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Mercado perde força, emprego resiste

Mercado perde força após eleições

BOM DIA, ECONOMIA | 31 DE OUTUBRO DE 2026

Bolsa brasileira registra a pior semana desde a pandemia, enquanto o desemprego cai ao menor nível para um terceiro trimestre. No Amazonas, novo empreendimento amplia a oferta de espaços empresariais.

Panorama da conjuntura

O Brasil encerrou outubro com dois movimentos econômicos em direções opostas. O mercado de trabalho manteve resultados positivos, com desemprego de 5,2% e recorde de pessoas ocupadas. Já a Bolsa sofreu sua maior perda semanal desde março de 2020, enquanto o dólar acumulou valorização superior a 9% em cinco pregões.

A reação dos investidores reflete as incertezas sobre a condução da política fiscal após a reeleição de Lula. A definição da futura equipe econômica e as medidas para controlar a dívida pública permanecem no centro das preocupações.

Para o Amazonas, o contraste merece atenção. O Polo Industrial de Manaus depende de investimentos de longo prazo, estabilidade cambial e previsibilidade tributária. A valorização do dólar pode pressionar custos industriais, enquanto os juros elevados dificultam o financiamento de empresas e consumidores. UOL Economia


1. Bolsa tem pior semana desde 2020

Brasil | Mercado financeiro | 30 de outubro

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (30) em 167.921,80 pontos, com queda de 0,75% no dia e perda acumulada de 18,12% na semana. Foi o pior desempenho semanal desde março de 2020, quando os mercados enfrentavam o início da pandemia.

O dólar comercial terminou o pregão cotado a R$ 5,444, com valorização semanal de 9,04%, a maior desde 2008.

A instabilidade começou após o resultado da eleição presidencial. Investidores que apostavam em uma mudança na orientação fiscal passaram a rever suas posições.

Segundo a Reuters, os estrangeiros retiraram quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana. Apesar disso, o saldo de outubro permanecia positivo em aproximadamente R$ 8,6 bilhões até os dados disponíveis na reportagem. UOL Economia

Fique de olho: a queda da Bolsa não representa, por si só, uma retração imediata da economia real. Entretanto, a combinação de dólar valorizado, juros futuros elevados e incerteza fiscal pode encarecer o financiamento das empresas e reduzir o ritmo de novos investimentos.

Fonte: Reuters, 30/10/2026.

Leia a reportagem sobre o fechamento da Bolsa

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2. Desemprego cai ao menor nível para setembro

Brasil | Emprego e renda | 30 de outubro

A taxa de desemprego brasileira caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE.

O resultado representa o menor índice para um terceiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012.

A população ocupada alcançou 103,6 milhões de pessoas, novo recorde. O número de desempregados recuou para 5,6 milhões.

A construção civil apresentou crescimento de 2,8% na ocupação, equivalente a 210 mil trabalhadores adicionais em relação ao trimestre anterior.

Entretanto, o número de empregados do setor privado com carteira assinada permaneceu estatisticamente estável, em 39,4 milhões. Agência Gov

Fique de olho: os números confirmam a resistência do mercado de trabalho, apesar dos juros elevados e da desaceleração de determinados segmentos econômicos. O próximo desafio será preservar o emprego formal e o crescimento da renda.

No Amazonas, a divulgação do Caged de setembro, prevista para 4 de novembro, permitirá verificar se a geração de empregos com carteira assinada continua acompanhando o desempenho nacional.

Fonte: IBGE, 30/10/2026.

Consulte a divulgação oficial da PNAD Contínua

3. Manaus terá novo centro empresarial

Amazonas | Comércio e serviços | 30 de outubro

A Fecomércio Amazonas lançou, na sexta-feira (30), a pedra fundamental do Centro Empresarial do Comércio, empreendimento que será construído no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus.

O projeto prevê 24 salas comerciais, distribuídas em mais de 1.600 metros quadrados de área útil, além de dois pavimentos de garagem com capacidade para mais de 40 veículos.

O edifício será instalado ao lado da sede da federação, na Rua São Luiz.

O empreendimento amplia a perspectiva de oferta de espaços corporativos em uma das áreas comerciais mais valorizadas da capital. A iniciativa integra os projetos de expansão patrimonial da entidade.

Fique de olho: a construção representa uma nova oferta de imóveis voltados às atividades empresariais. Seus efeitos sobre o mercado dependerão das condições de comercialização, da ocupação efetiva dos espaços e da demanda por escritórios na região.

Fonte: Fecomércio Amazonas, com publicação em 30/10/2026.

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4. Lucro da Vale recua 53%

Brasil | Indústria e mineração | 30 de outubro

A Vale registrou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar da redução do lucro, a mineradora apresentou geração de caixa considerada positiva por analistas do mercado financeiro.

O fluxo de caixa livre recorrente alcançou US$ 1,4 bilhão. Já o Ebitda ajustado pro forma ficou em aproximadamente US$ 3,5 bilhões.

A produção de minério de ferro somou 88,4 milhões de toneladas, queda anual de 6%.

O desempenho da divisão de cobre ajudou a compensar parte das dificuldades enfrentadas nos segmentos de minério de ferro e níquel.

As ações da empresa avançaram 3,28% na sexta-feira, mesmo com a queda generalizada do mercado brasileiro. InfoMoney

Fique de olho: o balanço mostra que a capacidade de geração de caixa pode sustentar a avaliação de uma empresa mesmo diante da redução do lucro contábil.

A evolução dos preços das commodities, dos custos de produção e da demanda internacional continuará influenciando os resultados da indústria extrativa brasileira.

Fonte: InfoMoney, 30/10/2026.

