efeitos de longo prazo da reforma sobre a economia amazonense. O advogado, economista e assessor parlamentar Farid Mendonça Júnior chamou atenção para a necessidade de avaliar o futuro da arrecadação estadual, a diversificação das atividades econômicas e a capacidade de atrair investimentos. “Temos que delinear o presente e principalmente o futuro, tendo em vista o nosso Estado, que é o nosso maior interesse”, destacou. A preocupação também alcança os municípios do interior, onde a preparação dos gestores públicos, a formalização de atividades econômicas e a educação fiscal foram apontadas como medidas necessárias para acompanhar as mudanças na arrecadação. Durante o encontro, empresários apresentaram dúvidas sobre alíquota zero da CBS, tributação de produtos importados e nacionalizados, aproveitamento de créditos e tratamento fiscal das operações realizadas na Zona Franca de Manaus. O debate foi aberto pelo presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, e contou com representantes de entidades empresariais e conselhos profissionais, entre eles a Associação dos Empresários do Vieiralves, o Sistema OCB/AM, a Abrasel/AM e os conselhos regionais de Contabilidade, Economia e Administração. A principal orientação deixada aos empresários foi antecipar o diagnóstico tributário de suas atividades. Com a aproximação de 2027, conhecer as regras específicas de cada segmento e manter a documentação empresarial em ordem passam a integrar o planejamento necessário para atravessar a transição do sistema tributário brasileiro. Com informações da Associação Comercial do Amazonas Receba o Bom dia, Economia no WhatsApp Acompanhe nossa curadoria diária de notícias e análises sobre economia, negócios e mercado, com atenção especial ao Amazonas. É gratuito, e as atualizações ficam disponíveis no canal, sem mensagens enviadas diretamente ao seu WhatsApp pessoal. Seguir canal no WhatsApp
Discurso de Boulos reacende alerta sobre incentivos da Zona Franca de Manaus
A defesa de um ajuste nas contas públicas baseado na redução de privilégios e benefícios fiscais, feita por Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e integrante do núcleo político do governo Lula, reacende uma preocupação recorrente no Amazonas: o risco de os incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM) voltarem ao centro das disputas sobre a política fiscal brasileira. Em manifestação publicada na rede social X e em entrevista à CNN, Boulos rejeitou a possibilidade de o governo Lula promover cortes em políticas sociais para equilibrar as contas públicas. O argumento é que a eleição presidencial representou uma derrota da agenda de austeridade baseada na redução de despesas sociais e abriu caminho para uma revisão de benefícios concedidos a setores de maior renda. “Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição. O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”, escreveu Boulos. O aliado do presidente foi além ao defender que a orientação econômica do novo governo respeite o resultado eleitoral. “A agenda econômica do Brasil será a que venceu as eleições, não a que perdeu!”, afirmou. Na entrevista à CNN, Boulos sustentou que existem diferentes caminhos para o equilíbrio das contas públicas. Um deles, segundo sua avaliação, seria a redução de privilégios fiscais, emendas parlamentares e vantagens tributárias concedidas a grupos economicamente mais favorecidos. “O ajuste tem que ser feito cortando em privilégios fiscais”, declarou. Zona Franca no centro de uma disputa recorrente Embora Boulos não tenha citado diretamente a Zona Franca de Manaus, sua manifestação ocorre em um ambiente político no qual os incentivos fiscais frequentemente são questionados como instrumentos de favorecimento empresarial. O problema dessa abordagem é que ela pode colocar sob uma mesma classificação benefícios tributários de naturezas distintas, sem considerar seus objetivos econômicos, sociais e regionais. No caso da Zona Franca de Manaus, os incentivos sustentam uma política de desenvolvimento regional criada para compensar desvantagens estruturais da Amazônia, especialmente os elevados custos logísticos, a distância dos grandes centros consumidores e as limitações de infraestrutura. O Polo Industrial de Manaus reúne empresas de diferentes segmentos, gera empregos formais e movimenta cadeias de fornecedores, comércio e serviços. Seus efeitos econômicos ultrapassam os limites das fábricas e alcançam a arrecadação pública e a renda regional. Há ainda a dimensão ambiental. A concentração de atividades industriais em Manaus integra uma estratégia de desenvolvimento que oferece alternativas econômicas à expansão de atividades associadas ao desmatamento, embora os resultados ambientais do modelo exijam avaliação específica. Por isso, tratar indistintamente os incentivos da Zona Franca de Manaus