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Geração Z lidera onda de protestos que pressiona governos europeus

GTeracao Z lidera protestos na Europa Portal Fred Novaes

Uma onda de protestos liderada principalmente por jovens da chamada Geração Z está colocando governos europeus sob pressão. Da França à Alemanha, passando pela Itália e pela Sérvia, milhares de manifestantes ocupam as ruas para cobrar melhores condições de vida, investimentos em educação e mudanças nas políticas públicas. Embora tenham motivações distintas, os movimentos revelam um descontentamento que ultrapassa fronteiras e já produz consequências econômicas e políticas.

O último fim de semana de outubro foi marcado por novas manifestações, confrontos com a polícia e episódios de vandalismo. Na França, cerca de 320 mil pessoas participaram dos protestos de sábado (31), segundo o Ministério do Interior. Na Alemanha, atos foram convocados em 34 cidades. Na Itália, uma greve havia levado mais de um milhão de pessoas às ruas na sexta-feira (30).

O protagonismo dos jovens chama a atenção. Integrantes da Geração Z, geralmente definida como a população nascida entre o fim dos anos 1990 e o início da década de 2010, estão entre os principais articuladores das mobilizações. As reivindicações envolvem problemas que afetam diretamente suas perspectivas de futuro: salários, emprego, moradia, educação e o peso crescente das despesas cotidianas.

Os protestos não formam um movimento político unificado. Cada país enfrenta problemas específicos, e as manifestações reúnem organizações com orientações diferentes. O ponto de convergência está na insatisfação com a capacidade dos governos de oferecer respostas às dificuldades econômicas e sociais.

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França enfrenta protestos e prejuízos bilionários

A França se tornou um dos principais centros da mobilização. Os protestos ganharam força no fim de setembro, durante as negociações do orçamento de 2027 do governo do presidente Emmanuel Macron.

Inicialmente impulsionadas por estudantes insatisfeitos com as condições das escolas e o acesso às universidades, as manifestações passaram a reunir sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos.

As reivindicações incluem medidas para conter o custo de vida, reduzir a pressão dos preços dos combustíveis e melhorar os serviços públicos.

Em 17 de outubro, os atos reuniram 550 mil pessoas, segundo o Ministério do Interior, e terminaram com episódios de violência, saques e depredação. No sábado (31), aproximadamente 320 mil manifestantes voltaram às ruas, dos quais 70 mil em Paris.

O impacto chegou ao comércio. Lojas de marcas internacionais de luxo, como Hermès, Louis Vuitton e Burberry, foram atingidas durante os distúrbios. Estimativas atribuídas à Câmara de Comércio apontam perdas superiores a 1 bilhão de euros para o varejo.

A pressão ocorre em um momento de fragilidade das contas públicas francesas. A dívida do país se aproxima de 120% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o governo enfrenta dificuldades para controlar despesas e recuperar a confiança dos investidores.

Na Alemanha, jovens assumem a organização dos atos

Na Alemanha, a participação da Geração Z é ainda mais explícita. O grupo responsável pelas convocações adotou o nome Gen Z regelt, expressão que pode ser traduzida como “A Geração Z assume o comando”.

O movimento convocou manifestações em 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Munique. Entre as principais reivindicações estão mais investimentos em educação, medidas contra o aumento do custo de vida e oposição ao serviço militar obrigatório.

A adesão, entretanto, ficou abaixo das expectativas. Os organizadores projetavam inicialmente 182 mil participantes. Até a tarde de sábado, as polícias de Berlim, Frankfurt e Munique haviam contabilizado, juntas, cerca de 6 mil manifestantes.

A mobilização também reflete preocupações com o futuro da economia alemã. O envelhecimento da população, as pressões sobre a previdência e as dificuldades de crescimento ampliam o debate sobre os custos que serão assumidos pelas novas gerações.

Apesar do protagonismo juvenil, o movimento enfrenta questionamentos sobre sua representatividade. Uma entidade nacional de estudantes do ensino médio se distanciou da iniciativa e anunciou manifestações próprias para 20 de novembro.

Itália reúne estudantes e trabalhadores

Na Itália, os protestos ganharam dimensão nacional com uma greve que levou mais de um milhão de pessoas às ruas de aproximadamente 50 cidades na sexta-feira (30).

Estudantes, sindicatos, trabalhadores portuários, bombeiros e agricultores participaram das mobilizações. As reivindicações incluíram reajustes salariais, fortalecimento dos serviços públicos e mudanças nas políticas do governo.

Em Turim, a polícia utilizou um canhão de água para dispersar manifestantes. Em Roma, confrontos terminaram com oito detenções. Já em Gênova, cerca de 15 mil pessoas, incluindo trabalhadores portuários e estudantes, protestaram contra o transporte de armamentos pelas instalações do porto.

Na Espanha, as autoridades detiveram mais de dez suspeitos ligados a um grupo acusado de preparar atos de vandalismo. Entre eles estava um jovem de 20 anos apontado como possível líder da organização.

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Na Sérvia, protestos estudantis chegam às urnas

A consequência política mais expressiva da mobilização juvenil ocorreu na Sérvia. Depois de dois anos de protestos contra o governo, candidatos apoiados por estudantes conquistaram uma vitória eleitoral sobre a aliança ligada ao presidente Aleksandar Vucic, que exerce papel central na política do país desde 2014.

Com quase 99% dos votos apurados, a lista apoiada pelo movimento estudantil alcançou 52,7% dos votos, contra 39,2% da aliança liderada pelo Partido Progressista Sérvio, segundo os dados eleitorais apresentados.

O resultado projetava 139 das 250 cadeiras do Parlamento para os candidatos apoiados pelos estudantes, contra 97 para a aliança governista.

O movimento começou após a morte de 16 pessoas no desabamento da cobertura de uma estação ferroviária em Novi Sad. A tragédia desencadeou manifestações contra a corrupção e cobranças por responsabilização das autoridades.

A vitória eleitoral representa uma mudança de dimensão para o movimento estudantil: a insatisfação que começou nas ruas passou a se traduzir em representação política.

Uma geração que cobra respostas

A onda de manifestações expõe um desafio para os governos europeus. O descontentamento envolve questões imediatas, como preços, salários e serviços públicos, mas também preocupações de longo prazo sobre emprego, previdência e oportunidades para os jovens.

Na França, a pressão popular se choca com a necessidade de ajuste das contas públicas. Na Alemanha, o debate envolve os encargos econômicos e sociais que recairão sobre uma população mais jovem e proporcionalmente menor. Na Itália, as reivindicações estudantis se somam às demandas dos trabalhadores. Na Sérvia, o movimento contra a corrupção já alcançou o sistema político.

Ainda é cedo para afirmar que esses protestos representam uma mudança duradoura no comportamento político da Geração Z. Mas a mobilização em diferentes países mostra que parte dessa geração está disposta a transformar sua insatisfação em participação direta nas ruas e, em alguns casos, nas urnas.

Para os governos europeus, o desafio será responder às reivindicações sem aprofundar desequilíbrios econômicos e tensões políticas. Para os jovens, a questão central é saber se a pressão conseguirá produzir mudanças concretas nas condições de vida e nas perspectivas de futuro.

Com informações da Forbes Brasil.

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