Leia a análise do balanço da Vale

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5. Economia mexicana supera expectativas

América Latina | Comércio e indústria | 30 de outubro

A economia do México cresceu 0,9% no terceiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, superando a expectativa de 0,7% dos analistas consultados pela Reuters.

Na comparação anual, o Produto Interno Bruto avançou 3,2%, acima da projeção de 2,5%.

O setor de serviços cresceu 1,1% no trimestre, enquanto a indústria apresentou expansão de 0,8%.

O resultado indica resistência da atividade econômica mexicana, apesar da desaceleração em relação ao segundo trimestre, quando o PIB havia crescido 1,4%.

O desempenho reduz a pressão por cortes imediatos de juros pelo Banco do México, cuja taxa básica está em 6,50%. Reuters

Fique de olho: o México é um dos principais polos industriais da América Latina e integra cadeias internacionais de produção.

Seu desempenho oferece um parâmetro relevante para acompanhar a competitividade industrial regional, especialmente em setores como eletroeletrônicos, equipamentos e manufaturas.

Fonte: Reuters, 30/10/2026.

Leia a reportagem sobre o PIB mexicano


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INDICADOR DO DIA

Renda média do trabalhador chega a R$ 3.790

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores brasileiros alcançou R$ 3.790 no terceiro trimestre de 2026, segundo o IBGE.

O valor representa crescimento de 3,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025, quando estava em R$ 3.660.

Na comparação com o segundo trimestre de 2026, quando a média era de R$ 3.753, o rendimento permaneceu estatisticamente estável.

A massa de rendimento real habitual atingiu R$ 387,5 bilhões, com crescimento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Agência Gov

O que significa: a massa salarial mede o volume de rendimentos recebido pelo conjunto dos trabalhadores. Seu crescimento contribui para sustentar o consumo das famílias, especialmente no comércio e nos serviços.

O avanço da renda, entretanto, não elimina os efeitos do endividamento e dos juros elevados sobre o orçamento doméstico.

Fonte primária: IBGE — PNAD Contínua, trimestre julho-setembro de 2026.

Acesse os resultados oficiais da pesquisa


DOIS ALERTAS PARA O AMAZONAS

1. Dólar valorizado pode pressionar custos do PIM

A alta de 9,04% do dólar na última semana exige atenção das indústrias instaladas em Manaus.

O Polo Industrial de Manaus depende de componentes, matérias-primas e equipamentos importados. A valorização da moeda americana pode elevar os custos dessas operações, especialmente para empresas sem proteção cambial.

O efeito não é automático nem uniforme. Depende dos contratos de fornecimento, dos estoques disponíveis e das estratégias financeiras de cada fabricante.

A questão é saber quanto dessa pressão poderá ser absorvido pelas empresas e quanto eventualmente chegará ao preço dos produtos.

2. Emprego nacional cresce, mas Amazonas precisa confirmar tendência

O resultado positivo da PNAD Contínua amplia as expectativas para a divulgação dos empregos formais de setembro.

O Amazonas registrou saldo positivo de 3.954 empregos com carteira assinada em agosto, segundo os dados do Caged divulgados anteriormente.

A nova divulgação permitirá verificar se o crescimento prosseguiu e quais setores contribuíram para o resultado.

O desempenho da indústria merece atenção especial, considerando sua participação na economia estadual.


DUAS PAUTAS ORIGINAIS PARA O AMAZONAS

1. Quanto a alta do dólar pode custar à indústria de Manaus?

Uma reportagem pode investigar o impacto da valorização cambial sobre as importações de componentes e matérias-primas utilizados pelo Polo Industrial.

A apuração deve considerar a participação dos insumos importados nos custos industriais, os mecanismos de proteção cambial e os efeitos sobre preços e margens.

Fontes sugeridas: Suframa, Fieam, Cieam, empresas importadoras e especialistas em comércio exterior.

2. O emprego cresce, mas a renda acompanha no Amazonas?

A queda do desemprego nacional abre espaço para investigar a qualidade dos empregos gerados em Manaus.

A reportagem pode cruzar os resultados do Caged com dados de rendimento, admissões, desligamentos e remuneração por setor.

O objetivo é verificar se a expansão do emprego formal está sendo acompanhada por ganhos salariais e oportunidades de maior qualificação.

Fontes sugeridas: Ministério do Trabalho, IBGE, Dieese, entidades empresariais e sindicatos.

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FIQUE DE OLHO NA PRÓXIMA SEMANA

A primeira semana de novembro terá divulgações importantes para avaliar a atividade econômica brasileira e seus reflexos sobre o Amazonas.

Na terça-feira (3), a B3 adotará novos horários de negociação, em razão do encerramento do horário de verão nos Estados Unidos e na Europa.

Na quarta-feira (4), às 14h30, horário de Brasília, o Ministério do Trabalho divulgará os resultados do Novo Caged referentes a setembro.

Na quinta-feira (5), o IBGE apresentará a produção industrial brasileira de setembro.

Os dados regionais da indústria, incluindo o Amazonas, estão previstos para 11 de novembro.

A temporada de balanços também prossegue, com resultados de instituições financeiras, empresas industriais e companhias de energia. Serviços e Informações do Brasil


PARA FECHAR

O Brasil chega a novembro com uma contradição econômica que merece acompanhamento.

O mercado de trabalho mantém resultados positivos. A renda cresce, o desemprego recua e o número de ocupados alcança novos recordes.

Entretanto, o ambiente financeiro tornou-se mais instável. A queda expressiva da Bolsa e a valorização do dólar mostram que investidores exigem maior clareza sobre a política fiscal e as perspectivas para 2027.

Para o Amazonas, o desafio será preservar a capacidade de investimento e a competitividade industrial diante dessas incertezas.

A economia regional precisa de condições que permitam transformar oportunidades em produção, empregos e renda.

Fred Novaes | Curadoria jornalística de economia

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