como privilégios empresariais significa desconsiderar a função regional que justifica sua existência. Mas, infelizmente, estamos há anos sendo obrigados a reafirmar esse discurso diante dos recorrentes ataques ao modelo industrial. Pressão fiscal pode alimentar novas contestações A preocupação ganha relevância diante da necessidade de o governo federal demonstrar compromisso com o equilíbrio das contas públicas. A pressão por resultados fiscais tende a ampliar o debate sobre despesas obrigatórias, renúncias tributárias e eficiência dos gastos. Nesse ambiente, o discurso de revisão dos chamados privilégios fiscais pode oferecer argumentos a setores políticos e econômicos historicamente contrários ao tratamento tributário diferenciado concedido ao Amazonas. A ZFM já enfrentou sucessivas contestações de segmentos industriais instalados em outras regiões do país, sobretudo em discussões sobre competitividade, distribuição de investimentos e benefícios tributários. A reforma tributária preservou o tratamento favorecido da Zona Franca de Manaus, com mecanismos constitucionais destinados à manutenção de seu diferencial competitivo. Essa proteção, entretanto, não elimina disputas políticas sobre sua implementação nem eventuais propostas de alteração das regras. O ponto central é distinguir benefícios fiscais sem contrapartida econômica comprovada de instrumentos destinados a corrigir desigualdades regionais. Colocar ambos no mesmo debate, sem essa diferenciação, pode distorcer a avaliação sobre os custos e os resultados das políticas públicas. Austeridade e desenvolvimento regional A posição de Boulos também expõe uma tensão que deverá acompanhar a condução da política econômica de Lula: como conciliar a preservação das despesas sociais com a necessidade de controlar o endividamento público, recuperar a confiança dos investidores e assegurar condições para o crescimento econômico. Para o Amazonas, a questão envolve uma preocupação adicional. O Estado depende de um modelo industrial cujo diferencial competitivo está diretamente associado a mecanismos tributários federais. Qualquer tentativa de revisão desses instrumentos exige considerar os impactos sobre investimentos, produção, emprego e arrecadação, além dos compromissos constitucionais relacionados ao desenvolvimento regional. O discurso de Boulos, portanto, não representa uma ameaça formal à Zona Franca de Manaus. Mas reforça uma linha de argumentação que, se aplicada indiscriminadamente aos incentivos tributários, pode alimentar novas pressões sobre o modelo. Em um cenário de busca por austeridade fiscal, o desafio do Amazonas será impedir que uma política de compensação das desigualdades regionais seja confundida com um privilégio concedido a grandes empresas. Receba o Bom dia, Economia no WhatsApp Acompanhe nossa curadoria diária de notícias e análises sobre economia, negócios e mercado, com atenção especial ao Amazonas. É gratuito, e as atualizações ficam disponíveis no canal, sem mensagens enviadas diretamente ao seu WhatsApp pessoal. Seguir canal no WhatsApp
Indústria avança no Amazonas, mas juros e impostos preocupam empresas
BOM DIA, ECONOMIA | 30 DE OUTUBRO DE 2026 A economia brasileira encerra outubro com sinais contraditórios. Enquanto o Amazonas amplia sua carteira de projetos industriais, o país enfrenta juros elevados, pressão sobre as contas públicas e uma revisão das expectativas para o mercado de ações. A preocupação dos investidores já se reflete na Bolsa, no câmbio e nas perspectivas de financiamento das empresas, diante do cenário de juros elevados, endividamento público crescente e incertezas sobre a política econômica do próximo governo Lula. No exterior, a Colômbia apresentou uma proposta de ajuste fiscal que reforça o debate sobre o equilíbrio das contas públicas na América Latina. Confira cinco notícias para entender a conjuntura. 1. Codam aprova R$ 1,65 bilhão em projetos industriais Amazonas | 29 de outubro O Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) aprovou, nesta quinta-feira (29), 63 projetos industriais, com investimentos estimados em R$ 1,65 bilhão e potencial de geração de mais de 2 mil empregos. Foram aprovados 27 projetos de implantação, 27 de diversificação e nove de atualização industrial. Com o resultado, o Amazonas acumula 277 projetos aprovados em 2026. O número se aproxima do recorde de 320 aprovações registrado em 2025. Entre os destaques estão investimentos previstos de R$ 601,5 milhões na fabricação de televisores e equipamentos comerciais e R$ 162,4 milhões em sistemas inteligentes e equipamentos de energia. A Suframa também informou que o Polo Industrial de Manaus alcançou 135.080 empregos diretos em agosto, maior contingente registrado até então. Serviços e Informações do Brasil Fique de olho: o volume de projetos confirma o interesse empresarial pela Zona Franca de Manaus. O desafio será converter essas aprovações em investimentos executados, empregos efetivos e aumento da produção. A continuidade desse movimento dependerá da segurança jurídica, da infraestrutura e das condições econômicas nacionais. Fonte: Suframa — Resultado da reunião do Codam 2. CBS de 11,3% preocupa empresas e prestadores de serviços Brasil | 29 de outubro A alíquota de referência de 11,3468% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), calculada pelo Tribunal de Contas da União, provocou preocupação entre tributaristas e representantes empresariais. O percentual, arredondado para 11,3%, supera os 9,21% utilizados anteriormente como referência pelo Comitê Gestor do IBS. A CBS integra a reforma tributária e substituirá gradualmente o PIS e a Cofins. O Senado tem até 15 de dezembro para estabelecer a alíquota de referência de 2027. Especialistas alertam para a necessidade de revisão de contratos, preços e sistemas de gestão. O impacto efetivo dependerá das regras de créditos tributários e dos regimes específicos de cada atividade. InfoMoney Fique de olho: no Amazonas, o cálculo exige atenção especial. A Zona Franca de Manaus possui mecanismos diferenciados de tributação. O próprio TCU informa que ainda dependem de regulamentação determinados parâmetros dos créditos presumidos da CBS para produtos fabricados na região. O percentual de referência, portanto, não deve ser confundido com a carga tributária efetiva de cada empresa. Fontes: InfoMoney — CBS preocupa empresas | TCU — Cálculo oficial da CBS 3. Juros da dívida brasileira alcançam quase 9% do PIB Brasil | 29 de outubro O custo dos juros da dívida pública brasileira atingiu R$ 1,205 trilhão no acumulado de 12 meses até setembro, equivalente a 8,99% do Produto Interno Bruto. O resultado é o maior nessa proporção desde janeiro de 2016. Segundo dados do Banco Central do Brasil, a dívida bruta permaneceu em 82,9% do PIB em setembro, equivalente a aproximadamente R$ 11,1 trilhões. O déficit nominal, que inclui os juros, chegou a 9,51% do PIB em 12 meses. Os números reforçam as preocupações sobre a capacidade do governo de estabilizar o endividamento. Reuters Fique de olho: a discussão fiscal tem consequências diretas para a atividade produtiva. Juros elevados encarecem o financiamento das empresas, dificultam investimentos e pressionam o consumo. O mercado também acompanha os movimentos dos investidores estrangeiros. Dados divulgados pela bolsa brasileira mostram retirada líquida de R$ 2,85 bilhões em ações no primeiro pregão após a eleição presidencial. Apesar disso, o saldo de outubro permanecia positivo em R$ 13,3 bilhões até o dia 26. InfoMoney O próximo governo terá de demonstrar como pretende conciliar crescimento econômico, despesas públicas e sustentabilidade da dívida. Fontes: Reuters — Custo dos juros da dívida brasileira | InfoMoney — Fluxo de investidores estrangeiros 4. Bolsa muda de cenário e investidores revêem estratégias Brasil | 30 de outubro A reeleição de Lula e as incertezas sobre a condução da política fiscal mudaram as expectativas dos investidores para a Bolsa brasileira. O cenário de juros elevados por mais tempo reduz o espaço para a valorização de empresas que dependem de crédito barato e de uma recuperação mais forte da economia. Em análise publicada nesta sexta-feira (30) no Seu Dinheiro, o especialista Ruy Hungria, da Empiricus, avalia que a possibilidade de um ajuste fiscal perdeu força na percepção do mercado. Com isso, a perspectiva de queda mais acentuada da taxa Selic nos próximos anos também ficou comprometida. Segundo o analista, empresas mais endividadas e sensíveis ao ciclo econômico, como varejistas, incorporadoras e locadoras, tendem a enfrentar maiores dificuldades nesse ambiente. Ele defende uma postura mais cautelosa, com preferência por companhias financeiramente sólidas, menor endividamento e receitas menos dependentes da atividade doméstica. A avaliação inclui maior atenção à renda fixa, à exposição cambial e à manutenção de liquidez para enfrentar a volatilidade. Fique de olho: a reação da Bolsa mostra como a política fiscal interfere nas decisões de investimento. Juros persistentemente elevados pressionam o valor das empresas, encarecem o crédito e dificultam a expansão dos negócios. A possibilidade de recuperação do mercado dependerá, em parte, da capacidade do novo governo de apresentar medidas econômicas convincentes. As recomendações de carteira representam a avaliação do analista, não uma orientação universal para todos os investidores. Fonte: Seu Dinheiro — Ruy Hungria, 30 de outubro de 2026. 5. Colômbia propõe corte de 15% nos gastos públicos América Latina | 29 de outubro O governo colombiano apresentou ao Congresso uma proposta de reforma fiscal que prevê redução de aproximadamente 15% nas despesas públicas e